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25-05-2021
É possível outro caminho
Não me venham dizer que não é possível dar dignidade aos Enfermeiros, corrigir as injustiças de que têm sido alvo e virar, de uma vez por todas, a página negra da enfermagem em Portugal.
Os sinais parecem mostrar que a pandemia navega para bom porto. É uma vitória de todos. Chegou a hora de colocar os olhos no futuro e olhar, com justiça e respeito, para a vida de milhares de Enfermeiros que não se esconderam na hora de enfrentar uma das mais duras batalhas de saúde pública em Portugal.
Para lutar contra as injustiças e repor a dignidade profissional dos enfermeiros não é preciso inventar a roda, basta olhar, por exemplo, para aquilo que tem sido feito nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
Enquanto por cá, no Continente, o Governo não consegue fazer mais do que anunciar a conversão do vínculo provisório em definitivo para alguns, e apresentar um subsídio COVID que em vez de unir, semeou a discórdia e discriminou muitos Enfermeiros, nas nossas ilhas os Governos regionais avançaram na regularização das remunerações e da avaliação que permite a progressão na carreira.
Aqui está a prova de que basta vontade política para inverter o rumo da história. Basta querer. A soma de pequenas decisões resulta num processo motivacional que faz acreditar quem anda há muitos anos sem esperança, com progressões e salários congelados.
Esse é o tempo que temos de construir agora, para travar, de uma vez por todas, a sangria da emigração de milhares de Enfermeiros portugueses.
A autonomia dos Governos regionais sinaliza o caminho que tem de ser trilhado nos próximos tempos. Ninguém entenderia que depois de tudo aquilo que nos aconteceu, Portugal ignorasse mais uma vez os Enfermeiros e os tratasse como gente descartável que se usa e deita fora. Chegou a hora de colocar a valorização profissional dos Enfermeiros no topo das prioridades políticas deste país. Ninguém aceitará que assim não seja. É uma questão de respeito e justiça.
https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/ana-rita-cavaco/detalhe/e-possivel-outro-caminho
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