Comunicado da Ordem dos Enfermeiros

  • 18-04-2025

 

 

 

A Ordem dos Enfermeiros repudia com total veemência as declarações proferidas pelo presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Médica ao Correio da Manhã, que acusam falsamente os enfermeiros colocados nos CODU de serem responsáveis por alegados aumentos nos tempos de resposta do INEM e de tomarem decisões clínicas que, segundo afirma, “só devem ser de médicos”.

 

Estas declarações são absolutamente inaceitáveis, irresponsáveis e desprovidas de qualquer base factual. Revelam um profundo desconhecimento da realidade do funcionamento dos CODU e constituem uma lamentável tentativa de descredibilizar profissionais altamente qualificados e experientes, que cumprem rigorosamente os seus deveres com competência, rigor e em estreita articulação com os restantes membros das equipas multidisciplinares.

 

“Não admitimos que se tente instrumentalizar a opinião pública com falsidades. Todas as decisões de referenciação do doente crítico são da responsabilidade dos médicos reguladores, tal como todas as decisões clínicas são partilhadas com esses mesmos médicos. Os enfermeiros dos CODU têm uma preparação rigorosa, cumprem funções essenciais no processo de triagem e encaminhamento, e atuam sempre em estreita articulação com os restantes profissionais. A presença dos enfermeiros nestas estruturas acrescenta valor à capacidade de juízo clínico, através da combinação das suas competências com as dos médicos”, afirma o Bastonário Luís Filipe Barreira.

 

É ainda importante esclarecer que a passagem de dados só não é assegurada integralmente por enfermeiros devido à atual insuficiência de recursos humanos. O mapa de pessoal ainda não está adaptado a este novo paradigma de funcionamento, sendo necessário o reforço de cerca de 70 enfermeiros para garantir uma cobertura plena e contínua.

 

É grave que um dirigente sindical recorra à difamação e à falsidade para justificar falhas no sistema. Esta atitude, para além de ofender injustamente os enfermeiros, prejudica a confiança entre profissionais e compromete o serviço público que todos estão empenhados em prestar.

 

A Ordem dos Enfermeiros considera esta conduta inaceitável e incompatível com qualquer lógica de responsabilidade profissional e ética. As afirmações proferidas comprometem o bom nome dos enfermeiros e criam alarme social injustificado.

 

“Não é aceitável que se semeie a dúvida sobre profissionais que servem o país em contextos de elevada exigência e responsabilidade. Esta postura divide os profissionais e desvaloriza o esforço coletivo que o sistema de emergência exige”, sublinha ainda o Bastonário.

 

A Ordem exige, por isso, ao INEM e ao Ministério da Saúde que desmintam de forma clara e pública estas acusações infundadas, restabelecendo a verdade dos factos e defendendo os profissionais que servem diariamente a população com dedicação e competência.

 

Não aceitamos que os enfermeiros sejam alvo de campanhas de desinformação e ataques gratuitos.