Mais de mil Enfermeiros pedem para emigrar em ano de pandemia

  • 12-01-2021

Mais de mil Enfermeiros solicitaram à Ordem dos Enfermeiros a declaração para efeitos de emigração em 2020, um ano marcado pela pandemia e pela dificuldade em contratar Enfermeiros em Portugal.

No total, a 31 de Dezembro de 2020, 1230 Enfermeiros tinham solicitado a declaração para exercer no estrangeiro, um número que, apesar de inferior aos dos anos anteriores, não deixa de ser surpreendente por se tratar de um ano em que não houve desemprego na Enfermagem em Portugal. Em 2020 licenciaram-se cerca de 2700 Enfermeiros.

 

Estes Enfermeiros juntam-se aos mais de 20 mil que já se encontram no estrangeiro e que, apesar de desejarem regressar ao seu País, não o têm feito devido aos vínculos precários, nomeadamente os contratos de quatro meses que estão a ser oferecidos aos Enfermeiros desde o início da pandemia.

Para a OE, este é mais um sinal de alerta que deve levar o Governo a repensar a forma de contratação de Enfermeiros e a encontrar mecanismos de fixação dos Enfermeiros em Portugal, numa altura em que toda a Europa se vê novamente confrontada com uma situação de caos nos serviços de Saúde devido à pandemia. De sublinhar, aliás, que um dos principais destinos de Enfermeiros portugueses actualmente é a Espanha, país que registou mais de dois milhões de infectados e 50 mil mortos.

 

Com 148 pedidos de certificados, Espanha ultrapassou o Reino Unido e a Suíça na lista de países que mais recebem Enfermeiros portugueses. Também se nota um aumento de pedidos de recrutamento por parte de países como a Bélgica e a Alemanha, com propostas cada vez mais frequentes e vantajosas.

 

“Este é um número muito preocupante, que mostra que alguma coisa tem que mudar rapidamente em Portugal, ou corremos o risco de, muito em breve, não haver Enfermeiros disponíveis. Logo em Março, a OMS alertou os países para encontrarem mecanismos de fixação de Enfermeiros, Portugal não o fez. Tornámo-nos o país que importa ventiladores e exporta Enfermeiros", alerta a Bastonária da OE, Ana Rita Cavaco.