COVID-19

Juntos por uma saída segura da pandemia

  • 29-04-2020

Na sequência do convite remetido ao Conselho Diretivo Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros para que partilhasse a sua apreciação referente ao “Roteiro da Região Autónoma dos Açores. Critérios para uma saída segura da pandemia Covid-19”, o qual, naturalmente agradecemos, vimos pelo presente transmitir o seguinte: 

 

Sendo hoje inequívoco que, como referido no V. documento, “a evolução diária da Pandemia não permite, ainda, uma projeção realista e fiável quanto ao seu fim e quanto à real dimensão das suas consequências”, não pode a Ordem dos Enfermeiros deixar de manifestar a  sua total concordância com o entendimento de que é necessário começar a planear a forma de recuperação, a qual se espera venha a ocorrer o mais rápido possível, tanto em termos de saúde, como em termos ecnómicos.

Nesse sentido, começamos por congratular o Governo Regional dos Açores por esta iniciativa e, principalmente pelo facto de a realizar com abertura e auscultação da sociedade Açoriana, desafio ao qual contaremos sempre responder de forma positiva e construtiva com vista a um melhor futuro.

 

Assim, no que se refere ao teor do documento remetido, com o qual se concorda na generalidade, importa sublinhar que, tendo em consideração que está em causa um cenário que poderá ter uma duração de 6 a 12 meses, não bastará, no que se refere à “preparação máxima da nossa Região, e, em especial, do nosso Serviço Regional de Saúde”, que apenas se eleja como objeto de monitorização o material e equipamentos necessários, sublinhando-se como estando em curso “os procedimentos necessários para reforçar a capacidade de testagem à COVID-19 na nossa Região”.

 

Efetivamente, e sem prejuízo de se reconhecer que tal monitorização também é relevante, é imprescindível que, a par dessas medidas, se estabeleçam outras, muito concretas, no sentido de garantir a preparação do Serviço Regional de Saúde para, a par dos cuidados a prestar a Doentes Covid, prestar todos os outros cuidados de saúde imprescindíveis à comunidade, bem como um reforço dos recursos humanos do nosso Serviço Regional de Saúde, na medida em que, nos poucos meses que já levamos de Pandemia, ficou claro que os mesmos, pelo menos no que se refere ao número de Enfermeiros, não são suficientes para garantir os adequados cuidados de saúde à população Açoriana.

 

E sobre isto importa começar por recordar que, por efeito da Pandemia, tanto a atividade cirúrgica programada, como a realização de consultas de especialidade, a prestação de cuidados de saúde primários, e até o recurso aos serviços de urgência nas várias instituições de saúde verificaram uma redução drástica, seja por medidas tomadas nesse sentido, com vista à redução da possibilidade de contágio, seja pelo receio da população em recorrer às instituições de saúde.

 

Nesse sentido, face à inevitável necessidade de garantir uma normalização na prestação de cuidados de saúde para além da Pandemia, torna-se também imperioso definir como objeto de monitorização o próprio Serviço Regional de Saúde, no que se refere ao seu funcionamento em rede, com definição de circuitos seguros e diferenciados para “doentes covid” e “doentes não covid” e introdução de medidas que permitam o reagendamento da atividade cirúrgica adiada, a realização de consultas, a prestação de cuidados de saúde primários, tudo em segurança e com garantias dadas ao cidadão.   

 

Por outro lado, e porque sem prejuízo daquela redução, foi ainda necessário um enorme esforço, dedicação e capacidade de adaptação por todos os profissionais de saúde, e em especial pelos inúmeros Enfermeiros, que viram os seus horários serem alargados, que foram sujeitos a transferências para Serviços e funções que não os seus, que viram restringido o seu direito a férias - esforço, dedicação e capacidade de adaptação não são possíveis de manter por um período que pode ser superior a 6 ou mesmo a 12 meses, sob pena de exaustão dos profissionais em causa - é imprescindível definir-se como objeto de monitorização os meios humanos existentes nas várias instituições de saúde do Serviço Regional de Saúde da Região Autónoma dos Açores, com definição de um plano de ação no sentido de garantir que todas e cada uma dessas instituições detêm dotações seguras de profissionais de saúde, especialmente de Enfermeiros, essenciais  à prestação de cuidados de saúde adequados.

 

Naturalmente que, para tudo isto, bem como para participar neste trabalho de reconstrução da Esperança, desenvolvido pelo Governo Regional da Região Autónoma dos Açores, seja no âmbito do “Roteiro da Região Autónoma dos Açores - Critérios para uma Saída Segura da Pandemia COVID-19”, seja no âmbito da “Agenda para o Relançamento Social e Económico da Região Autónoma dos Açores”, ou ainda em qualquer outro projeto que tenha o mesmo fim, a Ordem dos Enfermeiros reitera a sua disponibilidade, desde já se garantindo que, como todos os Enfermeiros e restantes profissionais de saúde, que se encontram na linha da frente no combate a esta Pandemia, também a Ordem dos Enfermeiros estará na linha da frente no processo de uma saída segura, com relançamento social e económico.

CDR/PS/rl