Pensar saúde

28/JUL | Dia Mundial Da Hepatite

  • 28-07-2020

O Dia Mundial contra a Hepatite assinala-se, anualmente, no dia 28 de julho. A comemoração desta data tem como objetivo clarificar aspetos referentes à infeção, compreender a sua atual incidência, bem como sensibilizar para a necessidade de investir na prevenção.

 

O termo hepatite viral refere-se a uma inflamação no fígado, em regra causada por um de cinco vírus, muito distintos entre si: os vírus da hepatite A e da hepatite E, de transmissão fecal-oral, e os vírus da hepatite B, hepatite C e hepatite D, transmitidos por via venosa ou sexual. Embora sejam maioritariamente doenças que atingem o fígado, pode haver envolvimento de outros órgãos e sistemas, particularmente nos casos de hepatites crónicas.

 

A Assembleia Mundial de Saúde defendeu, em maio de 2016, a Primeira Estratégia do setor da Saúde para as Hepatites virais em forma de apelo à ação para a eliminação destas infeções até 2030.

Na mesma altura, Portugal respondeu ao apelo, através da criação do Programa Nacional para as Hepatites Virais, integrado no conjunto dos 12 programas de saúde prioritários da Direção-Geral da Saúde. Definiu-se assim o primeiro plano estratégico nacional do setor da saúde orientado para o controlo das hepatites virais (hepatites A, B, C, D e E), no qual se colocou com realce particular as hepatites virais B e C, dada a sua maior representatividade em termos de saúde pública.

 

Em 2019, o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) dava conta no seu relatório com referência aos dados de 2017, que o número de novas infeções por VHB diagnosticadas e notificadas em 30 países da Europa, incluindo Portugal, continua elevado, sendo a maioria infeções crónicas (58%). Foram notificados 26.907 casos de infeção por VHB, correspondendo a uma taxa bruta de 6,7 casos por 100.000 habitantes1.

 

 

Para alcançar esta ambição é preciso apostar em estratégias robustas de prevenção, através do conhecimento das medidas específicas (vacinação e medidas de higiene na confeção de alimentos, adesão a medidas de consumo de drogas injetáveis “seguras”), rastreio, diagnóstico, referenciação, ligação aos cuidados de saúde e tratamento, baseadas e sustentadas no melhor conhecimento científico disponível, sendo muito deste trabalho desenvolvido pela classe de Enfermagem.

 

Para o biénio 2019-2020, o Programa Nacional para as Hepatites Virais, divulgado pela DGS em  20192 define como prioritárias as intervenções em cinco áreas: conhecimento da prevalência das hepatites B e C na população portuguesa; manter o enfoque nos programas de prevenção, rastreio e referenciação das hepaptites B e C; monitorização do tratamento da hepatite C; micro-eliminação da hepetite C em populações específicas e por fim a realização de um estudo de impacto financeiro e dos ganhos em saúde do acesso universal ao tratamento da hepatite C através de antivirais de ação direta.

 

Assim sendo torna-se fulcral ressalvar que o trabalho em conjunto de uma equipa multidisciplinar, de onde também fazem parte fulcral os enfermeiros, será o motor para o alcance das metas definidas.

 

 

Vânia Gonçalves

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação

Vogal do Conselho de Enfermagem – Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros da Região Autónoma dos Açores (2020-2023)

 

 

[1]  European Centre for Disease Prevention and Control. Hepatitis B. In: ECDC. Annual epidemiological

report for 2017. Stockholm: ECDC; 2019. Stockholm, June 2019

[2] https://www.dgs.pt/portal-da-estatistica-da-saude/diretorio-de-informacao/diretorio-de-informacao/por-serie-1116211-pdf.aspx?v=%3d%3dDwAAAB%2bLCAAAAAAABAArySzItzVUy81MsTU1MDAFAHzFEfkPAAAA

 

CER/VG/rl