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05-05-2024
Ser Mãe e Enfermeira
Dissociar o papel de mãe e de enfermeira é algo que Dora Franco e Tânia Soares não fazem. Faz parte de quem são e, mesmo que requeira algum planeamento, garantem que estão sempre presentes na vida dos filhos. Em ambos os "papéis" existe um elemento comum: Ser cuidadora.
"Não há uma distinção entre o Ser e o ter uma profissão. Na minha individualidade assumo vários papéis, o de Presidente da Secção Regional do Sul, o de enfermeira, o de mãe, de filha, de neta, de irmã, de amiga.... Tento conciliar todos da melhor maneira que consigo, com perseverança, mas também com alguma tranquilidade, aceitando que não sou perfeita", salienta a Enfermeira Dora Franco.
Planear é essencial, ainda mais com três filhos, de 4, 6 e 13 anos. Dora Franco realça que tenta gerir os momentos com a flexibilidade possível "às vezes privilegiando algumas atividades outras preterindo, mas sempre demonstrando disponibilidade afetiva quando estou presente", tenta ainda estabelecer "um plano semanal rigoroso em termos de organização de tempo", contando com a ajuda do marido.
Para a Enfermeira Tânia Soares, Presidente do Conselho de Enfermagem Regional e mãe de dois filhos (11 e 16 anos), optar por trabalhar por turnos foi "uma maneira de conseguir estar mais presente na vida dos filhos", mesmo que significasse "cortar" um pouco no descanso.
"Em momento algum abdiquei de estar presente na vida deles", salienta, reforçando a importância do apoio do marido, mas também da restante família. "Implica uma gestão de horários e de atividades muito grande, com uma capacidade organizativa enorme", admite.
O ser enfermeira e mãe tem uma influência mútua. Tânia Soares, que trabalha em contexto operatório, explica que sempre teve uma abordagem muito próxima com as crianças. Mas apesar desse papel de cuidadora, a verdade é que quando foi mãe a sua forma de estar sofreu algumas mudanças.
"A partir do momento em que fui mãe, essa abordagem ganhou mais intensidade. Nos primeiros meses depois de ser mãe, eu tinha muita dificuldade em estar com essas crianças a ser operadas. Acabava por me projetar um bocadinho naquelas mães. Após uma reflexão interior, comecei a perceber que poderia dar o meu contributo também nesse sentido e até criar uma relação mais empática com essas mães", refere.
A preocupação com a saúde dos filhos é constante, mas será que ser enfermeira faz com que seja maior?
"Acho que como trabalho há 22 anos no IPO acabo por relativizar, de um modo geral, as doenças dos meus filhos. Mas quando o meu filho do meio, há 3 anos, viveu uma situação de doença muito grave, atingi picos de preocupação e sofrimento talvez desproporcionais, porque consegui prever aquilo que poderia acontecer, os riscos associados àquele momento…foi muito duro, mas acredito que o seja sempre para qualquer mãe que vive situações limite", confessa.
"Por um lado, é bom porque sensibiliza-te para determinados comportamentos, atitudes que os filhos tenham, não só em termos físicos, mas também psicológicos. Deixa-me em alerta para uma série de coisas", considera Tânia Soares.
"Por outro lado, costumo dizer que o viver na ignorância é agradável porque muitas vezes até se sofre por antecipação. Contudo, metendo na balança, acho que tem um lado positivo, até porque os nossos filhos sentem-se confortáveis com isso. Quando precisam de alguma coisa relativamente à sua saúde, é à mãe que recorrem", acrescenta.
Questionadas se gostariam de ver os filhos seguirem as suas pisadas, ambas as enfermeiras não hesitam na resposta.
"Quero que eles sejam e façam aquilo que quiserem, desde que sejam boas pessoas, corretos e honestos. Independentemente da profissão, quero que sejam pessoas lutadoras, integras e felizes…quero que acrescentem algo…", afirma Dora Franco.
"Eu gostava que tivessem esta questão da sensibilidade de serem cuidadores. Se quiserem ser enfermeiros é uma escolha deles. Ser cuidador é ser sensível ao outro, é perceber se o outro está bem ou não, perceber que aquela pessoa que está ao nosso lado tem bons e maus momentos e nós podemos ter uma intervenção e essa intervenção é o bem comum", reforça Tânia Soares.





