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04-05-2025
Profissão Mãe: Cuidar na Família e na Enfermagem
Cá em casa somos muitos: os pais, Ana e Francisco, e as crianças, Duarte, Maria do Carmo, Francisco e a S. É uma casa cheia!
O Duarte tem 15 anos, a Maria do Carmo 12, o Francisco 8 anos e a S tem 1 ano de idade.
Nós pais somos ambos profissionais de saúde e juntos enfrentamos os desafios de uma rotina intensa e por vezes imprevisível, mas, como diz a expressão: “Tudo se resolve”.
Acreditamos que a vida só faz sentido com partilha, e no ano passado abraçámos a missão de proporcionar um crescimento saudável e a estabilidade que uma criança precisa, no seio de uma família. Tornámo-nos Família de Acolhimento e recebemos uma bebé, a pequena S, que transformou a vida de todos nós. Esta experiência está a ter um profundo impacto não só na nossa família, mas também entre amigos e vizinhos.

O Acolhimento Familiar é uma medida de promoção e proteção, temporária, que visa proporcionar um contexto familiar a crianças e jovens que se encontram numa situação de risco. Assumimos o compromisso de ajudar a construir um futuro mais promissor onde o amor transforma desafios em oportunidades.
O acolhimento é temporário, mas o impacto, acreditamos, será eterno!
Nem sempre estamos, nós os pais, em casa diariamente, o que nos obriga a adaptações e estratégias para que tudo esteja assegurado. A gestão de tempo é, sem dúvida, um dos maiores desafios. O dia não estica, e na dinâmica familiar como na profissional, importa fazer escolhas, priorizar, e organizar as tarefas. Procuro transmitir, de forma positiva, que cuidar dos outros implica dedicação. Tenho a felicidade de contar com uma rede de apoio que "segura as pontas” quando o trabalho impera. Descomplicar é a palavra de ordem.
Ser enfermeira em saúde mental deixa-me mais desperta para a importância do autocuidado, de reconhecer os nossos limites saudáveis, saber priorizar e procurar o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal e familiar. Porque uma mãe emocionalmente saudável desempenha melhor o seu papel, cuidar de nós mães, não é egoísmo, é sim um verdadeiro ato de amor-próprio — e, por vezes, isso implica procurar ajuda especializada. Um amigo pode ser bom ouvinte, mas não substitui a intervenção de um profissional, que tem connosco uma relação terapêutica, que se distingue pela sua intencionalidade, enquadramento ético e profissional.
A verdadeira essência da maternidade não está em acertar sempre, mas em estar presente, em aprender com os erros e em crescer com os filhos. Ser mãe é um exercício constante de autodescoberta, de adaptações e de gestão de emoções. Não existe livro de instruções ou fórmulas mágicas, as redes sociais não transmitem sempre a realidade e as supermulheres não existem fora da ficção.
No Dia da Mãe, celebram-se todas as mães: as que falham, as que erram, mas que, acima de tudo, amam e se dedicam incansavelmente. Não se trata de ser perfeita, mas de ser o melhor que podemos ser a cada dia. E isso é mais do que suficiente.
Se a maternidade fosse uma profissão, as ofertas de emprego contemplariam: Cargo - MÃE. Funções: trabalhar 24h por dia sem folgas, férias ou feriados, gerir crises e conflitos, multitasking, organizar a logística de uma pequena empresa (também conhecida como “família”), implementar projetos educativos, emocionais e culinários. Requisitos extra: curar com beijinhos, contar a mesma história 200 vezes com entusiasmo digno de um Oscar e transformar peixe e legumes em pratos gourmet (disfarçados, claro). Salário? Amor infinito.
Ana Avelar Botelho Neves
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica





