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25-07-2024
Prevenção é essencial para evitar afogamentos
É uma morte silenciosa. É um problema de saúde pública. Dois alertas neste Dia Mundial da Prevenção do Afogamento. Apostar na prevenção é o caminho, com os enfermeiros a serem importantes na ajuda para a adoção de comportamentos que se traduzam numa cultura de segurança.
Segundo a Organização Mundial de Saúde 236 mil pessoas morrem por ano por afogamento, mais de metade tem menos de 25 anos. Uma das taxas mais elevada é na faixa etária entre um e quatro anos. É uma das principais causas de morte. Em Portugal, as estatísticas dão conta de 106 mortes em 2023, segundo o Observatório do Afogamento da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, um pouco menos que em 2022.
"Estamos perante um problema de saúde pública. A média mundial é de uma morte a cada minuto e meio e são mortes potencialmente evitáveis através da prevenção", destaca Tiago Dias, Enfermeiro Gestor no INEM e Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica.
Acrescenta que em Portugal os "dados são preocupantes", com o afogamento a ser a ser "a segunda causa de morte em crianças abaixo dos cinco anos de idade". "É um problema que se combate com a literacia em saúde, com a adoção de comportamentos de prevenção de acidentes na criança", afirma.
Estamos na época do ano que tem maior número de afogamentos, com 28% a acontecerem em piscinas, quando se fala de crianças. Seguem-se as praias (22%), tanques e poços (22%) e rios, ribeiros e lagoas, também com 22%.
"O vulgar alguidar, piscina, insuflável, é onde temos o registo de muitos acidentes. Um afogamento pode acontecer em três centímetros de água”, conta. “Basta sensivelmente dois minutos e temos um afogamento", reforça.
Quando a prevenção é chave, a importância do Enfermeiro tem de ser realçada: "O Enfermeiro como profissional de saúde, pela sua proximidade às famílias e o seu conhecimento das pessoas consegue fazer aconselhamento e educação para a saúde personalizado, ajustado àquela família, àquelas pessoas."
Recomendações
No que a conselhos diz respeito, o Enfermeiro Tiago Dias reitera que a vigilância permanente é essencial quando se fala de cuidados com as crianças.
Na prevenção, a avaliação do risco é essencial, devendo-se procurar praias vigiadas, conhecer os locais seguros para se estar na água, para mergulhar, seguir as recomendações dos nadadores-salvadores e do Instituto de Socorros a Náufragos. Relativamente às crianças, além da vigilância, informá-las de potenciais perigos, garantir que dispõe de dispositivos para flutuar, são alguns dos pontos a ter em conta.
"Este ensino, esta sensibilização, deve começar logo precocemente para que as crianças estejam adaptadas ao meio aquático, desfrutando dele, mas conhecendo os perigos inerentes", explica.
Quanto às piscinas, o Enfermeiro Tiago Dias cita as recomendações da Organização Mundial da Saúde, nomeadamente o método barreira, como a colocação de coberturas e/ou vedações que impeçam a criança de ir para a água.
"A nossa experiência diz que é uma situação bastante trágica. Os pais, os cuidadores relatam que não ouviram nada e a criança aparece submersa. Nem se sabe há quanto tempo está submersa. É a Lei de Murphy, quando tudo pode acontecer, acontece no pior momento e da pior forma", diz.
Cadeia de sobrevivência
Relativamente à cadeia de sobrevivência de reanimação, quando alguém se depara com uma situação de afogamento, a "deteção precoce, perante uma situação de alerta ligar o 112, seguir as orientações que forem dadas e se souber fazer suporte básico de vida, aplicar esses conhecimentos", são pontos a ter em conta.
Porém, fica o aviso que o “salvamento começa em terra” e que se deve evitar entrar na água se essa decisão colocar mais pessoas em perigo de afogamento.
A literacia em saúde também passa pelo conhecimento do suporte básico de vida por todos, um ensino que é cada vez mais feito nas escolas, como a Ordem dos Enfermeiros tem sido exemplo nos últimos anos, com ações de formação nesta área junto de crianças de várias idades.
Momentos que marcam
As histórias de mortes de crianças por afogamento em piscinas são algumas que o Enfermeiro Tiago Dias não esquece. Contudo, há situações com final feliz como a que aconteceu na praia da Zambujeira do Mar, com duas crianças de origem alemã que, ao entrarem na água (fora da época balnear) com os pais, acabaram por ser arrastadas pelas ondas.
Tiago Dias recorda como alguém alertou para a situação e dois surfistas, que também eram nadadores-salvadores, fizeram um difícil resgate. Uma das crianças, de 14 anos, esteve 20 minutos submersa. Feito o pedido de ajuda ao CODU e o Enfermeiro Tiago Dias recorda como estava a 20 minutos do local e durante os quais, um médico e enfermeiro de férias na zona, realizaram manobras de suporte básico de vida.
Ao chegar e com a aplicação do suporte avançado de vida, seguiram-se 50 minutos de manobras de reanimação até que houve recuperação de sinais de circulação. Evacuada para o Hospital de Santa Maria, a criança recuperou.
"Sobreviveu com sequelas mínimas. Em termos de cadeia de sobrevivência, tudo funcionou", frisou. A outra criança não esteve numa situação completa de afogamento.
"A prevenção é importante, mas há que capacitar o cidadão para que saiba prestar o primeiro socorro. Neste caso a deteção precoce e pedido de ajuda", exemplificou.





