Prevenção e Controlo do Tabagismo

  • 16-11-2012

O Plano Nacional de Saúde considera o consumo de tabaco como a principal causa evitável de mortalidade e morbilidade. Dado o impacto social, económico e cultural que as doenças decorrentes do consumo do tabaco apresentam nas sociedades contemporâneas torna-se fundamental a criação e a operacionalização de estratégias integradas de prevenção, que permitam reduzir as elevadas taxas de morbilidade e mortalidade registadas atualmente.

O Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (PNPCT), criado pelo Despacho 404/2012 de 3 de janeiro de 2012, publicado no DR, 2.ª série, n.º 10, de 13 de janeiro de 2012, pretende alcançar, até 2016, um conjunto de objetivos, em função de três eixos estratégicos nucleares: prevenção da iniciação do consumo, promoção da cessação tabágica e proteção da exposição ao fumo ambiental, complementados por dois eixos de intervenção transversal, orientados para a informação, a educação para a saúde, a formação e a investigação.

O consumo de tabaco apresenta-se como um fator de risco que deve ser alvo de intervenção, no quadro da implementação de estratégias de prevenção que tenham como base a modificação efetiva do estilo de vida. O grande desafio que se impõe hoje é a adoção de comportamentos que permitam maximizar o potencial de bem-estar de cada pessoa. Como sabemos, embora estejam bem descritos os benefícios de não fumar para a qualidade de vida e bem-estar, o consumo do tabaco é uma realidade na nossa sociedade.   

Atualmente constatamos um crescente reconhecimento da importância da adoção de comportamentos promotores de saúde.

Como enfermeiros, compete-nos desenvolver parcerias com as pessoas alvo dos nossos cuidados, ajudando-as a adotar estilos de vida saudável. Contudo, importa que estejamos conscientes de que não existe um único caminho para a promoção de comportamentos saudáveis e que a investigação nos dá contributos para intervir de forma refletida e adequada. Sendo que a promoção da saúde se assume como o instrumento privilegiado para a melhoria da qualidade de vida da pessoa e dos índices de saúde das populações.

Decorrente do mandato social da profissão de enfermagem, nomeadamente nos enunciados descritivos dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem, que preconizam a criação de uma dinâmica de melhoria contínua, têm a promoção da saúde como uma das suas seis categorias. Neste sentido, o desenvolvimento de projetos de melhoria continua, nos cuidados de saúde primários, serão uma mais-valia para atingir as metas apresentadas PNPCT.

No que se refere ao consumo de tabaco é imprescindível intervir com ações abrangentes e eficazes que capacitem a pessoa de mais e melhor informação sobre a prevenção do início do consumo de tabaco, a cessação tabágica, bem como do seu impacto a nível biológico, psicológico, social e económico. O controle do consumo de tabaco é uma politica de saúde pública essencial para a promoção da saúde e prevenção da doença.

Nos últimos anos, no nosso país, tem vindo a verificar-se um conjunto de evidências que sugerem uma redução do consumo de tabaco e experimentação por parte dos mais jovens, o que poderá estar relacionado com as diferentes intervenções educativas que têm sido realizadas. Neste sentido, é fundamental dar continuidade aos programas implementados para garantir a efetividade destes resultados ao longo do tempo.

 

Enfermeira Maria Clara André (5-E-07803)

 

CDR-Sul, 14 novembro 2012

AT/gm