O Papel do Enfermeiro na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica - DPOC

  • 14-11-2012

Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS), “ A prevalência da DPOC em Portugal atinge valores de 14,2% nos indivíduos com mais de 40 anos de idade (…) A DPOC é uma doença progressiva que pode conduzir à Insuficiência Respiratória e morte (…) Todos os profissionais de saúde têm a responsabilidade de ajudar os doentes e seus cuidadores no estabelecimento de um plano de cuidados que assista o doente durante toda a evolução da doença (…) é possível concluir que a perspetiva de controlo e tratamento desta afeção permitiria, não só a melhoria da qualidade de vida dos doentes e famílias com a maior racionalização dos elevados custos envolvidos” Norma nº 28/2011 de 30/09 da DGS.

O papel do enfermeiro centra-se na elaboração em cooperação com os outros técnicos da equipa multidisciplinar de um plano terapêutico global para o cliente, em que este é um parceiro e o fulcro da sua actuação, ajudando-o na responsabilização pela manutenção da sua saúde como ator privilegiado na tomada de decisão. Assim o enfermeiro, formula diagnósticos de enfermagem e propõe intervenções, centradas na relação terapêutica, como forma de garantir o auto controlo e o autocuidado do cliente, onde a adoção de um estilo de vida mais saudável, pelo recurso ao exercício físico, a uma alimentação saudável, à cessação tabágica são de realçar.

“(…) A intervenção de enfermagem centra-se em programas educativos e programas de reabilitação respiratória”  Esta intervenção tem como objectivo o retardamento da progressão da doença, “visa a  qualidade de vida, a promoção da saúde, a prevenção complicações, a satisfação do cliente o seu bem-estar e autocuidado, assim como o autocontrolo eficaz dos problemas de saúde” (Magalhães, 2009)

Estes programas traduzem-se na redução do estado de fadiga, da ansiedade e depressão, que estão comummente associadas à DPOC.

Nas exacerbações da doença o enfermeiro institui o processo de enfermagem onde é frequente surgirem os seguintes diagnósticos de Enfermagem (CIPE): ventilação espontânea comprometida, dispneia atual, limpeza das vias aéreas comprometida, conhecimento para a saúde diminuído e ansiedade atual. O enfermeiro após formular os diagnósticos de enfermagem planeia intervenções de enfermagem específicas e individualizadas a cada cliente, que valida com o próprio. É frequente a instituição de oxigenoterapia, ventilação não invasiva, inaloterapia, cujo ensino enquadra-se na área das intervenções autónomas de enfermagem sendo direcionado ao cliente ou em caso de impossibilidade do próprio ao seu cuidador. Verificamos que neste cotexto a integração do cliente e ou do cuidador nos cuidados é uma constante.

A elaboração de programas de reabilitação, sua implementação e orientação das equipas na consecução dos mesmos, são da competência de enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação. Estes programas, aumentam a qualidade de vida destes clientes, diminuem as comorbilidades e reduzem os reinternamentos. A manutenção do plano de cuidados instituídos aquando da alta hospitalar, passa por uma correta articulação dos enfermeiros com os cuidadores, com as unidades funcionais dos agrupamentos de centros de saúde e com outras instituições que acolhem estes clientes.

O enfermeiro desempenha um papel importante na prevenção da doença, quando intervém em programas de educação para a saúde da população em risco, especialmente grupos jovens onde a evicção tabágica é uma prioridade. O enfermeiro desenvolve as suas atividades em centros de saúde, nos serviços de ambulatório, nos cuidados ao domicílio, nos serviços de internamento, nos cuidados continuados e paliativos. No processo de fim de vida a intervenção dos enfermeiros centra-se em medidas de conforto, alívio de sintomas bem como na integração da família, integração esta que exige aos enfermeiros competências especificas e acrescidas.

 

Enfermeira Maria Teresa Diez (5-E-29757)

 

CDR-Sul, 14 novembro 2012

 

AT/gm