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14-09-2012
O Enfermeiro de Saúde Escolar e a Saúde Mental
«O início de mais um ano letivo suscita, inevitavelmente, a quem se dedica e se interessa pela Saúde Escolar, a interrogação sobre uma organização possível dos serviços, para rentabilizar os recursos e planear as atividades, de modo a responder às necessidades da comunidade escolar e cumprir, o melhor possível, as atividades preconizadas pelo Plano Nacional de Saúde Escolar (PNSE).
Estamos cientes de que, idealmente, as intervenções em Saúde Escolar devem atender às necessidades particulares de cada comunidade e cobrir um vasto conjunto de problemáticas de saúde. Contudo, pretendemos sublinhar a necessidade de valorizar uma das problemáticas menos exploradas: a da Saúde Mental. Fazê-lo é, como apelam os autores citados inicialmente, um investimento sério no desenvolvimento pessoal, familiar e social, o que é também reforçado pela priorização que é atribuída à Saúde Mental pelo Plano Nacional de Saúde Escolar 2004-2010 (MS-DGS, 2007).
Os profissionais de saúde, ao interferirem na comunidade educativa, assumem um papel fundamental na manutenção dos determinantes de saúde, mas este será tão mais eficaz quanto mais conseguirem trabalhar em parceria com outros profissionais e agentes, nomeadamente os educadores de infância, os professores, as famílias e as próprias crianças e jovens. A efetividade da promoção da saúde será fortalecida se os profissionais de saúde tomarem como princípio o desejo de “trabalhar com”, em vez de “trabalhar para”, ou seja, se investirem no desenvolvimento de competências de toda a comunidade educativa.
O enfermeiro, inserido nessas equipas de profissionais e usando as suas competências adquiridas em contexto de formação, consolidados com a experiencia, sabe compartilhar conhecimentos, fazendo uma abordagem salutogénica e abrangente, aumentando o bem-estar e reduzindo o risco de doenças nas crianças e adolescentes.
Numa abordagem à saúde mental, o enfermeiro implementa e consolida projetos que visam desenvolver competências pessoais e sociais nos alunos, utilizando metodologias ativas e de empoderamento, que é o princípio essencial da promoção de saúde. Nas suas intervenções, a enfermagem de saúde mental foca-se no seu olhar específico e em várias dimensões: na prevenção, no diagnóstico e na intervenção em situações críticas, sobretudo nos períodos de transição, causadores de doença mental e, reforçando, com implicações em todos os domínios do desenvolvimento pessoal e social.
Como enfermeira de saúde escolar e com especialização em Saúde Mental e Psiquiatria, mas também como mãe de duas crianças em idade escolar, tenho-me dado conta que as dificuldades económicas que o país atravessa têm condicionado os recursos das escolas e dos serviços de saúde repercutindo-se nos indivíduos de todas as idades e nos sistemas familiares.
Assisto diariamente ao aumento das doenças ligadas ao stress e constato empiricamente que este fenómeno tem impacto nas crianças e jovens. A violência, os comportamentos de risco, o consumo de substâncias, os distúrbios alimentares, as perturbações cognitivas, o isolamento, e a depressão não são fenómenos novos, mas a sua incidência e magnitude ameaçam o bem-estar individual e coletivo e, por isso, são algumas das áreas que devem merecer atenção na promoção da saúde mental em contexto escolar. De igual modo, as crianças com necessidades educativas e de saúde especiais, pela sua vulnerabilidade, devem merecer particular atenção, agindo sobre os constrangimentos que dificultam a sua inclusão plena.
Para além do trabalho das parcerias interprofissionais e interinstitucionais já referidas, defendemos o envolvimento, a educação e o aconselhamento aos pais, reforçando o que fazem de bem e apontando para o que podem fazer melhor. A nossa disponibilidade e saber são, pois, recursos a valorizar e reforçar.»
Enf. Ana Paula de Jesus Antunes Gonçalves
CDR/AT-ar





