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01-06-2025
Enfermagem na Era Digital: Inteligência Artificial em Debate nas Jornadas do Dia do Enfermeiro no Algarve
“Num futuro previsível, a Inteligência Artificial não vai substituir os Enfermeiros. A adaptação é a chave. Os profissionais que se ajustarem às novas tecnologias terão uma vantagem real sobre os que resistirem à mudança”. João Oliveira - Enfermeiro Especialista na ULS de São José (Lisboa) e Coordenador da Comissão Regional de Peritos em Recursos, Inovação e Sustentabilidade em Saúde.
Jornadas do Dia do Enfermeiro da ULS Algarve – Unidade Hospitalar de Portimão

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, assinalou em maio o Dia Internacional do Enfermeiro com a realização das Jornadas do Dia do Enfermeiro.
Estas jornadas, subordinadas ao tema "O Futuro do Cuidar", constituíram um importante momento de reflexão e partilha sobre os desafios e oportunidades que se colocam atualmente à profissão, nomeadamente no contexto de rápida evolução tecnológica e transformação dos cuidados de saúde.
Um dos pontos altos do programa foi a mesa-redonda dedicada ao tema "Inteligência Artificial: Riscos/Benefícios na Prática de Enfermagem", que contou com a participação do Dr. Miguel Barradas da Microsoft Portugal, da Professora Doutora Hortense Cotrim da Universidade Católica Portuguesa, e de João Oliveira, Enfermeiro Especialista na ULS de São José (Lisboa), Coordenador da Comissão Regional de Peritos em Recursos, Inovação e Sustentabilidade em Saúde.

Na sua intervenção relativa ao papel da Enfermagem na era digital, João Oliveira lançou a reflexão a todos os profissionais de enfermagem com uma interpelação direta: “O futuro do cuidar está a ser moldado agora. A pergunta que se impõe não é se a Inteligência Artificial vai transformar os cuidados de saúde. Essa transformação já começou. A verdadeira questão é: qual será o papel da Enfermagem nesse processo?”

A partir da sua experiência clínica e institucional, João Oliveira defendeu que a Enfermagem, enquanto profissão científica, ética e relacional, deve assumir um papel ativo na construção deste novo paradigma, sob pena de ver decisões cruciais serem tomadas por quem desconhece a realidade dos cuidados. “Num futuro previsível, a Inteligência Artificial não vai substituir os Enfermeiros. A adaptação é a chave. Os profissionais que se ajustarem às novas tecnologias terão uma vantagem real sobre os que resistirem à mudança”, salientou ainda João Oliveira na sua intervenção.

O enfermeiro destacou ainda três pilares fundamentais para uma integração ética e eficaz da Inteligência Artificial (IA) na prática de enfermagem: A Ética e Segurança, salientando que a tecnologia deve ser uma aliada, nunca uma substituta da relação terapêutica nem do julgamento clínico do enfermeiro; A capacitação e Literacia Digital - uma área em que considera essencial investir na formação contínua dos profissionais, dotando-os de competências para compreender e utilizar ferramentas de IA de forma crítica e segura. E por último, a participação ativa e representação profissional dos enfermeiros, que devem ter voz nos processos de desenvolvimento, implementação e avaliação tecnológica, garantindo que os sistemas respeitam os princípios do cuidar.

João Oliveira enumerou os benefícios potenciais da IA, destacando a redução da carga administrativa, libertando tempo para o contacto direto com o utente; a antecipação de riscos clínicos com base em algoritmos preditivos; o apoio à decisão clínica com base em evidência; a personalização dos cuidados, ajustando intervenções ao perfil de cada pessoa. Contudo, não deixou de alertar também para os riscos associados, como a possível desumanização do cuidado, a opacidade de alguns algoritmos, a violação da privacidade dos dados e as desigualdades no acesso à tecnologia.
Referindo-se aos recentes desenvolvimentos legislativos na União Europeia, como o AI Act, sublinhou que, apesar da importância das leis, “o futuro da Enfermagem não será definido por regulamentos. Será definido pelas escolhas que fizermos enquanto classe profissional.”
A sua intervenção terminou com um apelo à consciência coletiva e à ação: “O futuro do cuidar não será apenas digital. Será, acima de tudo, humano, ético e participativo - se assim o quisermos.”
Estas Jornadas do Dia do Enfermeiro, no Algarve revelaram-se um espaço de partilha de conhecimento e valorização da profissão, num momento em que os enfermeiros são chamados a estar na linha da frente da inovação, sem nunca perderem de vista a essência do cuidar: a relação humana, a dignidade da pessoa e a excelência clínica.





