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18-11-2025
Dora Franco participa no programa “Efeito Placebo” do Canal S+
A Presidente do Conselho Diretivo da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros, participou a 28 de outubro, no programa Efeito Placebo do Canal Saúde Mais, numa entrevista dedicada às principais temáticas que marcam a atualidade do setor da saúde em Portugal.
Dora Franco destacou a importância do Plano Sazonal de Saúde, que entrou em vigor a 1 de outubro. Esta estratégia do Ministério da Saúde visa preparar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o aumento de vírus respiratórios e o agravamento de doenças crónicas, através de três níveis de contingência e medidas específicas de reorganização e reforço assistencial.
A Presidente da SRSul sublinhou que “a eficácia deste plano depende, em grande medida, da capacidade de contratar, atrair e reter médicos e enfermeiros, sem comprometer a resposta regular dos serviços”. Frisou ainda que “sem um reforço real de recursos humanos e uma melhoria das condições de trabalho, o plano corre o risco de não produzir o impacto desejado”.
Entre os pontos abordados, Dora Franco alertou para a carência estrutural de profissionais de enfermagem e para a pressão crescente nas unidades de saúde, sobretudo na região sul, onde cerca de 300 camas se encontram encerradas por falta de enfermeiros. Sublinhou que o número de enfermeiros nos serviço é demasiadas vezes metade do recomendado, com consequências diretas na segurança dos cuidados e no aumento da taxa de mortalidade.
Destacou igualmente a necessidade de uma visão integrada da política de saúde, que valorize a autonomia dos Enfermeiros Especialistas, nomeadamente dos Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (EESMO), cuja atuação no acompanhamento da gravidez de baixo risco tem demonstrado resultados concretos na melhoria dos cuidados e na redução da pressão sobre o sistema. Exemplos como os projetos desenvolvidos nas ULS de Loures-Odivelas e Alto Alentejo mostram que é possível reorganizar fluxos e garantir maior equidade no acesso, desde que exista vontade política e reconhecimento formal das competências destes profissionais.
No âmbito do Outubro Rosa e do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, Dora Franco reforçou a importância de garantir que o sistema de saúde “não abandona quem sofre” e de assegurar o acesso equitativo a cuidados paliativos de qualidade, sublinhando que mais de 70% dos doentes em Portugal continuam sem acesso em tempo útil a este tipo de apoio.
A entrevista abordou ainda temas críticos como a violência contra profissionais de saúde, fenómeno que se mantém em crescimento, com 2.581 episódios registados em 2024, e que atinge de forma particular os enfermeiros. Dora Franco defendeu o reconhecimento da enfermagem como profissão de risco, bem como a necessidade de políticas robustas de prevenção da violência, promoção da saúde organizacional e liderança empática.
Terminou com referência à criação do recém criado grupo de trabalho sobre a gestão da doença crónica, “o sistema continua a dar uma resposta fragmentada e reativa. É urgente reorganizar cuidados e centrá-los nas reais necessidades das pessoas, que são maiores e mais complexas”, salientando o quão importante será a aplicação transversal deste modelo, na redução da pressão sobre os serviços hospitalares e no aumento da qualidade de vida. Deu como exemplo de sucesso o caso do Litoral Alentejano.
Assista à entrevista através do link: Entrevista





