-
07-07-2025
Dora Franco analisa desafios do SNS no Programa Check-Up
No mais recente episódio do programa Check-Up, moderado pela jornalista Vera Arreigoso, a presidente da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros, Dora Franco, participou num debate centrado nos desafios e oportunidades do atual momento de reestruturação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
No que diz respeito às oportunidades e riscos do modelo atual, Dora Franco destacou a possibilidade de corrigir disfunções históricas no sistema, como a existência de incentivos mal calibrados, a ausência de transparência na validação de dados e a debilidade das plataformas de gestão e codificação. No entanto, alertou para os riscos de se fomentar uma lógica de escolha de doentes “mais rentáveis”, o que poderá gerar desigualdades no acesso. Sublinhou que é essencial garantir mecanismos de regulação, monitorização e financiamento baseados no valor efetivamente criado, para evitar que a falta de rigor e de obrigações mútuas abra espaço a irregularidades.
Quanto à questão das cirurgias e do internamento, a presidente alertou para o facto de que o aumento do número de atos cirúrgicos não pode ser encarado de forma isolada. Sublinhou que a capacidade de resposta cirúrgica depende também do reforço da assistência no pós-operatório, dos cuidados de enfermagem e do funcionamento do ambulatório.

Lembrou que, atualmente, só na região sul, existem mais de duas centenas de camas encerradas por falta de enfermeiros. “Até podemos aumentar as cirurgias, mas necessariamente temos de dotar os serviços de internamento e consultas de recursos e meios, sob pena do sistema colapsar”, afirmou. Relativamente às urgências, Dora Franco referiu-se ao novo programa do Governo, que aposta na partilha de equipas de urgência entre hospitais de uma mesma rede.
Considerou que, embora possa fazer sentido articular recursos humanos e competências, é fundamental ter uma visão clara sobre os meios já existentes e garantir a sua utilização eficiente. Deu como exemplo o projeto da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, “Maternidade mais próxima”, que valoriza o papel das enfermeiras especialistas em saúde materna e obstétrica (ESMO) na gestão integrada das grávidas de baixo risco.
No tocante aos cuidados aos idosos e à sustentabilidade do sistema de saúde, reforçou a importância de apostar em modelos de prática avançada. Defendeu que muitos doentes crónicos podem e devem ser seguidos por enfermeiros nos cuidados de saúde primários, com estes a assumirem um papel central na gestão do processo terapêutico e no acompanhamento dos doentes ao longo do seu percurso de cuidados.
Assista ao debate na íntegra em Check up -T15 E008 - Vera Arreigoso





