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31-03-2014
Dia Nacional do Doente com AVC - 31 de março
Em Portugal a afluência de pessoas vítimas de AVC é cada vez mais uma constante no Sistema Nacional de Saúde. Por isto, têm sido desenvolvidas um conjunto de estratégias preventivas e campanhas publicitárias, apostando na prevenção e na minimização de danos pessoais e familiares, no que se refere à qualidade de vida.
O que fazer então quando a prevenção falha? Será necessário apostar cada vez mais na educação populacional acompanhada, não só para a rápida identificação e alerta dos sinais/sintomas, como também de mudanças de estilos de vida.
Tendo plena consciência dos esforços desenvolvidos na educação populacional, o Ministério da Saúde entendeu como prioritário o atendimento a este tipo de patologia, tendo criado a Via Verde AVC. Este protocolo pressupõe uma assistência atempada, específica e eficaz, conduzindo ao mais rápido tratamento, visto tratar-se de uma emergência que em algumas situações e dentro de alguns critérios, poderá ser reversível.
O AVC pode levar às mais variadas alterações, nomeadamente motoras, sensoriais, sensitivas de comunicação e da linguagem, dependendo das estruturas cerebrais lesadas. Esta é, sem dúvida uma doença incapacitante ao nível pessoal, capaz de atingir todo o segmento familiar.
O AVC continua a ocupar nos hospitais uma fasquia significativa de recursos, sendo uma preocupação dos profissionais e especificamente dos enfermeiros, melhorar as suas competências com vista a poderem prestar cuidados de qualidade, individualizados, potenciando a funcionalidade, a reabilitação e inserção social no mais breve tempo possível.
Durante o internamento é o momento, não só para a estabilização fisiológica da pessoa, mas também o início, o mais precoce possível, da reabilitação das atividades de vida diárias (AVD) que ficaram com limitação. É nesta fase que a família ou cuidador informal tem um papel preponderante para a prestação de cuidados e posterior inserção no meio social. Os cuidadores devem ser, desde o momento inicial incluídos no plano de cuidados do doente, e devidamente dotados de competências para que funcionem como uma “extensão” dos profissionais.
A instalação de qualquer lesão vascular cerebral tem início súbito, mas recuperação prolongada. Sabendo que os hospitais não têm condições para assegurar todo o processo de reabilitação, surgem vários tipos de apoios disponibilizados na comunidade, onde devem ser dadas condições para que as pessoas desenvolvam o seu processo de convalescença, reabilitação ou simplesmente assegurem as AVD.
A Rede nacional de cuidados continuados (RNCC) é uma estrutura de apoio em regime de internamento com várias tipologias que de acordo com o nível de dependência confere assistência, desde a reabilitação/convalescença até unidades de longa duração, onde se preveja a necessidade de cuidados ao nível das AVD, sem que a reabilitação seja o principal objetivo. A mesma rede permite apoios diretos na comunidade prestados por equipas multidisciplinares, que providenciam cuidados no domicílio, quando as famílias têm estrutura suficiente para receber o seu familiar com as limitações que ficaram subjacentes. Para os integrantes da rede em regime de domicílio, estão também disponíveis vários recursos materiais, tais como camas, cadeiras, colchões, auxiliares de marcha, entre outros.
Existe ainda a possibilidade de o cidadão ser transferido para instituições exclusivamente destinadas à reabilitação e funcionalidade, com staff inteiramente dedicado à potencialização dos indivíduos, sendo vários os centros destinados para o efeito dispersos pelo país.
O AVC é, cada vez mais, uma preocupação dos profissionais de saúde e decisores políticos dada a sua magnitude nacional e internacional. A principal aposta surge ao nível da prevenção, embora tenha sido criada toda uma rede de apoio, de forma a dar resposta à potencial morbilidade e mortalidade associadas.
Enfermeira Ana Filipa Valente 5-E-44138
PA/gm





