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10-09-2012
Dia Mundial da Prevenção do Suicídio
Evidenciando algumas efemérides de contexo social, de saúde e obviamente em particular de Enfermagem, solicitamos aos colegas que produzam «pequenos» textos (cerca de 400 palavras) para editarmos no nosso site, que desejamos seja cada vez mais utilizado por todos os colegas. (enviar por mail para
Considerando o atual contexto social, económico e politico, a enfermagem de saúde mental assume cada vez mais relevância como essencial á promoção da saúde e da qualidade de vida de indivíduos, famílias, grupos e comunidade.
Assistimos, também nesta área, á evolução das respostas integradas de saúde, com especial potencial para a intervenção autónoma do enfermeiro de cuidados gerais e do enfermeiro especialista.
Reconhecemos que o Sistema de Saúde, decorrente dos processos dinâmicos que caracterizam a sua evolução, deverá assumir como prioritário e estratégico o investimento na Saúde Mental.
Partilhamos com os colegas dois textos alusivos ao «dia mundial da prevenção do suicídio»
Recordamos também, que na área reservada existe um conjunto muito alargado de documentos de suporte á prática profissional, cuja utilização sugerimos vivamente.
Podemos verificar também uma outra realidade crescente em Portugal - o suicídio de idosos - que se prende claramente com circunstâncias relacionadas com o abandono social e com condições mais difíceis de sobrevivência.
Deve-se nesses momentos de crise intervir de forma consistente, orientada, profissional e competente.
Assim, é importante o estabelecimento de vínculos interpessoais com o individuo, através da relação profissional de ajuda e da promoção de vínculos familiares e sociais.
Como enfermeiros, tornamo-nos o elo fundamental durante o processo terapêutico. Devemos estabelecer junto do individuo uma relação de confiança, ouvindo-o sem juízos de valores, pois, desta forma permitiremos que ele próprio reconstrua os verdadeiros significados de seus conflitos e sofrimentos.
Os utentes com doença mental, a quem presto cuidados na consulta de enfermagem, apresentam problemas reais e potenciais que podem ser complexos e abrangentes, como no caso da ideação suicida. Neste sentido, a consulta de Psiquiatria e Saúde Mental é fundamental no acompanhamento e apoio interpessoal das pessoas com esta problemática e o local por excelência onde o enfermeiro, deve sistematicamente, conceber a realização de um diagnóstico com um foco que vai além dos aspetos biológicos.
Deve também estabelecer diagnósticos de enfermagem que orientam e monitorizam a realização de intervenções destinadas à obtenção de resultados, análise e interpretação de informações acerca do estado de saúde.
Como enfermeiro da Consulta de Psiquiatria e Saúde Mental sou confrontado diversas vezes com utentes com perturbações que os predispõem ao suicídio, estas incluem nomeadamente: as perturbações de humor, perturbações devido à utilização de substâncias, esquizofrenia, perturbações da personalidade e perturbações de ansiedade. Neste sentido, quando um utente que recorre à consulta de enfermagem e nos comunica o seu sofrimento, é indispensável que o enfermeiro determine a gravidade e os fatores de risco de suicídio planeando adequadamente as intervenções de enfermagem.De acordo com Towsend (2011), o suicídio não é um diagnóstico ou uma perturbação mas sim um comportamento.
De acordo com o mesmo autor á que ter em conta os fatores de risco como o estado civil, a idade, a religião o estatuto socioeconómico, etnia, bem como algumas perturbações psiquiátricas, história familiar de suicídio e pessoas que fizeram tentativas anteriores de suicídio.
Freud acreditava que o suicídio era uma resposta ao intenso ódio por si próprio que o indivíduo possuía. A raiva tinha sido originada em relação a um objeto amado, mas acabava por se dirigir interiormente para o próprio. Acreditava que o suicídio ocorria como resultado de um desejo anterior reprimido de matar outra pessoa. Interpretava o suicídio como um ato agressivo para com o próprio que era na verdade dirigido aos outros. Outro facto central subjacente na predisposição ao suicídio é a desesperança e o desespero de culpa, tornando o individuo impotente para mudar. A culpa e a autorrecriminação são outros aspetos do desespero.
Neste contexto, a aplicação do processo de enfermagem, no âmbito da consulta de Enfermagem, deve considerar aspetos como a demografia, os sintomas/diagnóstico médico psiquiátrico, ideias ou atos suicidas, sistema de suporte interpessoal, análise de crises suicidas, história psiquiátrica/familiar e estratégias de coping. Este processo permite que em parceria com a pessoa se reencontre o sentido humano na intervenção de enfermagem, ou seja, aquele que cuida compreende o mundo subjetivo do que é cuidado, valorizando a particularidade e respeitando a liberdade de ser de cada um.
De referir, no entanto, que este é um processo contínuo, levado a cabo pela reapreciação continua do utente, bem como, um possível encaminhamento para outros técnicos. Contudo, por motivos intrínsecos ao utente suicida, nem sempre é possível ao enfermeiro intervir atempadamente e como desejaria nestas situações."
Enf. Ricardo Alexandre Oliveira Ferreira
CD/AT-ar





