Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

  • 10-09-2012

O Conselho Diretivo da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros inicia hoje uma «nova» atividade de promoção da visibilidade dos Enfermeiros.

Evidenciando algumas efemérides de contexo social, de saúde e obviamente em particular de Enfermagem, solicitamos aos colegas que produzam «pequenos» textos (cerca de 400 palavras) para editarmos no nosso site, que desejamos seja cada vez mais utilizado por todos os colegas. (enviar por mail para [email protected])

Considerando o atual contexto social, económico e politico, a enfermagem de saúde mental assume cada vez mais relevância como essencial á promoção da saúde e da qualidade de vida de indivíduos, famílias, grupos e comunidade.

Assistimos, também nesta área, á evolução das respostas integradas de saúde, com especial potencial para a intervenção autónoma do enfermeiro de cuidados gerais e do enfermeiro especialista.

Reconhecemos que o Sistema de Saúde, decorrente dos processos dinâmicos que caracterizam a sua evolução, deverá assumir como prioritário e estratégico o investimento na Saúde Mental.

Partilhamos com os colegas dois textos alusivos ao «dia mundial da prevenção do suicídio»

Recordamos também, que na área reservada existe um conjunto muito alargado de documentos de suporte á prática profissional, cuja utilização sugerimos vivamente.

Enf. Alexandre Tomás (CDR-Sul)

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" Suicídio é tema complexo e digno de reflexões por parte de profissionais de várias áreas de atuação. As causas ainda são motivo de curiosidade e de investigação. Atualmente com a crise económica e financeira, com o aumento do desemprego, aumento de situações de maior dificuldade social, individual e familiar, poder-se-á verificar um aumento significativo das ideações e de tentativas de suicídio.
Podemos verificar também uma outra realidade crescente em Portugal - o suicídio de idosos - que se prende claramente com circunstâncias relacionadas com o abandono social e com condições mais difíceis de sobrevivência.
A tentativa de suicídio é uma das causas mais frequentes de atendimento em urgências psiquiátricas. O serviço de urgência desempenha papel importante na intervenção e prevenção do suicídio, uma vez que o individuo que tentou encontra-se mais vulnerável a novas tentativas.
O tempo de permanência destes indivíduos no serviço de urgência de psiquiatria varia desde uma consulta de psiquiatria, permanecer em S.O durante algumas horas ou ser encaminhado para internamento em serviço de agudos do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa.
Na realidade, a maioria dos casos “tem alta”. Por tais motivos, torna-se fundamental a consolidação de programas de atuação. Por exemplo, num caso de tentativa de suicídio, quais os profissionais que podem de imediato fazer um atendimento de “suporte”?
Deve-se nesses momentos de crise intervir de forma consistente, orientada, profissional e competente.
Nesse sentido foi criado um grupo de trabalho no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa o CAIS (Circulo de Apoio e Estudos Suicidiologia), promovendo articulação entre o serviço de urgência e este grupo de profissionais, constituída por 3 psiquiatras e 2 enfermeiros.
Assim, é importante o estabelecimento de vínculos interpessoais com o individuo, através da relação profissional de ajuda e da promoção de vínculos familiares e sociais.
Como enfermeiros, tornamo-nos o elo fundamental durante o processo terapêutico. Devemos estabelecer junto do individuo uma relação de confiança, ouvindo-o sem juízos de valores, pois, desta forma permitiremos que ele próprio reconstrua os verdadeiros significados de seus conflitos e sofrimentos.
A nossa intervenção deve permitir que o individuo compreenda a sua experiência e desta forma dar-lhe oportunidade de observar e reconhecer os acontecimentos.
A relação enfermeiro/individuo estabelecesse não só através da linguagem, mas também por um conjunto de atitudes afetivas e de técnicas específicas. Devemos ter a consciência de que o individuo em ‘risco de suicídio’ encontra-se numa fase de vida delicada, altamente vulnerável, exigindo intervenções dignas e de cuidados personalizados e humanizados"

Enf. Paulo Fernando Lima Rocha

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Intervenção de enfermagem com um utente em risco de suicídio na Consulta de Psiquiatria e Saúde Mental…


"No contexto profissional aprendi com as pessoas que vivem uma situação de doença/sofrimento que o que está em causa nesse momento não é apenas um processo fisiopatológico, mas é sobretudo uma experiência humana… Desta forma, entendo que o processo de cuidar é uma atividade que vai muito para além da resposta às necessidades básicas do ser humano e depende não só de quem a vive mas também de com quem a vive, entendo por isso, que para diferentes pessoas existem diferentes cuidados.
Os utentes com doença mental, a quem presto cuidados na consulta de enfermagem, apresentam problemas reais e potenciais que podem ser complexos e abrangentes, como no caso da ideação suicida. Neste sentido, a consulta de Psiquiatria e Saúde Mental é fundamental no acompanhamento e apoio interpessoal das pessoas com esta problemática e o local por excelência onde o enfermeiro, deve sistematicamente, conceber a realização de um diagnóstico com um foco que vai além dos aspetos biológicos.
Deve também estabelecer diagnósticos de enfermagem que orientam e monitorizam a realização de intervenções destinadas à obtenção de resultados, análise e interpretação de informações acerca do estado de saúde.
Como enfermeiro da Consulta de Psiquiatria e Saúde Mental sou confrontado diversas vezes com utentes com perturbações que os predispõem ao suicídio, estas incluem nomeadamente: as perturbações de humor, perturbações devido à utilização de substâncias, esquizofrenia, perturbações da personalidade e perturbações de ansiedade. Neste sentido, quando um utente que recorre à consulta de enfermagem e nos comunica o seu sofrimento, é indispensável que o enfermeiro determine a gravidade e os fatores de risco de suicídio planeando adequadamente as intervenções de enfermagem.De acordo com Towsend (2011), o suicídio não é um diagnóstico ou uma perturbação mas sim um comportamento.
De acordo com o mesmo autor á que ter em conta os fatores de risco como o estado civil, a idade, a religião o estatuto socioeconómico, etnia, bem como algumas perturbações psiquiátricas, história familiar de suicídio e pessoas que fizeram tentativas anteriores de suicídio.
Freud acreditava que o suicídio era uma resposta ao intenso ódio por si próprio que o indivíduo possuía. A raiva tinha sido originada em relação a um objeto amado, mas acabava por se dirigir interiormente para o próprio. Acreditava que o suicídio ocorria como resultado de um desejo anterior reprimido de matar outra pessoa. Interpretava o suicídio como um ato agressivo para com o próprio que era na verdade dirigido aos outros. Outro facto central subjacente na predisposição ao suicídio é a desesperança e o desespero de culpa, tornando o individuo impotente para mudar. A culpa e a autorrecriminação são outros aspetos do desespero.
Neste contexto, a aplicação do processo de enfermagem, no âmbito da consulta de Enfermagem, deve considerar aspetos como a demografia, os sintomas/diagnóstico médico psiquiátrico, ideias ou atos suicidas, sistema de suporte interpessoal, análise de crises suicidas, história psiquiátrica/familiar e estratégias de coping. Este processo permite que em parceria com a pessoa se reencontre o sentido humano na intervenção de enfermagem, ou seja, aquele que cuida compreende o mundo subjetivo do que é cuidado, valorizando a particularidade e respeitando a liberdade de ser de cada um.
De referir, no entanto, que este é um processo contínuo, levado a cabo pela reapreciação continua do utente, bem como, um possível encaminhamento para outros técnicos. Contudo, por motivos intrínsecos ao utente suicida, nem sempre é possível ao enfermeiro intervir atempadamente e como desejaria nestas situações."

Enf. Ricardo Alexandre Oliveira Ferreira

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CD/AT-ar