Dia Mundial da Higiene das Mãos - 5 de maio - "Está nas nossas mãos!"

  • 05-05-2014

A OMS através do desafio: “SAVE LIVES: Clean Your Hands” assinala o dia 5 de Maio como o dia mundial da higiene das mãos promovendo iniciativas alusivas a este importante tema de controlo de infeção. A mensagem deste ano pretende alertar todos os países do mundo para a emergência e a propagação da resistência aos antimicrobianos, um problema terrivelmente actual que pode comprometer as gerações futuras, reforçando a importância da higiene das mãos no combate a esse flagelo mundial.

A frase escolhida para 2014, ”no action today, no cure tomorrow” (sem ação hoje, não haverá cura amanhã), expressa bem esta preocupação. De facto a muito curto prazo poderemos não ter antibióticos eficazes, para tratar os nossos doentes. Temos de agir, não podemos ficar de braços cruzados.

A necessária mudança na política de antimicrobianos que muitas vezes são prescritos de um modo defensivo e por tempo demasiado prolongado, apesar de indispensável, será provavelmente mais difícil de implementar e ultrapassa as competências dos enfermeiros.

Mas a responsabilidade e o dever ético de evitar a transmissão de microrganismos cada vez mais resistentes, é de todos nós! Está nas nossas mãos!! As mãos com que cuidamos o outro, mas que também usamos para transportar os tais microorganismos que tanto nos preocupam. E fazêmo-lo, na maioria das vezes sem termos consciência disso mas outras vezes porque nos esquecemos ou porque estamos pressionados pelo  tempo. O tempo que sem darmos conta é retirado àqueles que cuidamos e que não têm armas para se defender.

Hoje, muito se ouve falar acerca de  campanhas sobre higiene das mãos em que os doentes são encorajados a participar ativamente chamando a atenção dos profissionais se estes não as lavam! Não posso deixar de pensar que algo está errado, que somos nós os responsáveis por proteger aqueles que cuidamos, não são eles que têm  de nos lembrar dos nossos deveres...pelo menos não deveriam ter. Quando estamos doentes queremos que ser cuidados, não queremos conflitos. Mesmo que tenhamos noção das implicações de certos procedimentos (ou da falta deles), na maioria das vezes será muito penoso chamarmos a atenção daqueles que estão ali como profissionais e peritos para nos proteger.

Outras vezes nem sabemos bem o que se está a passar, apenas confiamos a nossa vida aqueles que nos cuidam. Nós, profissionais temos de ser merecedores dessa confiança!

Estamos a esforçar-nos por isso, estamos a tentar mudar e a ser agentes de mudança, a fazer com que o gesto de lavar ou desinfetar as mãos seja um gesto de tal modo interiorizado que se torne inato em todos os cuidados que prestamos.

É um caminho que estamos a percorrer, um caminho com muitos obstáculos, sinuoso por vezes, mas gratificante quando sentimos que estamos a cumprir o nosso dever de enfermeiros, na promoção da qualidade dos cuidados que prestamos aos nossos doentes.

Maria Teresa Nunes Lourenço Amores de Sousa

Membro da OE nº: 01553

CDR/AS-ar