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07-04-2020
Enfermeiros: são necessários mais seis milhões no mundo
Assinala-se esta terça-feira o Dia Mundial da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) quis colocar os Enfermeiros no centro desta efeméride lançando um novo relatório global a propósito do Ano Internacional do Enfermeiro.
Pretendeu a OMS, desta forma, homenagear e reconhecer o trabalho destes profissionais da saúde que “lutam na linha da frente na batalha contra Covid-19", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, sublinhando: "Este relatório evidencia o papel único que desempenham, e é uma chamada de atenção para garantir que recebem o apoio necessário para manter o mundo saudável."
Segundo aquele documento, “os Enfermeiros representam mais de metade de todos os profissionais da saúde no mundo, prestando serviços vitais em todos os sistemas de saúde. Historicamente, assim como hoje, os Enfermeiros estão na vanguarda do combate a epidemias e pandemias que ameaçam a vida e, por todo o lado, estão a demonstrar a sua compaixão, bravura e coragem na resposta à pandemia COVID-19: nunca antes o seu valor foi tão claramente demonstrado”.
O Enfermeiro Marco Job Batista, presidente do Conselho de Enfermagem Regional da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros, aponta cinco prioridades no investimento no âmbito do sistema de saúde:
1.Investir no ensino de Enfermagem;
- Aumentar o número de Enfermeiros Especialistas nos contextos clínicos;
- Promover as competências de gestão e liderança dos Enfermeiros;
- Fazer dos Enfermeiros o coração dos cuidados de saúde primários;
- Reforçar o papel dos Enfermeiros na promoção da saúde e prevenção da doença.
Sérgio Branco, presidente da SRSul, apela para que os governos acelerem o investimento na literacia em saúde tendo em vista a capacitação das pessoas, famílias e comunidades para lidarem com processos de saúde e de doença. Para isso, explica, é preciso criar mais vagas para Enfermeiros no SNS e um maior foco na preparação de bons gestores e bons líderes. “É necessário que os Enfermeiros assumam a liderança dos projectos de intervenção em saúde”, alertou, sublinhando: “Sem Enfermeiros, os países não têm como vencer a batalha contra os surtos, nem alcançar uma cobertura universal de saúde”.
O relatório da OMS, em parceria com o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN), diz que hoje existem pouco menos de 28 milhões de Enfermeiros em todo o mundo. Entre 2013 e 2018, o número aumentou 4,7 milhões. Mas, ainda sobra um défice global de 5,9 milhões - com as maiores lacunas em países de África, sudeste asiático e região do Mediterrâneo Oriental da OMS, bem como em algumas partes da América Latina.
Portugal:
Em 2018, estavam registados na Ordem dos Enfermeiros 73 650 profissionais, mais 16,9 mil que em 2008 (eram 56 709 em 2008), tendo o rácio de Enfermeiros por mil habitantes atingido 7,2 (5,8 em 2008). Este rácio , contudo, corresponde ao número de registados. Recorde-se que cerca de 20 mil trabalham no estrangeiro e que cerca de 20% dos restantes ou trabalham no sector privado ou se encontram em áreas que não no exercício clínico, nomeadamente no ensino, assessoria e investigação. Ou seja, a relação no SNS permanece próximo dos 6 Enfermeiros por 1000 habitantes, enquanto na OCDE a média é de cerca de 9 Enfermeiros por cada 1000 habitantes.
Os portugueses
Neste Dia Mundial da Saúde é de registar que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal continua a ser um dos países da União Europeia em que a avaliação que os cidadãos fazem do seu estado de saúde remete para valores mais baixos.
"Apesar da melhoria recente na apreciação que a população residente faz do seu estado de saúde (mais 4,1 pontos percentuais de 2014 para 2019), Portugal continua a ser um dos países da UE-28 em que esta avaliação é mais baixa: 49,3% em 2018, quase 20 pontos percentuais menos do que a média obtida para a UE-28 (69,2%)", lê-se na informação disponibilizada pelo INE neste Dia Mundial da Saúde.
Metade (50,1%) da população a partir dos 16 anos avaliou como “Bom” ou “Muito Bom” o seu estado de saúde em 2019, valor superior ao obtido no ano anterior (49,3%).
Por outro lado, 34,8% referiu o seu estado de saúde como “Razoável” e 15,1% como “Mau” ou “Muito Mau”.
Em geral, foram os homens que mais avaliaram positivamente o seu estado de saúde (55,5% em 2019, em comparação com 45,4% no caso das mulheres).
A proporção de pessoas com 65 anos ou mais que avaliou positivamente a sua saúde (14,8%) é "bastante inferior" à registada no caso das pessoas dos 16 aos 64 anos (62,2%).
De acordo com o INE, a percentagem de pessoas com uma percepção “Boa” ou “Muito Boa” do seu estado de saúde foi maior na Região Autónoma dos Açores (57,7% em 2019) e mais baixa na região Centro (43,3%) e na Região Autónoma da Madeira (45,8%).





