A evolução na doação de órgãos e transplantação

  • 20-07-2024

"A capacidade de colher vida após a morte" é algo exclusivo de um transplante, uma realidade realçada pelo Enfermeiro Fernando Rodrigues, Diretor do Gabinete Coordenador de Colheita e Transplantação da Unidade Local de Saúde de São José. O número de quem precisa aumenta, mas também sobe o número de doações e Portugal é o terceiro país a nível mundial no que a doadores falecidos diz respeito.


O trabalho para melhorar cada vez mais o processo de doação e transplantação continua e o que tem sido feito no Serviço Nacional de Saúde já marcou a diferença. Depois de dois anos críticos (2020 e 2021) devido à pandemia, em 2023 atingiram-se máximos históricos em grande parte dos transplantes de órgãos e também em termos de doação.


Neste Dia Nacional da Doação de Órgãos e da Transplantação, o Enfermeiro Fernando Rodrigues refere-se a 2023 como "um ano de retoma" e destaca que o objetivo "é continuar o processo de educação e de sensibilização dos profissionais de saúde para a referenciação de todos os potenciais dadores".


Os enfermeiros têm um papel central no processo, desde o momento da morte de um possível dador, à transplantação de um ou mais órgãos – fazem inclusivamente parte das equipas de recolha –, sem esquecer o lidar com familiares, os que enfrentam a perda de alguém e os que vivem a ânsia e nervosismo de quem recebeu um órgão.


Evolução do processo


A ligação de Fernando Rodrigues ao gabinete de coordenação da atual ULS de São José começou em 2000, então integrando a equipa de colheita. Em 2016, assumiu a função de diretor.


A evolução durante este tempo no processo de doação e transplantação é notória. "Melhorou muito a articulação com os coordenadores hospitalares de doação e o avaliar o mais adequadamente possível de cada órgão per si. Essa evolução aconteceu nomeadamente desde 2007, com a criação da figura do coordenador hospitalar de doação", explica.


"Outro fator que permitiu a evolução da comunicação e da articulação, foi o Registo Português de Transplantação, que entrou em funcionamento em 2016. Permitiu a articulação entre o hospital dador, gabinete e unidades transplantação. Evita os erros de transmissão de comunicação e torna o processo mais célere", acrescenta.

 

Tecnologia e as listas de espera


O sistema de consentimento presumido em vigor em Portugal é benéfico para que a doação e transplantação salvem muitas vidas. Apesar do sistema traduzir-se em números positivos, as listas de espera demonstram que ainda há muito a evoluir. A tecnologia tem um papel essencial.


Os xenotransplantes têm sido notícia, mas este responsável destaca como na área dos tecidos, a biotecnologia pode "ter um efeito positivo na criação de tecidos e de matrizes de tecidos que possam ser utilizados num ser humano". Contudo, "os órgãos porque implicam uma estrutura vascular que os irrigue, é um pouco mais desafiador, mas não impossível".


E a muito falada tecnologia 3D?


"Poderá funcionar melhor no sentido em que pode recolher a células do próprio, utilizando o mesmo código genético, o que minimiza a resposta imunológica desencadeada quando temos um órgão com um código genético diferente. É uma esperança no futuro."