A criança com doença oncológica - Visibilidade do trabalho de Enfermagem

  • 15-02-2013

O cancro na infância, ainda que comparativamente menos comum que no adulto, afeta atualmente um grande número de crianças e adolescentes a nível mundial. Com o objetivo de tratar estas crianças, foi criado há mais de 50 anos o nosso serviço de pediatria, atualmente pertencente ao departamento de oncologia da criança e do adolescente do IPOFG,E.P.E.. Este é constituído por dois setores internamento e Hospital de Dia.

A sua área de abrangência é vasta, Sul do Pais, Lisboa e Vale do Tejo, Ilhas (Madeira e Açores) e PALOP’s (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).

Para o seu funcionamento contamos com uma vasta equipa multidisciplinar a qual é constituída por 33 enfermeiros, 10 médicos, 15 assistentes operacionais, 1 assistente social, 1 nutricionista, 1 psicóloga, 3 educadoras e 3 professoras destacadas pelo Ministério da Educação.

A faixa etária das crianças admitidas varia entre os 0-15 anos de idade, podendo no decorrer do tratamento ultrapassá-la.

As Patologias mais frequentes são as Leucemias Linfoblasticas Agudas, seguindo-se os tumores do Sistema Nervoso Central, Neuroblastomas e Linfomas não Hodgkin.

O Serviço tem as valências de medicina e cirurgia, esta última com menos ênfase dado que não temos na instituição unidade de cuidados intensivos pediátricos, condicionando a realização de cirurgias mais invasivas, estas são realizadas no Hospital D. Estefânia.

Prestam-se cuidados de enfermagem individualizados à criança com doença oncológica em internamento e ambulatório, durante as várias fases do tratamento promovendo o acompanhamento a nível psico-social ao longo de todo o percurso da doença.

No sentido de reconhecer as vantagens administrativas e económicas mas sobretudo os benefícios psicológicos para as crianças assistidas e suas famílias, promovemos os cuidados à criança em articulação com os Centros de Saúde e Hospitais Distritais da área de residência, tentando que a criança tenha menos deslocações à nossa Instituição.

Não só com este objetivo, mas também com o de melhorar esta articulação, promovemos a figura do Enfermeiro de Referência, à luz do que já acontecera noutros hospitais e conforme diretivas sugeridas pela Ordem dos Enfermeiros.

A criação deste modelo de cuidados trouxe também outras vantagens, de entre as quais se destacam: a prestação de cuidados personalizados, a articulação da equipa multidisciplinar, promoção dos cuidados após a alta, ensinar e fomentar o auto cuidado, com consequente melhoria da qualidade de vida da criança e família.

Como dificuldades apontam-se a escassez de recursos humanos disponíveis para a realização deste trabalho em pleno, a rotatividade de horário de trabalho de alguns elementos e ausências do Serviço por vezes inerentes ao horário praticado.

Na sequência de um projeto de melhoria dos cuidados à criança em situação de paliação, foram elaborados Manuais de Apoio a Profissionais e a Pais, que se mantém em utilização no Serviço.

Realizamos também reuniões semanais em equipa multidisciplinar para a discussão dos casos, com planeamento de estratégias de intervenção e avaliação da execução das mesmas, assim como o acompanhamento no luto.

No sentido de dar maior visibilidade à articulação estabelecida é feito um levantamento estatístico do número de crianças a quem lhes foram prestados cuidados em Centros locais, mencionando os dados referentes ao ano 2012. Das 190 crianças regularmente seguidas em H.Dia concluiu-se que 46 (23%) crianças receberam cuidados nos locais da área de residência, maioritariamente em hospitais. Esta prestação de cuidados incidiu essencialmente sobre manutenção de cateter venoso central (40%), tratamento com quimioterapia (21%), antibioterapia (7%), controlo analítico (25%), transfusões (4%),outros tratamentos (3%), como por exemplo administração de fatores de crescimento. Tivemos ainda 9 crianças internadas nos hospitais locais por neutropenia febril ou a fazer antibioterapia por intercorrência infeciosa.

Reportando-nos agora às 34 crianças falecidas neste período, 24 foram consideradas em cuidados paliativos, sendo que as outras 10 faleceram de complicações inerentes ao tratamento ainda com fim curativo. Das crianças consideradas em paliação, para 18 destas foi estabelecida articulação com os centros locais, sendo que 14 puderam beneficiar da articulação com o Centro de Saúde da área de residência e 9 com o Hospital local, habitualmente o Hospital distrital. Referimos ainda que 5 destas crianças tiveram o apoio em simultâneo do Centro de Saúde e do Hospital.

Em conclusão, pensamos que o Projeto de Enfermagem de Referência é um projeto a continuar e a melhorar, sendo para isso fundamental o trabalho em equipa e a aposta na qualidade dos cuidados à criança e família com doença oncológica.

 

Enfermeira Elsa Pedroso 5-E-18095

Enfermeira Maria Godinho Cardoso 5-E-40080

 

CDR - Sul, 15 de fevereiro de 2013

PA/gm