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03-12-2015
3 de dezembro – Dia Internacional das Pessoas com Deficiência - O testemunho de quem presta cuidados de enfermagem
Hoje é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e queremos contar a história de uma jovem de 36 anos portadora de paralisia cerebral desde a nascença. Falamos de uma jovem com marcada deformação com atrofias físicas e atraso mental muito acentuado. Apresenta catarata do olho esquerdo e história de anemia crónica e infeções respiratórias recorrentes. Esta jovem está na nossa ECCI desde Agosto de 2009 e como é alimentada por sonda nasogástrica, faz oxigenoterapia e aspiração de secreções em SOS, podemos dizer que está totalmente dependente das atividades de vida diárias, da sua principal cuidadora, a mãe.
Apesar dos seus 36 anos, esta jovem apresenta fisicamente um corpo de menina de 8 anos, apesar de ter entrado recentemente no seu período pubertário, com o início de desenvolvimento como mulher e sinais físicos externos disso mesmo.
Na nossa primeira visita domiciliária, a mãe da jovem contou-nos que deram 5 a 6 anos de vida à filha quando nasceu mas a verdade é que “chegou a mulher”. Esta jovem chegou à idade adulta graças sobretudo ao cuidado prestado pela sua cuidadora – a mãe!
Enquanto enfermeiros trabalhamos no sentido de capacitar a mãe enquanto principal cuidadora desta jovem de 36 anos de idade, nomeadamente na prevenção de descompensações sintomáticas, manutenção da integridade cutânea, prevenindo o aparecimento de lesões cutâneas, a manutenção de dispositivos, a cinesiterapia respiratória/aspirações de secreções.
Há também outra questão muito importante em todo este processo - o apoio emocional à cuidadora, pois também faz parte do plano de intervenções. Tratar da filha causa desgaste que é provocado pela cronicidade da situação, associando a falta de apoio financeiro e social e familiar verbalizado pela cuidadora.
No caso desta família a prestação de cuidados ao domicílio por parte da equipa de enfermagem já produziu resultados que merecem ser partilhados - a última infeção respiratória com internamento hospitalar foi em Maio de 2012, pelo que potenciar o cuidado em casa, evita deslocações desnecessárias e dolorosas, física e psicologicamente, aos cuidados de saúde diferenciados.
Mas a prestação de cuidados ao domicílio tem também um lado humano importante - o sorriso de cada paciente. Esta jovem sorri e emite sons em sinal de cumprimento, aquando das visitas domiciliárias. Este é o principal reconhecimento que no final de cada dia de trabalho interessa a equipa de enfermagem.
Enfermeira Rute Comba
Cédula Profissional 36386
CDR/AA-mm





