23 de Maio – Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade

  • 23-05-2014

A prevalência da obesidade é um problema grave de saúde pública em Portugal segundo estudo Prevalência da Obesidade em Portugal (1) que decorreu de 2003 a 2005 numa população com idades entre os 18 e os 64 anos. Dos sujeitos em estudo 38,6% apresentavam-se com excesso de peso e 13,8% eram obesos. Constatou-se que 52,4% da população Portuguesa apresentava peso superior ao normal.

O Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade que decorre (hoje) 23 de Maio, deve servir para refletirmos sobre as intervenções a efetuar no âmbito da promoção da saúde, para minimizar as consequências deste flagelo. Esta é uma doença que pode ser crónica e que afeta todas as faixas etárias, sendo responsável por elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, diminuindo a qualidade de vida e aumentado o risco de doenças cardiovasculares a ela associadas.

Sendo na maioria dos casos uma doença associada a estilos de vida pouco saudáveis, poderá atuar-se na prevenção e tratamento pela via da educação para a saúde. É aqui que os enfermeiros têm um papel preponderante, detetando precocemente os casos obesidade e doenças do comportamento alimentar. O trabalho em equipa e a existência de uma dinâmica transdisciplinar é fundamental para obter o sucesso pretendido, onde os vários profissionais intervenientes deverão comunicar entre si para otimizar as várias intervenções a efetuar no combate a esta epidemia.

Apesar de ser transversal a todas as idades, na infância este problema potencia o aparecimento de doenças crónicas cada vez mais cedo, bem como a diminuição da autoestima e o isolamento perante os seus pares.

Segundo o Estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) - Portugal de 2008/2009 (2), os resultados mostraram uma distribuição por género e idade semelhante (47,9% raparigas e 7,5 anos de idade média). Os rapazes, em média eram mais altos e mais pesados que as raparigas, sendo a média da estatura de 122,4 cm nas raparigas e de 124,3 nos rapazes. No que diz respeito ao peso médio, o valor foi de 26,6 kg nas raparigas e de 27,3 kg nos rapazes. A prevalência de pré-obesidade foi de 18,1% e de obesidade de 13,9%, somando uma prevalência de 32% de excesso de peso.

O excesso de peso foi maior nos rapazes (32,9%) do que nas raparigas (31,0%).

Ainda segundo este critério de avaliação, a região que mostrou maior prevalência de pré obesidade e obesidade foi a dos Açores (21,7% e 20,7%, respetivamente) e a que mostrou menor prevalência de pré-obesidade e obesidade, foi a do Algarve (10,7% e 6,8%, respetivamente).

Nesta faixa etária, a escola tem um papel fundamental na prevenção e combate à obesidade. De realçar a importância das equipas de saúde escolar, constituída sobretudo por enfermeiros de cuidados de saúde primários, que em conjunto com os professores, nutricionistas, psicólogos e médicos de família, vêm intervindo em parceria junto das famílias/escola, no sentido de atuar na promoção de uma alimentação saudável e da prática do exercício físico.

Esta intervenção só terá sucesso se existir um envolvimento global de todos os intervenientes, pois como é sabido, os jovens adotam os hábitos alimentares e as crenças de quem lhes é mais próximo, surgindo a necessidade desta intervenção conjunta.

Atualmente, os jovens adotam cada vez mais, estilos de vida sedentários. Tal, deve-se a vários fatores tais como; a insegurança nos meios urbanos, o receio acentuado por parte dos encarregados de educação, as novas formas de comunicação, as brincadeiras virtuais, entre outros.

Já no que concerne à alimentação, a enorme e fácil oferta de alimentos pouco saudáveis no mercado e frequentemente disponíveis nos bares das escolas e máquinas de venda livre, deverá ser uma preocupação a ter em conta, sensibilizando a comunidade escolar para preterir estas ofertas pouco saudáveis, em detrimento de alimentos saudáveis.

A destruturação familiar em períodos de crise social, também potencia o isolamento social e o menor poder de compra por parte das famílias. Tal, no entanto, não poderá ser considerado como fator condicionante de uma alimentação saudável, pois é possível educar as famílias para o consumo de uma alimentação saudável e de baixo custo.

É premente que as atividades e o tempo em família sejam utilizados em prol de estilos de vida saudáveis. Saber dizer não, mesmo que isso leve a uma birra ou a uma discussão, é saber que estamos a fazer o melhor pelas nossas crianças. O saber dizer não treina-se, o saber dizer sim constrói-se.

Como enfermeiros sabemos do que somos capazes e a nossa capacidade de intervir deverá ser potenciada, criando parcerias cada vez mais fortes e duradouras com as famílias e comunidade envolvente.

 

Autor: Enfermeiro Pedro Guerreiro.  (5-E-08550) ACES Almada/Seixal

 

CDR-Sul, 23 de maio de 2014

AT/gm