15 Fevereiro 2018 - Dia Europeu do Enfermeiro Perioperatório

  • 15-02-2018

Celebra-se hoje, em toda a Europa, o dia 15 de Fevereiro, o Dia Europeu do Enfermeiro Perioperatório. Este ano, à semelhança do ano anterior, também a Seção Regional do Sul pretende homenagear e dar visibilidade a todos os Enfermeiros que exercem funções em ambiente Perioperatório.

 

São os ENFERMEIROS QUE POUCOS CONHECEM. São os que usam fatos de Bloco Operatório pouco personalizados, largos e grandes. Escondem-se por detrás de máscaras, barretes, toucas e batas. Reconhecidos na maior parte das vezes apenas pelos olhos, pelo OLHAR que caracteriza cada um.

 

As 8 ou 12 horas/dia de cumprimento de funções são passadas num ambiente frio, numa sala sem luz natural, fechada para o exterior. Não há dia, não há noite, porque tudo decorre sem ver a claridade do sol ou da lua.

 

O Ruído é pouco, é solene, mas o ambiente é stressante. A responsabilidade é pesada e é sentida muitas e muitas vezes no acumular de situações de urgência/emergência que recebem todos os dias, a qualquer hora.

 

O som do telefone ou BIP estabiliza a equipa, num olhar entre cada um. Esse som remete-nos para mais uma cirurgia. Um recém-nascido? Um Prematuro? Uma grávida? Uma Cesariana emergente? Uma criança? Um Politraumatizado?

 

Uma incerteza diária, mas subjacente e a qual não podemos evitar.

 

Não acolhemos situações “simples”. Elas não existem! Cada prestação de cuidados é individualizada, complexa e direccionada para a Pessoa que fica deitada e exposta a uma “agressão cirúrgica e anestésica previamente autorizada”. A sua anestesia pode ter complicações, a técnica cirúrgica pode ter complicações, o pós-operatório pode ter complicações e, são estes ENFERMEIROS QUE POUCOS CONHECEM, que tudo fazem para que a fragilidade da situação possa decorrer sem consequências e com a maior naturalidade possível, durante horas seguidas, sem interrupções ou pausas.

 

A segurança e confiança que muitas vezes tentam transmitir, a quem entra no bloco operatório, à família que fica ansiosa a aguardar no exterior ou aos pais, a quem é pedido que confiem em nós, que deixem o seu filho assustado, com medo ou dor nos nossos “colos”, muitas vezes, é pouco sentida, mas tem de ser expressa…

 

Situações emergentes e de grande stresse para estes Enfermeiros acontecem. Interrompem o almoço, o jantar, a refeição fica em cima da mesa… Saem a correr em situações emergentes, as suas necessidades ficam para depois….

 

…. Uma criança de 5 anos em estado crítico, politraumatizada, em choque hipovolémico, vítima de acidente de viação… Ou uma grávida com descolamento de placenta, que entra de forma emergente… às 3, 4 ou 5 horas da manhã quando a noite parecia trazer-nos alguma tranquilidade.

 

A imprevisibilidade surge! Recebemos “rostos” em choque, em pânico, e pouco tempo temos para tranquilizá-los: “vamos estar consigo, o tempo todo… vamos fazer o melhor que conseguirmos”. É das poucas frases que conseguimos ainda transmitir nos segundos que temos até induzirmos o seu sono e a adaptarmos de forma dependente a um ventilador.

Algumas situações são graves e angustiantes para todos. É necessária uma incrível e exigente coordenação, em silêncio, visível apenas a quem trabalha no BO.

 

Os materiais, os instrumentos cirúrgicos, os equipamentos, os enfermeiros, os cirurgiões… ”tudo” tem de estar disponível e operacional em apenas segundos.

 

A comunicação é feita através do OLHAR numa simbiose intuitiva entre equipa. Reconhecemos rostos de preocupação, rostos de angústia, rostos de desalento, rostos de alegria e, infelizmente, por vezes, rostos de tristeza e frustração, mesmo por detrás de máscaras e barretes.

 

As lágrimas são difíceis de controlar e por vezes caem. E caem durante um acto cirúrgico, em que não conseguimos contornar a complexidade da situação, caem durante uma anestesia que não conseguiu reverter a instabilidade hemodinâmica da pessoa e caem num pós operatório quando as complicações superaram os benefícios.

 

Estes ENFERMEIROS QUE POUCOS CONHECEM, e que se escondem por detrás de máscaras e barretes também sentem. E sentem intensamente cada situação.

Também partilham alegrias e vitórias, de pessoas com esperanças reduzidas em que a dúvida e a insegurança era a sua grande certeza.

 

 

É neste ambiente que os Enfermeiros de Perioperatório vivenciam as suas experiências profissionais. Num ambiente de simbiose natural e dinâmica entre equipa, um ambiente desconhecido, mítico e com portas encerradas para o exterior.

É este o Palco, que estes ACTORES que são os enfermeiros de Perioperatório escolheram para actuar.

Sofia Rita - Enfermeira Bloco Operatório da ULSBA