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29-04-2025
REFLEXÕES SOBRE O APAGÃO NACIONAL

Ontem, Portugal foi confrontado com um apagão nacional que afetou os serviços essenciais, incluindo unidades de saúde. Trata-se de um acontecimento raro, que testou a capacidade de resposta das instituições e dos profissionais.
A resposta do Estado foi célere e eficaz, tanto na reposição do fornecimento de eletricidade, como na articulação dos diversos meios para mitigar os efeitos. De salientar, ainda, o anúncio pelo Governo da criação de uma comissão técnica independente, com um representante da área da saúde, para avaliar a resposta à crise.
Também nas unidades de saúde, as equipas mobilizaram-se de forma exemplar. Importa reconhecer o esforço coletivo que permitiu assegurar a continuidade dos cuidados e proteger as pessoas, mesmo em condições adversas.
Os enfermeiros demonstraram mais uma vez grande sentido de missão, garantindo, com competência e serenidade, a assistência aos doentes, apesar das limitações causadas pela falta de energia. A sua atuação foi essencial para manter a confiança e a segurança em contextos de maior vulnerabilidade.
Ainda assim, este episódio evidenciou pontos que devem ser analisados com atenção. Por exemplo, a falta de fontes alternativas de energia em alguns serviços, a limitação das comunicações internas e externas, a escassez de reservas de combustível para geradores, planos de contingência atualizados, a realização de simulações regulares, e a dificuldade em assegurar refeições para os doentes em determinadas unidades hospitalares, mostram que é necessário reforçar a preparação do nosso sistema de saúde para situações de emergência.
A Ordem dos Enfermeiros vai, por isso, solicitar reuniões com o Ministério da Saúde e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil com o objetivo de identificar soluções conjuntas que permitam mitigar riscos futuros.
O que aconteceu ontem deve servir de reflexão e oportunidade para reforçar a nossa capacidade de resposta em situações excecionais. A prontidão das instituições e o profissionalismo dos enfermeiros e de outros profissionais de saúde mostraram que estamos preparados para reagir. Cabe-nos agora consolidar essa capacidade através de um planeamento ainda mais eficaz.
Luís Filipe Barreira
Bastonário da Ordem dos Enfermeiros





