-
05-10-2025
Vigilância da gravidez
OE defende solução estruturada e baseada em recomendações internacionais

Esta semana, o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, iniciou uma nova consulta para grávidas de baixo risco, conduzida exclusivamente por Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO), sem a presença de médicos. A medida visa reduzir os tempos de espera e assegurar a vigilância adequada das grávidas de baixo risco, especialmente aquelas sem médico de família.
Em entrevista à SIC, numa peça transmitida ontem, 4 de outubro, no Primeiro Jornal, o Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, considerou inaceitável que, “em pleno século XXI, haja mulheres sem vigilância da gravidez”. “Isso [a ausência de vigilância durante a gestação] leva a muitos sinais de agravamento da própria mortalidade materna e neonatal. Portanto, não podemos ficar parados”, sublinhou.
A medida, já apoiada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, pretende assegurar um acompanhamento próximo e seguro das grávidas de baixo risco pelos EESMO. Contudo, e como a implementação deste modelo não é consensual, o Bastonário da Ordem dos Enfermeiros clarifica: “Não contem comigo para uma disputa entre profissões. [O que a OE propõe] não é uma medida avulsa. É uma solução estrutural sustentada em evidência científica e alinhada com recomendações internacionais.”
Atualmente, mais de um milhão e meio de utentes em Portugal estão sem médico de família, e a Ordem dos Enfermeiros quer que os enfermeiros integrem esta solução estrutural. O Bastonário da OE avisa, porém, que “os Planos de Desenvolvimento Organizacional (PDO) das ULS ainda não foram aprovados pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério das Finanças”. Como consequência, os 3 mil novos enfermeiros inscritos na Ordem correm o risco de não serem contratados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), algo que Luís Filipe Barreira classifica como “lamentável”.
O Bastonário acrescenta que, só este ano, “cerca de 50% dos recém-licenciados em Enfermagem já pediram à OE declarações para efeitos de emigração”. Luís Filipe Barreira considera que a saída de enfermeiros do país é uma consequência direta da “falta de planeamento e decisão política”, e que a emigração de enfermeiros compromete a sustentabilidade do SNS.
Veja a peça completa aqui:





