Bastonário defende atribuição de enfermeiro de família para utentes sem médico nos CSP

  • 16-01-2026

 

O Bastonário da Ordem dos Enfermeiros defende que os utentes sem médico de família atribuído podem ser acompanhados, nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), por um enfermeiro de família. A posição foi sublinhada por Luís Filipe Barreira numa peça emitida no dia 15 de janeiro, no Primeiro Jornal da SIC.

 

“No sistema atual, quando as pessoas não têm atribuído um médico de família, também não têm atribuído um enfermeiro de família. E, portanto, estão duplamente penalizadas”, afirmou o Bastonário, defendendo, assim, uma revisão das competências dos enfermeiros que trabalham nos centros de saúde.

 

Segundo a Ordem dos Enfermeiros, esta proposta não visa substituir os médicos, mas antes garantir que os enfermeiros exercem plenamente as suas competências, com maior autonomia. “Nós não queremos desempenhar as funções dos médicos. Nós queremos desempenhar na plenitude, e com a autonomia necessária, aquelas que são as intervenções dos enfermeiros”, sublinhou Luís Filipe Barreira.

 

Além da reorganização de competências, o Bastonário da Ordem dos Enfermeiros considera que esta mudança deve ser acompanhada por uma valorização salarial. A proposta já foi apresentada à ministra da Saúde, com o apelo para que a reconfiguração do modelo tenha também reflexos na carreira e na remuneração dos enfermeiros.

 

Atualmente, um em cada sete utentes inscritos nos centros de saúde não tem médico de família atribuído, o que representa mais de um milhão e meio de pessoas. Para a Ordem dos Enfermeiros, a atribuição de um enfermeiro de família a estes utentes pode ser um passo decisivo para reduzir desigualdades no acesso aos cuidados de saúde primários.