Dia Mundial da Sensibilização para a Prematuridade

Dia:  17-11-2025


A prematuridade permanece um dos maiores desafios da saúde materno-infantil a nível global. Anualmente, estima-se que cerca de 15 milhões de recém-nascidos nasçam antes das 37 semanas de gestação, sendo esta a principal causa de morbilidade e mortalidade neonatal, e a segunda principal causa de morte em crianças menores de cinco anos (Organização Mundial da Saúde, 2023). Apesar dos avanços tecnológicos e da crescente qualificação das equipas multiprofissionais, a prematuridade continua a exigir uma resposta estruturada, contínua e humanizada por parte dos sistemas de saúde.


O aumento da sobrevivência dos recém-nascidos prematuros tem sido acompanhado por um reconhecimento crescente da importância dos cuidados de suporte ao neurodesenvolvimento e da centralidade da família no processo de transição para a vida extrauterina. A literatura evidencia que intervenções precoces e integradas — como o Método Canguru ou contacto pele a pele, a promoção da amamentação, o controlo rigoroso da dor e a otimização do ambiente sensorial — contribuem para a estabilidade autonómica, a maturação neurológica e o fortalecimento do vínculo afetivo (Conde-Agudelo & Díaz-Rossello, 2016; Lubbe, 2018). Estes cuidados, aliados à presença ativa, capacitada e reconhecida da família, traduzem uma abordagem biopsicossocial que favorece o desenvolvimento global da criança.


A continuidade dos cuidados após a alta hospitalar constitui igualmente um pilar essencial. Modelos de seguimento estruturados, baseados em equipas multidisciplinares e na articulação eficaz entre cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários, demonstram reduzir o risco de reinternamentos, melhorar indicadores de desenvolvimento e promover a literacia parental em saúde (Vohr et al., 2020). Esta resposta integrada requer não apenas competência técnica, mas também sensibilidade relacional, comunicação clara e compromisso ético com a equidade no acesso aos cuidados.


Assinalar o Dia Mundial da Sensibilização para a Prematuridade é, por isso, mais do que reconhecer uma data simbólica: é reafirmar o dever de cuidar com ciência, humanismo e respeito pela vulnerabilidade e pelo potencial de cada recém-nascido. É reconhecer o contributo indispensável de todos os profissionais de saúde, que, em diferentes contextos de prática, transformam fragilidade em esperança e constroem possibilidades de trajetórias de vida saudáveis.


Neste compromisso coletivo, destaca-se o papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica (EEESIP), cujo exercício clínico avançado integra a avaliação global da criança e da família, a implementação de intervenções de suporte ao neurodesenvolvimento, a promoção da vinculação precoce, a capacitação parental e a coordenação da continuidade dos cuidados entre os contextos hospitalar, comunitário e domiciliário. Contudo, é igualmente fundamental reconhecer o contributo imprescindível de todos os enfermeiros que exercem a sua prática em contexto de neonatologia e cuidados pediátricos, cuja presença contínua, tomada de decisão rigorosa, vigilância clínica e cuidado relacional constituem pilares essenciais na proteção da vida e na promoção do bem-estar da criança e da sua família.


Assim, ao assinalarmos este dia, reafirmamos a importância de fortalecer o reconhecimento e a integração plena do enfermeiro em todos os níveis de cuidados, garantindo que a prematuridade seja acompanhada de respostas competentes, integradas e humanizadas, centradas na criança e na sua relação com a família.


Neste 17 de novembro, a Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica (MCEESIP) reforça o compromisso coletivo de assegurar que cada criança nascida prematuramente, independentemente do local onde nasce ou das circunstâncias familiares, possa beneficiar de cuidados baseados na melhor evidência científica, na continuidade assistencial e na valorização da família enquanto parceira central do processo de cuidar. Promover a saúde e o desenvolvimento das crianças prematuras é investir num futuro mais justo, sustentável e humano — um futuro sustentado pelo rigor científico, pela colaboração interdisciplinar e pela dignidade inerente a cada início de vida.