SRSul na Assembleia da República: Enfermagem assume papel central no diagnóstico precoce de coagulopatias na mulher

  • 01-06-2026

 

A Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros marcou presença institucional no encontro “Coagulopatias na Mulher: Da Literacia ao Diagnóstico – Melhorar a Resposta do Sistema de Saúde”, que decorreu na Sala Almeida Santos da Assembleia da República. A delegação da SRSul foi constituída pela Enfermeira Marisa Varandas, que integrou os painéis de debate, acompanhada pela Enfermeira Dora Franco.

 

 

O evento reuniu decisores políticos, associações de doentes e representantes de várias entidades do setor da saúde num debate urgente sobre a necessidade de otimizar o percurso assistencial das mulheres com coagulopatias, combatendo o subdiagnóstico e a normalização de sintomas.

 

A sessão de abertura ficou a cargo da Deputada Cláudia Estevão, Coordenadora do Grupo de Saúde Sexual e Reprodutiva da Comissão de Saúde, e de Marta Moreira, representante do Grupo de Mulheres com Coagulopatias da Associação Portuguesa de Hemofilia e Outras Coagulopatias (APH). Ambas reforçam a premência de colocar esta temática na agenda pública e política.

 

O percurso clínico e os desafios no diagnóstico foram analisados no primeiro painel, que contou com peritos da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), da Unidade Local de Saúde de São José, do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da APH. Os especialistas foram unânimes em apontar os atrasos no diagnóstico causados, em grande parte, pela desvalorização de sinais clínicos que exigem investigação.

 

 

O segundo painel do encontro focou-se na formação, na literacia em saúde e no papel dos profissionais, contando com a intervenção da Enfermeira Marisa Varandas, em representação da SRSul da Ordem dos Enfermeiros. No seu discurso na Assembleia da República, a Enfermeira Marisa Varandas fez um balanço pragmático sobre o impacto socioeconómico e humano do diagnóstico tardio, sublinhando que as coagulopatias no universo feminino continuam a ser um problema de saúde pública silencioso.

 

“Durante muitos anos, as coagulopatias permaneceram subdiagnosticadas, silenciosas e frequentemente desvalorizadas. Em particular nas mulheres, sintomas como hemorragias menstruais abundantes, anemia persistente, hematomas frequentes ou complicações hemorrágicas foram, demasiadas vezes, normalizados em vez de investigados.”

 

A representante da Ordem dos Enfermeiros destacou que a proximidade dos enfermeiros às comunidades, seja nos cuidados de saúde primários, na saúde materna ou no planeamento familiar, faz destes profissionais “a peça do puzzle ideal” para inverter este cenário, quebrando ciclos de invisibilidade através da escuta ativa e do despiste precoce.

 

Marisa Varandas realçou também que “o diagnóstico das coagulopatias na mulher depende, em grande medida, da capacidade dos profissionais de reconhecer sinais, valorizar sintomas e questionar aquilo que durante décadas foi considerado ‘normal’. A formação é, por isso, um eixo absolutamente central.”

 

O debate deste painel foi partilhado com representantes das Ordens dos Farmacêuticos e dos Médicos Dentistas, além da APMGF, validando a importância da cooperação interprofissional e da comunicação clara. O alinhamento das prioridades políticas dominou o terceiro painel, moderado pela APH, com a participação das Deputadas Liliana Fidalgo (GP-PSD) e Patrícia Nascimento (GP-CHEGA), que discutiram o desenho de políticas públicas integradas e equitativas. O encerramento da sessão foi conduzido por Alexandra Rocha, que reafirmou o compromisso do Grupo de Reflexão Coagulopatias na Mulher em transformar a reflexão em ações concretas.

 

 

Como balanço deste encontro, a Secção Regional do Sul reafirma o seu compromisso inabalável com a capacitação dos enfermeiros e com o desenvolvimento de campanhas de proximidade que promovam a literacia da população sobre os sinais de alerta das coagulopatias.

 

Para a SRSul, a participação nesta iniciativa na Assembleia da República legitima a missão de colocar a enfermagem no centro das soluções de saúde do país, garantindo um percurso assistencial mais humano, eficiente, justo e integral para todas as mulheres.