O Enfermeiro nas Estruturas Residenciais de Idosos

  • 11-09-2013

O envelhecimento da população em Portugal, assim como a nível mundial, é uma realidade.

Em Portugal e de acordo com os Censos 2011 o índice de envelhecimento da população era de 128 o que significa que, por cada 100 jovens, existiam 128 idosos. Já em 2030 o número de idosos será o dobro dos jovens até aos 15 anos e quase o triplo em 2050. (Conselho Económico Social, 2013).

Um dos principais desafios do nosso século será satisfazer maior procura de cuidados de saúde e adaptar sistemas de saúde à nova realidade e manter os sistemas viáveis. Se não forem tomadas medidas adequadas, esse fenómeno irá acarretar um vasto conjunto de consequências no plano financeiro, económico e social no nosso país.

Com o aumento da esperança média de vida, os residentes nas Estruturas Residenciais de Idosos (ERI) são, na sua grande maioria, pessoas com idade avançada, elevado nível de dependência assim como um alargado numero de patologias (psiquiátricas; cardíacas; metabólicas, osteoarticulares entre outras). Em 2011 tínhamos 83,8% utentes com mais de 75 anos nas ERI dos quais 44,9% tinham mais de 85 anos. (Carta Social, 2011).

As ERI são hoje uma solução eficaz para as pessoas com mais de 65 anos de idade (Instituto Português da Qualidade, 2004) dependentes e impossibilitados de receberem cuidados em suas casas. Os dados do Ministério da Solidariedade e Segurança Social indicam que em 2009 existiam em Portugal Continental 1.773 ERI com capacidade de resposta para 68.726 pessoas, concentrando-se a maioria em Lisboa e no Porto. Também é referido pela carta social de 2011 que as respostas dirigidas às Pessoas idosas desde 2000 até 2011 apresentam um aumento de 43%, representando um incremento de cerca de 2000 respostas, sendo 38% respeitantes a residência e lar de idosos, também segundo este documento de 2010 a 2011 registaram-se mais 100 novas respostas sociais.

Nas ERI deverá existir uma equipa multidisciplinar de elevado nível de formação e preparação, nesta equipa incluir-se-á o enfermeiro, o profissional com responsabilidades e competências para promoção da autonomia, vigilância de saúde, reabilitação, prevenção de complicações, garantia de qualidade de vida. Neste contexto importa conhecer a realidade de funcionamento destas unidades, nomeadamente no que à presença de enfermeiros diz respeito. As pessoas que residem nestas unidades têm necessidades de cuidados de saúde permanentes o que exige a presença do enfermeiro nas 24h do dia.

O aumento da presença de enfermeiros em ERI é urgente, devendo ser devidamente identificados os ganhos da intervenção destes profissionais, ganhos tanto em qualidade na assistência aos idosos, bem como ganhos económicos.

Estudos publicados internacionalmente identificam que a presença de enfermeiros aumenta a qualidade dos cuidados prestados. A presença do enfermeiro não pode ser encarada como uma despesa, mas sim como um investimento com retorno positivo e seguro.

A monitorização cuidada do risco de quedas, do controlo da dor e da prevalência do número de úlceras de pressão permitirá uma intervenção precoce, diminuindo a agudização das patologias, reduzindo o número de episódios de idas à urgência hospitalar/ internamentos hospitalares o que se traduzirá por ganhos efetivos para todos: SNS, ERI, idosos e suas famílias.

Os enfermeiros são os pilares das ERI, exercendo funções várias desde a prestação de cuidados de excelência como: formação das equipas; organização; gestão; articulação, apoio e acompanhamento dos residentes e familiares com uma atitude proactiva na desmistificação do processo de envelhecimento. Na maior parte das vezes a permanência numa ERI termina com a morte. Nesta situação o papel do enfermeiro consiste em acompanhar os que partem e ajudar os que ficam, utilizando as suas competências no processo do luto.

Através da análise do funcionamento de algumas repostas sociais na área da terceira idade, é urgente falar também do financiamento. Os principais problemas advêm do modelo de financiamento em vigor, que dificulta uma gestão sustentável das instituições. Terá que se alterar o paradigma do financiamento pela despesa, pela hotelaria, e iniciar um novo paradigma de financiamento que contemple a qualidade. Propomos que para tal se utilizem os indicadores de qualidade dos cuidados prestados em ERI atrás mencionados, considerando-os um conjunto de instrumentos científicos de avaliação da qualidade assistencial.

É necessário um olhar atento e urgente para a Legislação que regula esta atividade, por forma a identificar pontos a melhorar e a alterar, nomeadamente na identificação dos indicadores utilizados na avaliação da qualidade. Quem tem competências para uma avaliação integral das necessidades, e para a promoção e manutenção da funcionalidade e da autonomia do utente? Qual o referencial utilizado, qual a definição de cuidados de enfermagem? Quais os critérios para o exercício de funções do diretor técnico? Quantos anos de experiência profissional? Quais os critérios para a contratação de funcionários? Experiência, formação mínima? Quais os indicadores para a alteração dos rácios? Que indicadores de qualidade são aplicados? É urgente a consolidação do terceiro sector como tema de estudo, através da publicação trabalhos científicos, da organização de conferências.

A Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros procura promover um momento de discussão e debate multidisciplinar entre profissionais de saúde com intervenção no âmbito dos Cuidados de Saúde nas Pessoas Idosas a realizar no “1.º Encontro de Enfermagem nas Estruturas Residenciais de Idosos – Da Prática à Evidência…”, no próximo dia 14 de Setembro, no Auditório do Instituto Politécnico de Setúbal, em Setúbal.

CDR - Sul, 11 de setembro de 2013

 

CDR/AT-AR