Dia Mundial dos Cuidados Paliativos

  • 13-10-2025

 

Os Enfermeiros cuidam os doentes em todas as etapas das suas vidas. Cuidam, apostando na educação para a saúde, contribuindo para a prevenção de doenças, mas cuidam também quando as doenças são incuráveis e progressivas.


Cuidar de quem tem uma doença incurável e progressiva é um desafio desde o diagnóstico, até aos últimos dias de vida. A pessoa vê o seu horizonte completamente modificado e os ajustes à sua vida, às suas necessidades e da sua família são necessários mas não imediatos.


Em Portugal, estima-se que cerca de 100.000 pessoas necessitem de cuidados paliativos, mas apenas 30% tenho acesso aos mesmos.


Segundo um estudo da Universidade de Navarra( publicado este ano) , o “Atlantes global observatory of palilative care” relembra que : “o sofrimento relacionado à saúde aumentará em quase 90% entre agora e 2060 se os cuidados paliativos não forem expandidos.”


Estes cuidados deveriam portanto, ser prementes na agenda nacional para que o rumo da situação nacional seja alterado.


Os cuidados Paliativos contribuem para a aceitação da actual condição de doença, mas ajudam também o doente e família a projectar o futuro independente do tempo, com base no controlo de sintomas e na adequação dos cuidados.


Cuidar de um doente/ família com uma doença incurável e progressiva é um desafio com várias etapas, o caminho é sinuoso e muitas vezes marcado pela incerteza. As equipas de cuidados paliativos assumem, assim, um papel fundamental no cuidar global desses doentes, respeitando as suas características individuais, as suas preferências, traçando um plano conjunto em que a qualidade de vida e o conforto surjam como objectivos primordiais.


O cuidado ultrapassa a esfera física e estende-se aos cuidados espirituais e também ao apoio à família.


Cuidar de quem tem tem necessidades complexas contempla uma multiplicidade de conhecimentos técnico-científicos que as equipas de cuidados paliativos executam com perícia.


Os enfermeiros como parte integrante destas equipas, emergem como o fio condutor do cuidado em toda a sua plenitude.


Contribuir para o conforto e para a manutenção da esperança realista nos doentes e famílias são, com toda a certeza, objectivos constantes nos Cuidados Paliativos, que exigem um conhecimento profundo dos doentes e suas famílias.


Os enfermeiros acompanham estes doentes em vários contextos de cuidados (Hospital, Domicílio) contribuindo para a manutenção da sua dignidade até ao último dia de vida.

 

Catarina Gomes

Comissão Regional de Peritos de Cuidados Paliativos Secção Regional do Sul