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18-06-2026
Dia Internacional do Combate ao Discurso de ódio
No dia em que se assinala o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2021 e celebrado globalmente desde 2022, destacamos o testemunho de Sónia Oliveira, enfermeira que tem desempenhado um papel essencial na promoção da saúde, da inclusão e da cidadania junto dos jovens das escolas do Barreiro. Esta data, marcada a 18 de junho, pretende reforçar a necessidade de prevenir e enfrentar o discurso de ódio, tanto no quotidiano das comunidades educativas como no ambiente digital, e sensibilizar para o impacto que estas narrativas têm na coesão social e no bem‑estar individual e coletivo.

Enfermeira desde 1994, Sónia Oliveira iniciou o seu percurso no Hospital Distrital do Barreiro, integrando mais tarde os Cuidados de Saúde Primários, onde desenvolveu grande parte da sua carreira. Ao longo de mais de três décadas de serviço, passou por áreas tão diversas como a consulta de diabetes e hipertensão arterial, os cuidados domiciliários, as equipas de cuidados continuados integrados e de cuidados paliativos, bem como projetos comunitários de promoção da saúde.

Atualmente, integra a equipa de Saúde Escolar da Unidade de Cuidados na Comunidade do Barreiro, onde trabalha diariamente com adolescentes e jovens, promovendo literacia em saúde, hábitos de vida saudáveis, bem‑estar emocional e competências de cidadania. Através da proximidade e do diálogo, contribui também para prevenir o discurso de ódio — dentro e fora das escolas, incluindo nas redes sociais — tendo um impacto direto e transformador na vida de dezenas de adolescentes.

No dia 18 de junho assinala-se o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, uma data que nos convida a refletir sobre uma realidade que, embora nem sempre visível, continua presente no quotidiano de muitas pessoas e, em particular, na vida de muitas crianças e jovens. Ao longo dos meus mais de trinta anos de exercício profissional, em diferentes contextos de cuidados e junto de diversas populações, aprendi que as palavras têm um enorme poder. Elas podem acolher, confortar e aproximar, mas também magoar, excluir e deixar marcas profundas.

Enquanto enfermeira de saúde escolar, contacto diariamente com jovens que crescem num mundo onde a comunicação acontece cada vez mais através do digital e onde as palavras, difundidas à velocidade de um clique, podem ter um impacto difícil de medir. O discurso de ódio não se limita a situações extremas; manifesta-se muitas vezes de forma subtil, através de comentários depreciativos, ridicularização, exclusão ou discriminação de quem é visto como diferente. Estas atitudes podem surgir presencialmente, mas também nas redes sociais, onde a distância e o anonimato reduzem a perceção das consequências.

Na escola, o sentimento de pertença assume um papel fundamental. Todos os jovens precisam de sentir que são aceites, respeitados e valorizados pelo que são. Quando isso não acontece, o sofrimento pode emergir de forma silenciosa, revelando-se no isolamento, na tristeza, na ansiedade, na diminuição da autoestima ou na dificuldade em estabelecer relações saudáveis.

As redes sociais acrescentam novos desafios. Um comentário ofensivo, uma fotografia partilhada sem consentimento ou uma mensagem humilhante podem atingir um grande número de pessoas em poucos minutos e permanecer acessíveis durante muito tempo. Para muitos jovens, esta exposição tem consequências significativas na sua saúde emocional, na forma como se veem e no modo como se relacionam com os outros.

Enquanto enfermeiros de saúde escolar, temos o privilégio de estar próximos dos jovens e das suas realidades. Escutamos preocupações, identificamos vulnerabilidades e procuramos criar oportunidades de reflexão e desenvolvimento de competências que promovam relações mais saudáveis. Através da educação para a saúde — com foco na educação para a sexualidade, na literacia digital e na promoção da saúde mental — contribuímos para que crianças e adolescentes desenvolvam valores como o respeito, a empatia e a valorização da diversidade.
Acredito que o combate ao discurso de ódio não acontece apenas quando intervimos perante uma situação de conflito. Começa muito antes: na forma como educamos, comunicamos e damos o exemplo; na promoção do respeito pela diferença; no incentivo ao pensamento crítico; e na capacidade de ajudar os jovens a compreender que as palavras têm consequências.

Ao longo do meu percurso profissional — nos cuidados domiciliários, nos cuidados continuados, nos cuidados paliativos e, atualmente, na saúde escolar — fui aprendendo que cuidar vai muito além da prestação de cuidados de saúde. Cuidar é também escutar, acolher, respeitar e contribuir para que cada pessoa encontre o seu lugar na comunidade.

Neste Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, importa lembrar que todos temos um papel na construção de uma sociedade mais inclusiva e mais humana. Promover o respeito, a empatia e a dignidade de cada pessoa é também uma forma de promover saúde.

Sónia Oliveira
Enfermeira de Saúde Escolar





