Ordens profissionais escrevem ao primeiro-ministro

  • 26-03-2020

 

 

A Ordem dos Enfermeiros, em conjunto com a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos, escreveu uma carta aberta ao primeiro-ministro, António Costa, por entender que o Governo, em particular o Ministério da Saúde, não está a acautelar as medidas básicas e necessárias para conter a pandemia que enfrentamos, sobretudo no que diz respeito aos profissionais de Saúde, o que é manifesto na escassez de equipamentos de proteção individual e de testes.

 

“A falta de equipamentos de proteção individual está a contribuir para que entre o número de infetados, ou de pessoas colocadas em quarentena por contacto com caso positivo, estejam muitos profissionais de saúde”, sublinham as três ordens profissionais, revelando que, diariamente, chegam milhares de relatos das situações muito difíceis que estão a ser enfrentadas no terreno pelos profissionais de saúde com risco para a sua vida e, por conseguinte, dos seus familiares e dos seus doentes.

 

“Neste momento, são várias as falhas de segurança, faltando desde máscaras, a luvas, fatos de proteção e desinfetantes alcoólicos, o que é extensível à rede de farmácias”, acrescentam os Enfermeiros, Médicos e Farmacêuticos, lembrando que, em Espanha, há mais de 5400 profissionais de saúde com COVID-19 por os stocks de equipamentos de proteção individual não terem sido suficientes.

“Não estaríamos a cumprir o nosso papel de associações de interesse público, em defesa dos direitos dos nossos doentes e dos médicos, enfermeiros e farmacêuticos, se não transmitíssemos a preocupação real de, quando atingirmos o pico da pandemia, não dispormos nos nossos hospitais e centros de saúde de um número profissionais de saúde suficiente, em virtude de terem adoecido”, alertam as ordens profissionais, que contestam a norma da DGS que apenas prevê uma vigilância ativa do profissional, falando numa “aplicação conservadora dos testes”, contrariando as metodologias de países com bons resultados no controlo da epidemia, como a Islândia, Alemanha ou Coreia do Sul.

 

“Antecipar, proteger e testar são três metodologias sem as quais nunca poderemos obter os melhores resultados para Portugal e para os portugueses”, consideram os profissionais, manifestando a sua disponibilidade para dar todo o apoio e colaboração à Autoridade Nacional de Saúde e ao Governo, como tem acontecido desde a primeira hora.

 

A carta termina com um apelo ao primeiro-ministro: “Precisamos da sua ajuda. Ajude-nos a proteger todos aqueles profissionais que cuidam de nós”.

 

Leia a carta:

https://www.ordemenfermeiros.pt/media/17910/carta-aberta-3-ordens-profissionais-sa%C3%BAde.pdf