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25-03-2026
Bastonário da OE participa no 1.º Encontro Científico de Enfermeiros Gestores no Porto

Decorreu esta quarta-feira, 25 de março, no Instituto Português de Oncologia do Porto, o 1.º Encontro Científico de Enfermeiros Gestores, um evento organizado pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros (SRNOE), que foi subordinado ao tema “Gestão e Liderança em Enfermagem em 5D – Uma Visão 360º”.
O Bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), Luís Filipe Barreira, compareceu na sessão de abertura deste evento, partilhando o palco com Fernando Monteiro, enfermeiro diretor do IPO do Porto, com Amélia Gracias, da APEGEL, e Paula Alves, que pertence à Comissão de Peritos de Gestão e Liderança da SRNOE.

Na sessão de abertura, o Bastonário da OE, assinalou a “escassez de enfermeiros no nosso país” como “uma realidade com impacto direto na qualidade e na continuidade dos cuidados”. Na sequência destas palavras, destacou um dado recente, que foi conhecido no último mês: “mais de 20% das escalas de enfermagem nos grandes centros hospitalares do país (níveis 1 e 2) foram asseguradas com recurso a trabalho extraordinário”.
“Este valor significa que uma em cada cinco escalas dependeu de esforço suplementar dos enfermeiros. A informação, disponível no Portal da Transparência, demonstra que, se somarmos o trabalho extraordinário diurno, noturno e em dias de descanso, cerca de um quinto do tempo de cuidados é assegurado para além do horário normal, ultrapassando, em muitos casos, o limite legal de 150 horas anuais. Um sistema que depende deste nível de esforço adicional funciona em regime de elevada pressão”, acrescentou.
Um outro aspeto que tem contribuído para acentuar esta escassez prende-se com “a emigração de enfermeiros”. “Esta realidade”, clarifica Luís Filipe Barreira, “reflete limitações internas, designadamente ao nível da progressão na carreira, das condições remuneratórias e do reconhecimento efetivo do exercício profissional”.

O Bastonário disse, ainda, que há “muitos enfermeiros em funções de chefia que continuam a assumir responsabilidades de elevada complexidade sem o devido enquadramento na carreira, sem autonomia administrativa compatível com as funções exercidas e, em diversos casos, sem um reconhecimento formal do seu papel”. E realçou a necessidade de “corrigir esta situação com urgência, em nome da valorização profissional e da qualidade do sistema de saúde”.
Por fim, sublinhou a importância de “reforçar a presença dos enfermeiros nos espaços de decisão e liderança das instituições”, não apenas para que haja “respostas em contextos de escassez”, mas para que possam “participar numa gestão orientada pela qualidade e pela criação de valor em saúde”.





