Metade das unidades de cuidados intensivos com camas encerradas por falta de enfermeiros

  • 05-05-2026

 

 

 

Metade dos serviços de Medicina Intensiva dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem camas encerradas devido à falta de recursos humanos, sobretudo enfermeiros.

Atualmente, existem 42 serviços de Medicina Intensiva em Portugal, dos quais 21 têm camas inativas. No total, estão encerradas cerca de 120 camas por falta de profissionais.

Apesar de o país ter duplicado a capacidade de camas de cuidados intensivos entre 2010 e 2022, a tendência inverteu-se na última década e Portugal continua abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). 

 

O Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, em entrevista à SIC, alerta que a atual política de contratação pública, baseada em vínculos de curta duração, contribui para a instabilidade da profissão e agrava a saída de enfermeiros do SNS. “Não havendo número suficiente de enfermeiros para assegurar estas camas de cuidados intensivos, naturalmente que as mesmas terão de ser encerradas”, afirmou.

Adicionalmente, Luís Filipe Barreira menciona que os limites impostos à contratação de enfermeiros este ano – algo a que a OE já reagiu – têm vindo a ser reportados por “inúmeros conselhos de administração das várias ULS” como uma das causas que está na origem deste encerramento de camas. “No país existem várias camas encerradas, em virtude de não termos o número suficiente de enfermeiros para garantir a qualidade e a segurança dos cuidados", frisou.

O Bastonário sublinha ainda que o SNS não está a conseguir atrair e reter os enfermeiros, sobretudo recém-licenciados, o que tem levado “muitos destes a procurarem melhores condições de trabalho” no estrangeiro.