Em 2025, reformaram-se 541 enfermeiros

"É preciso um plano de recrutamento estruturado para atrair e reter enfermeiros no SNS"

  • 05-02-2026

 

O Diário de Notícias (DN) dá hoje conta de que, em 2025, reformaram-se 541 enfermeiros do SNS. Convidado a comentar estes números, Luís Filipe Barreira, Bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), lembra que a escassez de enfermeiros é um problema antigo. O Bastonário da OE refere ainda que, já em 2023, o Ministério da Saúde estimava um défice de 14 mil enfermeiros no SNS.

 

“Se as reformas estão a aumentar e não se substituem os que saem, é claro que quem fica tem mais trabalho, fica sobrecarregado e mais rapidamente atinge a exaustão, o que terá naturalmente impacto nos cuidados”, diz Luís Filipe Barreira. Segundo o Bastonário da OE, ao aumento de pedidos de reforma na idade certa somam-se ainda os pedidos de reformas antecipadas por parte dos enfermeiros – um número que, desde 2023, mais do que duplicou (passou de 15 em 2023, para 33 em 2025).

 

O Bastonário da OE não tem dúvidas de que “o problema dos recursos humanos é muito sério para o SNS”. E, apesar de os dados da ACSS revelarem que, face a 2024, registou-se, no ano passado, um aumento de 1298 enfermeiros no SNS, o Bastonário da OE considera que "o ritmo das contratações atuais não resolve o défice de profissionais que se acumula há anos e anos".

Luís Filipe Barreira defende que o SNS precisa de uma resposta estrutural e não apenas de medidas pontuais. Na sua perspetiva, aquilo que "é preciso urgentemente é um plano de recrutamento estruturado a médio prazo para conseguirmos atrair e reter os enfermeiros no SNS. As ULS continuam a ter limitações para contratar enfermeiros – já dissemos isto publicamente e já escrevemos à ministra da Saúde para que acabe com esta limitação. Mas nada está a ser feito neste sentido".

 

A Ordem dos Enfermeiros considera, por isso, que o aumento do número de enfermeiros reformados é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. E deixa um aviso: "Se não conseguirmos substituir alguns destes profissionais, os que ficam são cada vez mais sobrecarregados, com horários e horas extraordinárias, o que leva, naturalmente, à exaustão dos profissionais, o que coloca os cuidados em causa."

 

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