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09-10-2026
Bastonário destaca papel dos enfermeiros gestores na qualidade dos cuidados

A Ordem dos Enfermeiros (OE) participou na coorganização do 16.º Congresso Internacional da APEGEL e do 2.º Seminário Ibero-Americano de Empreendedorismo em Enfermagem, que decorrem de 8 a 10 de outubro, no Museu do Oriente, em Lisboa, sob o lema "Liderar com Visão, Empreender com Ética e Humanitude".
Organizado pela Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança (APEGEL), em parceria com a OE, a ANDE e o COREN-SC, o evento pretende destacar o papel dos enfermeiros gestores na construção de sistemas de saúde mais resilientes, inovadores e humanizados.
Na sessão de abertura, realizada esta sexta-feira, 9 de outubro, participaram o Bastonário da OE, Luís Filipe Barreira, o presidente da APEGEL, Nelson Guerra, o presidente do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN), José Luis Cobos Serrano, a presidente do COREN-SC, Maristela Assumpção de Azevedo, e a vice-presidente da ANDE, Andión Goñi Olangua.

Na sua intervenção, Luís Filipe Barreira começou por afirmar que a gestão em Enfermagem deve ter um papel ativo nas decisões estratégicas das organizações de saúde. "Quem responde pela qualidade dos cuidados tem de participar nas decisões que os tornam possíveis", defendeu, sublinhando que a gestão em Enfermagem é, antes de mais, uma responsabilidade clínica.
A necessidade de garantir condições adequadas ao exercício profissional foi outro dos temas abordados. Citando dados do relatório do Conselho das Finanças Públicas sobre o desempenho do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2025, o Bastonário referiu que os enfermeiros asseguraram mais de seis milhões de horas suplementares, cerca de 31,5% do total de 19,8 milhões de horas registadas.
"Cuidar de quem cuida é uma responsabilidade que não podemos adiar", afirmou, alertando para os riscos de normalizar a sobrecarga de trabalho. "A segurança dos cuidados não se constrói sobre a exaustão", reforçou.
Neste contexto, Luís Filipe Barreira reiterou que a OE defende dotações seguras, planeamento a médio e longo prazo e investimento no desenvolvimento profissional. Destacou também a importância de novos modelos assistenciais que valorizem a autonomia dos enfermeiros, a especialização e a diferenciação de funções, permitindo transformar o conhecimento em melhores respostas às necessidades da população.
O Bastonário salientou ainda que liderar implica escutar, decidir com justiça e criar condições para que cada profissional desenvolva as suas competências. Defendeu uma liderança assente na ética e na humanitude, capaz de promover a participação das equipas, reconhecer o seu potencial e garantir condições para o exercício seguro da profissão. "A ética revela-se nas decisões difíceis, e a humanitude começa também na forma como olhamos para quem trabalha mesmo ao nosso lado", afirmou.
No final, Luís Filipe Barreira reafirmou o compromisso da OE com a valorização das funções de gestão, o reconhecimento das competências e responsabilidades dos enfermeiros gestores, a formação e o fortalecimento da liderança em Enfermagem.





