O papel dos enfermeiros especialistas nos cuidados primários, em mais um À Conversa...

  • 18-12-2018

Em novo À Conversa com os Enfermeiros, reunimos colegas dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) a discutir o papel das especialidades naquele contexto de prática clínica. A estruturação dos serviços, a articulação entre profissionais - especialistas e não especialistas, o trabalho em equipa ou a referenciação clínica, foram alguns dos temas que marcaram o evento, realizado na Escola Superior de Saúde Santa Maria, no Porto, na tarde de 14 de Dezembro. 

 

Isabel Ferreira, enfermeira no ACES Maia-Valongo, lamentou o enquadramento que muitas vezes é atribuído aos especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica, tendo mesmo considerado que estes são o "parente pobre" dos CSP. Sublinhou a convicção de que a sua área de especialidade representa uma mais-valia naquele nível de cuidados.

 

Ao nível da Especialidade em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, Leonel Fernandes considerou haver falta de recursos humanos, recordando que em muitas unidades funcionais não existem, sequer, enfermeiros com aquela especialização. Para o especialista e Secretário do Conselho Diretivo Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, a saúde mental justifica maior investimento da tutela, uma vez que existem necessidades crescentes ao nível da prevenção de fenómenos de violência com adultos e da sobrecarga de cuidadores informais.

 

Joana Ribeiro, do ACES Alto Tâmega e Barroso, deu uma visão otimista do seu trabalho, reconhecendo ter encontrado - depois de muitos anos de experiência hospitalar - uma unidade funcional com serviços bem estruturados. Na sua área de especialidade, a Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, considerou que todos os procedimentos estão uniformizados nas diferentes unidades funcionais do Agrupamento de Centros de Saúde, existe um grande respeito pela diferenciação técnica dos enfermeiros e as referenciações e partilha de saberes acontecem.

 

A mesma imagem positiva foi transmitida por Odete Alves, especialista em Enfermagem Comunitária, da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Ponte da Barca, integrada na Unidade Local de Saúde do Alto Minho. A enfermeira considerou que a criação das UCC representou uma mais-valia para os enfermeiros e uma grande oportunidade para os especialistas se afirmarem.

 

Filipa Barbosa, especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, sublinhou a importância de existir uma boa referenciação entre colegas, como sinal de que o trabalho em equipa funciona e contribui para a melhoria dos resultados clínicos.

 

Finalmente, Miguel Vasconcelos, especialista em Enfermagem de Reabilitação, deu o testemunho do trabalho desenvolvido na UCC Rebordosa/Paredes e de uma outra transição da área hospitalar para os CSP. Na opinião do colega e presidente do Conselho Jurisdicional Regional do Norte da OE, é nas UCC que é permitido ao enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação expressar melhor as suas competências específicas, razão pela qual fez a sua transição profissional. O colega mostrou, também, as vantagens desta área de especialidade, numa população cada vez mais envelhecida e carente de cuidados domiciliários. 

 

O debate, moderado pelo membro do Conselho de Enfermagem Regional, Vítor Machado, prosseguiu, resultando numa boa troca de experiência entre colegas da mesma área de cuidados e num reforço da importância que as especialidades de enfermagem, aliadas à respectaiva autonomia e diferenciação, podem ter na qualificação dos cuidados de saúde primários.

NS