A Secção Regional dos Açores

Nota de Boas-Vindas

 

 

UM PROJETO PARA A ENFERMAGEM AÇORIANA

 

Os últimos quatro anos na Região Autónoma dos Açores (RAA), naquilo que respeita à Enfermagem, ficaram marcados por uma mudança considerável na forma como os enfermeiros, e aqueles que os representam, são vistos e considerados junto do poder político, dos órgãos de comunicação social e pela sociedade civil em geral. Os enfermeiros foram chamados ao centro da decisão, as suas posições em matéria de qualidade dos cuidados de saúde foram procuradas e consideradas. Em suma, os enfermeiros passaram a ser agentes de mudança e parceiros no plano da decisão.

 

Falamos frequentemente da conjuntura vivida pelo país, à qual a RAA não conseguiu escapar, com desemprego, diminuição do rendimento disponível, cortes sucessivos – frequentemente cegos – em todos os sectores do Estado, à deterioração das condições do exercício profissional, com consequências nefastas para a qualidade dos cuidados prestados, que só não foram mais severas porque, apesar das adversidades, os Enfermeiros mantiveram o esforço naquela que é a sua empreitada diária de levar às populações cuidados de elevada qualidade.

 

Ao viver-se numa região arquipelágica e ultraperiférica, em que estamos sujeitos a condicionalismos que apenas nós sabemos caracterizar, a desafios que ninguém, para além de nós próprios, consegue reconhecer, sabemos que aqui a adversidade é um mar fértil de oportunidades, pelo que é com este sentimento de ser-se ilhéu, de ser-se arquipélago, de ser-se gente das ilhas, que devemos traçar um caminho próprio para a profissão, criando condições para que tenhamos uma posição cada vez mais autónoma no processo de tomada de decisão em relação a nós próprios, procurando o equilíbrio necessário no seio de toda a estrutura da Ordem dos Enfermeiros, não perdendo de vista a noção do todo.

 

O foco da nossa intervenção são os enfermeiros. Temos a firme convicção de que os enfermeiros açorianos nunca desistiram, que não baixaram os braços, que não fizeram do silêncio a sua forma de estar. Apesar de todas as adversidades, os enfermeiros dos Açores permaneceram empenhados no desenvolvimento da profissão, na sua elevação, mas acima de tudo, permaneceram comprometidos com o seu mandato social, aquele que assumiram cumprir junto daqueles que são a razão de ser enquanto grupo profissional.