O prometido é devido

  • 10-05-2022

"A disponibilidade para valorizar as carreiras dos enfermeiros, nomeadamente através de uma reposição de pontos perdidos, é a mais urgente situação neste momento". As palavras são do secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, no encerramento do VI Congresso dos Enfermeiros que decorreu em Braga.

 

A promessa está feita e o tempo começou a contar. Numa altura em que a inflação dispara e os salários não acompanham, há passos que devem ser dados desde já. Um deles é, sem margem para a dúvida, a correção de uma injustiça que tem a assinatura da ministra Ana Jorge, no tempo do Governo de José Sócrates. O que o PS tira, o PS tem de devolver. É por isso que assisti com enorme satisfação o compromisso assumido por este Executivo, pela voz dos dois secretários de Estado que fizeram questão de marcar presença no nosso encontro nacional.

 

Os sinais são de esperança e as prioridades governamentais parecem, pelo menos para já, alinhadas com aquilo que temos vindo a dizer há algum tempo. A verdade é que é preciso continuar. A devolução dos pontos é um começo, mas nunca o aceitaremos como um fim. No último sábado, escolhemos como enfermeira do ano uma mulher de 62 anos que enfrentou, para defender os colegas, dez homens que invadiam as urgências do Hospital de Famalicão. Virgínia Azevedo não é apenas um exemplo de coragem, mas a prova de que é prioritário avançar para a redução da idade da reforma dos enfermeiros e assumir, de uma vez por todas e sem hesitações, que estamos perante uma profissão que tem de ser considerada de risco e de desgaste rápido.

 

Portugal conhece o trabalho dos enfermeiros. Isso ficou claro, durante o último fim de semana, com dezenas de testemunhos de figuras públicas sobre a centralidade da nossa missão no sistema de Saúde. Marcelo Rebelo de Sousa, num discurso que deveria ser ouvido por todos com atenção, alertou para a memória curta dos portugueses e dos agentes políticos. O presidente da República escolheu encerrar o nosso congresso com a mensagem de que estará atento à necessária melhoria das condições de trabalho e de vida dos enfermeiros portugueses. Faço minhas as palavras do Presidente. Também estarei atenta, porque o prometido é devido. 

 

 

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