Enfermagem mundial apela ao fortalecimento da profissão

  • 01-07-2020

 

“É fundamental que os líderes mundiais protejam os Enfermeiros e os coloquem no centro das decisões políticas mundiais.” É desta forma que Luís Filipe Barreira, Vice-Presidente da Ordem dos Enfermeiros, comenta a participação da Ordem dos Enfermeiros nas reuniões da Tríade, que se realizaram online com representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Conselho Internacional dos Enfermeiros (ICN) e da Confederação Mundial de Parteiras (ICM).

 

Do encontro da cúpula da Enfermagem Mundial resultou a adopção de uma Declaração conjunta das três instituições que enumera as acções a serem desenvolvidas na era pós COVID-19 para proteger os Enfermeiros.

 

Assim, sublinha o Vice-Presidente da Ordem dos Enfermeiros, “a Enfermagem tem de ser colocada no cerne do processo de tomada de decisão e o planeamento de recursos humanos tem de assegurar a existência de profissionais suficientes para satisfazer as crescentes exigências de saúde. Seja devido às exigências da sociedade, seja devido a situações imprevistas como aquela que temos atravessado nos últimos meses”. 

 

Olhando para a realidade portuguesa, Luís Filipe Barreira lembra que, uma das lições que pode ser retirada para o futuro, é a que “tem de ser dada a merecida importância aos Enfermeiros que diariamente estão ao lado dos doentes, colocando em perigo a sua própria vida e estando abnegadamente afastados das suas famílias. Este esforço e dedicação não podem ser em vão. Os políticos têm de ouvir e respeitar a opinião fundamentada daqueles que estão no terreno e conhecem de perto a realidade de cada país”.

 

Em conjunto com mais de 600 líderes mundiais de Enfermagem, representantes governamentais discutiram o futuro e destacaram a necessidade de implementar as recomendações do primeiro Relatório sobre o Estado de Enfermagem no Mundo da OMS, reforçaram o apoio à liderança, à educação e à formação, assim como a necessidade de implementar a gestão de recursos humanos no contexto da COVID-19.

 

A Presidente do ICN, Annette Kennedy, considera que “a pandemia mostrou ao mundo que o conhecimento dos enfermeiros é essencial para os cuidados de saúde devido à sua relação privilegiada com os pacientes, as suas famílias e as suas comunidades. Os enfermeiros ganharam o seu lugar à mesa sempre que estão a ser tomadas decisões de política de saúde e planeamento.” Assim, refere a necessidade de se investir “para maximizar o potencial de liderança dentro das profissões e garantir que todos obtenham a educação e formação de que necessitam para prestar o melhor cuidado possível às pessoas que servem.”

 

O Director Executivo do ICN, Howard Catton, disse que esta pandemia ainda está longe de terminar, ecoando o sentimento do Director-Geral da OMS, Dr. Tedros Ghebreyesus, e que manter os profissionais de saúde seguros deve ser a prioridade máxima para todos os governos que lidam com a pandemia.

 

"A protecção e segurança dos nossos profissionais é da maior importância. Acabámos de ultrapassar o marco sombrio de 500 mil mortes em todo o mundo devido à COVID-19, com mais de 10 milhões de infectados. A somar a esta tragédia, escandalosamente não dispomos de dados precisos sobre quantos dos infectados ou falecidos são enfermeiros ou outros profissionais de saúde, mas a nossa análise sugere claramente que os enfermeiros correm um risco considerável.”

 

Consulte aqui a Declaração da Reunião da Tríade.