Enfermeiro nas ERPI atraiu vários profissionais

  • 02-09-2019

"Enfermeiro nas ERPI - A Diferença no Cuidar" foi o tema de mais uma sessão LadoaLado.Com que decorreu nesta tarde no Teatro-Cine, em Pombal.

 

A iniciativa atraiu cerca de uma centena de pessoas, entre enfermeiros, estudantes de Enfermagem e outros profissionais que desenvolvem a sua actividade nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI).

 

A sessão, moderada pelo Enf. Sérgio Batata, Vogal do Conselho de Enfermagem Regional da Secção Regional do Centro (SRCentro) da Ordem dos Enfermeiros (OE), iniciou-se com a apresentação da Enfª Vanda Veiga (Perita na área da Secção Regional do Sul - SRSuk - da OE, especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica).

 

Vanda Veiga identificou o tipo de residentes em ERPI, uma população com necessidades especiais de saúde. Enunciando vários estudos portugueses sobre as pessoas idosas nas ERPI, identificou que a enfermagem pode e deve ter uma intervenção activa, quer na vertente clínica, quer na vertente formativa, de supervisão, de investigação e gestão, contribuindo com diversas mais-valias para os lares. 

 

A enfermeira expôs igualmente o grupo de trabalho criado pela SRSul para sensibilização dos enfermeiros nas ERPI, criando parcerias (IGAS e Segurança Social), workshops, visitas e propostas de alteração da lei. 

 

A actividade deste grupo permitiu identificar ausência de enfermeiros ou em número reduzido com poucas horas/dia, trabalho de ajudantes sem esfera delimitada, pouca ou inexistente caracterização de residentes, avaliação da gestão da medicação e do livro de ocorrências, papel redutor dos enfermeiros nas ERPI, registos reduzidos ou inexistentes, formação inadequada dos ajudantes, monitorização inadequada, atribuição de funções sem supervisão adequada, entre outras situações. 

 

Vanda Veiga terminou a sua apresentação com a proposta de alteração da lei para que seja permanente e obrigatória a presença de um enfermeiro nas ERPI, independentemente do número de utentes que acolha. Incentivou também para que mais profissionais da enfermagem se pudessem dedicar a esta área. 

 

Seguiu-se um breve período de intervenção por parte do público sobre a responsabilização e o número de enfermeiros recomendados nas ERPI.

 

A sessão prosseguiu com a apresentação do Enf. Rui Estrela, Director Técnico de uma ERPI. Manifestou a sua experiência na instituição, assinalando que não tem nenhum utente com úlceras de pressão. Paralelamente também frisou a importância do acompanhamento médico nos lares, afirmando que existe um médico que visita uma vez por semana a ERPI que dirige. 

 

Rui Estrela assinalou que as restrições financeiras que muitas destas instituições possuem, limitam um pouco a actividade e a possibilidade de contratar mais profissionais, sendo o seu desejo poder ter 80% de enfermeiros e 20% de auxiliares. Manifestou igualmente a dificuldade em contratar pessoas qualificadas e com vontade de trabalhar nas ERPI. 

 

A última apresentação coube à enfermeira Sílvia Nunes, que expôs a sua experiência num lar no Reino Unido. Começou como auxiliar num lar neste país onde já ganhou o Prémio de Melhor Enfermeira da região Leste de Inglaterra, bem como o Prémio britânico Great British Care Awards, na categoria de melhor enfermeira pela inovação.

 

Sílvia Nunes destacou a dignidade, humanismo e respeito como os principais factores distintivos dos lares no Reino Unido. Os cuidados de enfermagem são muito individualizados e holísticos, procurando dar os melhores cuidados e o melhor conforto aos utentes, dando o exemplo de um dos seus utentes, um veterinário reformado, que teve a visita de vários animais no seu quarto, no lar onde trabalha. 

 

A sessão terminou com várias questões levantadas pelos presentes que expuseram as dificuldades e realidades muito distintas entre as ERPI portuguesas e as do Reino Unido.

 

Assista ao vídeo completo desta sessão aqui e aqui

 

GCI/MA e PR