Discursos do Presidente

 

Nesta página, o Gabinete de Comunicação e Imagem passa a disponibilizar para consulta pública os discursos proferidos pelo Presidente do Conselho Diretivo Regional da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros.

 

 

PONTA DELGADA, 25 DE JANEIRO DE 2016

DISCURSO PROFERIDO NA CERIMÓNIA SOLENE DE TOMADA DE POSSE DOS ÓRGÃOS ESTATUTÁRIOS REGIONAIS DA SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS – MANDATO 2016-2019


Este é um momento solene, um momento intenso. Assim o sinto, e assim o entendo fazer sentir.

 

Os enfermeiros açorianos, através do exercício do seu legítimo direito democrático, entenderam eleger a equipa que tenho a honra de liderar, para conduzir os destinos da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros durante os próximos quatro anos.

 

Assumo funções perante vós. E assumo-as com grande alegria, mas também com a humildade de quem bem conhece o peso da responsabilidade e do compromisso que ao exercício do cargo estão inerentes. Assumo esta responsabilidade com um espírito de serviço para com os meus pares e para com a minha profissão.

 

Ninguém de certo estranhará que as minhas primeiras palavras se dirijam aos enfermeiros açorianos, a quem quero publica e solenemente agradecer o voto de confiança em nós depositado.

 

O edifício autonómico, uma conquista dos povos insulares cuja génese remonta aos finais do século XIX, tem vindo, ao longo das últimas décadas, a merecer um crescente aprofundamento no respeito daquilo que é o direito à autodeterminação dos cidadãos portugueses residentes nas Regiões Autónomas, sendo certo, porém, que este aprofundamento, algumas vezes, poucas, entendido e anuído por Lisboa, outras, muitas, a muito custo e envolto numa névoa de incompreensão, deve alargar o seu espectro. Neste sentido, procuraremos, num processo partilhado e com uma ampla base de discussão, aprofundar o valor das autonomias regionais no plano da regulação profissional.

Hoje, volvidos praticamente 18 anos da criação da Ordem dos Enfermeiros, aos meus olhos, aos olhos da equipa que lidero e de todos aqueles que nos elegeram, não existe razão alguma para que as competências e as atribuições das Secções Regionais das Regiões Autónomas não sejam reforçadas, ajustando-as àquilo que é o enquadramento político-administrativo das regiões onde estão implantadas. E isto, senhoras e senhores, mais do que uma vontade, é um direito.

 

Dirijo-me agora aos Órgãos cessantes desta Secção Regional. Gratidão pessoal e institucional, sentimento partilhado pela minha equipa, é-vos devida por quatro anos de trabalho árduo e dedicação, numa conjuntura que desde o início se evidenciou adversa. A quem me precede no cargo, o enfermeiro Tiago Lopes, há quatro anos um simples colega de corredor, hoje um amigo e um homem a quem todos somos devedores do empenho, dedicação, coragem, inteligência e sensatez, que fez navegar esta nau por mares revoltos sem nunca perder de vista o porto onde pretendia atracar, o meu obrigado por tudo aquilo que nos deu.

 

O espírito independente deste projeto que a partir de hoje, formalmente, dá os primeiros passos, equilibra-se com as atribuições estatutárias de trabalhar em conjunto, de forma concertada, com toda a estrutura da Ordem dos Enfermeiros, pelo que é um projeto de entendimentos, de concórdia, e que procura uma visão comum.

Enquanto candidatura independente que fomos, e tendo alcançado o melhor resultado eleitoral isolado de todo o país, com 47% dos votos, há uma vontade, e uma vontade manifestada pela maioria dos enfermeiros açorianos, a de concretizar aquilo a que nos propusemos. Se por um lado é verdade que optamos por apresentar uma candidatura independente, não apoiando nenhuma candidatura a Bastonário e Órgãos Nacionais, não é menos verdade que desde o início deixamos claro a nossa vontade e disponibilidade absolutas em trabalhar com as forças que viessem a ser eleitas. Assim, e a este nível, quero apenas confirmar, na presença de todos vós, que esta Secção Regional irá cultivar uma relação de respeito e cooperação institucionais, na salvaguarda, porém, dos valores defendidos por esta equipa, e sufragados no passado dia 15 de dezembro pelos enfermeiros açorianos.

 

Às forças vivas da profissão

Queremos trabalhar num plano de convergência, com o devido respeito pelas competências e esfera de intervenção de cada uma, porque entendemos que juntos somos mais fortes.

 

Às forças políticas que na Região Autónoma dos Açores desenvolvem a sua atividade

Reiterar que esta Secção Regional preservará a sua independência e isenção, intervindo publicamente sempre que entender que estão em causa matérias que atentem contra a saúde dos açorianos, dispondo-nos a trabalhar concertadamente no sentido de encontrar as melhores soluções, capazes de dar respostas efetivas às necessidades da nossa população e que respeitem o Serviço Regional de Saúde, naquilo que é a sua acessibilidade e universalidade.

 

Ao Governo Regional dos Açores

Reforçar a nossa vontade em trabalhar de forma estreita, com abertura e lealdade, na definição das matérias que diretamente ou indiretamente digam respeito à prestação de cuidados de saúde na Região, mas também naquelas que aos nossos olhos possam conflituar com a dignidade do exercício da profissão de Enfermeiro. O Governo dos Açores terá em nós um parceiro enquanto assim o desejar e enquanto os valores que defendemos para a profissão não forem contundidos.

 

Aos Enfermeiros Açorianos

Apesar de difícil, o tempo hoje é de luta. Luta pela continua afirmação da profissão, num sector tantas vezes hostil para nós, que tarda em reconhecer a centralidade desta profissão como a pedra angular da organização e prestação de cuidados de saúde. É tempo de lutar para preservar a conquista que para nós foi a autorregulação, há 18 anos atrás conseguida por um grupo de enfermeiras e enfermeiros que ousaram acreditar.

 

 

 

Aos Colegas

É na defesa da qualidade e da segurança dos cuidados de Enfermagem que encontramos a nossa força, porque o cidadão deve ser reconhecido como o nosso maior aliado nos tempos difíceis que vivemos.

 

Um proverbio ancestral diz-nos que quando o vento sopra forte, uns levantam muros para se protegerem, outros constroem moinhos de vento. Esta equipa procurará construir moinhos de vento e utilizar a força deste vento para fazer cumprir a sua visão e a sua missão, afirmando esta identidade açórica de Enfermagem.

 

A todos, o meu muito obrigado.

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 12 DE MAIO DE 2016

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DAS COMEMORAÇÕES DO DIA INTERNACIONAL DO ENFERMEIRO

 

 

Este é um dia especial para todos nós por vários motivos, mas é-o, na minha opinião, essencialmente porque hoje todos os enfermeiros, um pouco por todo o mundo, refletem sobre a profissão, avaliam o caminho percorrido e definem o sentido que lhe querem dar para os próximos anos.

 

Para nós, enfermeiros portugueses, este Dia Internacional do Enfermeiro comemora-se num ano importante para a definição da nossa identidade enquanto profissão. Este ano a Ordem dos Enfermeiros comemorou o seu 18º aniversário, atingindo assim a sua maioridade enquanto organismo regulador do exercício da profissão de enfermeiro em Portugal, algo apenas possível porque, em primeiro lugar, naquele momento, o Estado Português reconheceu que os enfermeiros portugueses haviam alcançado um nível desenvolvimento técnico e científico de tal ordem que se encontravam capazes de prosseguir, de forma autónoma e responsável, o desígnio da salvaguarda da qualidade e da segurança dos cuidados de Enfermagem, assim como o da defesa da dignidade e do desenvolvimento da profissão. Deveu-se, em segundo lugar, e com uma expressão não menos importante, ao facto de termos tido as mulheres e os homens certos, as enfermeiras e os enfermeiros certos, no lugar certo, no tempo certo e com a visão certa. Presto aqui a minha homenagem pública a todos aqueles que ousaram acreditar e que contribuíram para a edificação da Ordem dos Enfermeiros.

 

A equipa que assumiu os destinos da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros no passado dia 15 de janeiro, fê-lo com uma vontade de, naquele que é quadro que determina a existência, as atribuições e o funcionamento da Ordem dos Enfermeiros, valorizar a definir claramente esta identidade açórica de ser-se enfermeiro.

 

Deste modo, e sendo estas as primeiras comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro 2016 deste mandato, não poderíamos, de forma alguma, deixar passar a oportunidade de, no lugar e no tempo este, refletir sobre as questões que orbitam a regulação da profissão num contexto político-administrativo que encontra equivalente apenas na Região Autónoma da Madeira.

 

Volvidos dezoito anos de regulação profissional, dezoito anos de código deontológico, é tempo agora de refletirmos sobre aquilo que é a Ordem dos Enfermeiros enquanto organização representativa de todos os enfermeiros e que deve, nos termos próprios e no limite daquilo que é a unicidade da sua estrutura, refletir, também, aquilo que é diferente.

 

Refiro-me, claramente, ao reconhecimento da especificidade das Secções Regionais das Regiões Autónomas, inseridas num contexto político-administrativo diferente, com a existência de órgãos legislativos e de governo próprios, sendo necessário refletir internamente na possibilidade de reforçar as atribuições estatutárias dos Conselhos Diretivos Regionais das Regiões Autónomas, por exemplo, reconhecendo-lhes formalmente um maior poder de intervenção no plano Regional.

 

Bem sei que este assunto não é pacífico, bem sei que falar disto a quem detém formalmente o poder é quase como se estivesse a falar de divisão, sectarismo e independência. Mas deixem-me dizer-vos que é muito mais do que isto, em rigor, é a antítese da divisão e do sectarismo, é o justo reconhecimento daquilo que é diferente. Uma resolução desta natureza catapultaria os enfermeiros portugueses, e consequentemente a Ordem dos Enfermeiros, para a linha da frente na sua relação com as Regiões Autónomas, enviando um claro sinal aos nossos parceiros de que atingimos um nível de maturidade tal, enquanto organismo regulador da profissão de enfermeiro, no qual assumimos que preferimos claramente a descentralização responsável do poder de decisão, em detrimento da “desconcentralização” administrativa que muitos, erradamente, apelidam de descentralização quando, objetivamente, não o é.

 

Tal como há dezoito anos atrás um pequeno grupo de enfermeiras e enfermeiros ousou desafiar e sonhar com um futuro diferente, também nós, enfermeiros que exercem numa Região Autónoma, ousemos desafiar o presente e perspetivar um futuro onde possamos ter mão mais firme sobre os nossos destinos.

 

Bem hajam.

 

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 11 DE SETEMBRO DE 2016

DISCURSO DE ABERTURA PROFERIDO NA CERIMÓNIA DE VINCULAÇÃO À PROFISSÃO

 

 

Há poucos meses atrás, quando estive na vossa companhia, em cada uma das Secções da Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores, introduzindo-vos à organização que regula o exercício da profissão de enfermeiro em Portugal, a nossa profissão, dizendo-vos, “somos quase colegas”, e eis que é chegado o dia de vos dizer, de viva voz, num momento que é solene, “colegas, sejam bem-vindos à nossa Ordem dos Enfermeiros”.

 

A Ordem dos Enfermeiros, e esta Secção Regional da Região Autónoma dos Açores, acolhem-vos de braços abertos, sendo certo que podeis contar connosco na defesa dos vossos interesses, e de todos os membros que deste grupo profissional fazem parte, naquilo que é o cumprimento do nosso desígnio fundamental e que tem a sua expressão material na defesa dos cuidados de Enfermagem e na salvaguarda e respeito por um exercício profissional digno, já que um, e outro, são faces de uma mesma moeda.

 

A Enfermagem portuguesa, não no plano da formação, não no plano do corpo de competências que detém, muito menos no valor que outros, um pouco por todo o mundo, nela reconhecem, enfrenta desafios e flagelos muito significativos, sendo, porventura, o mais imediato, e aquele que a todos vós mais toca pessoalmente, a entrada no mercado de trabalho. Um mercado de trabalho, e um acesso a um percurso profissional condigno e promotor de desenvolvimento, que os sucessivos governos insistiram em desregular, permitindo que situações há duas décadas atrás tidas como impensáveis, se constituam hoje, como um flagelo com o qual facilmente nos deparamos em vários contextos de prática clínica. Apesar do reconhecido e indiscutível incremento no número de enfermeiros nas diversas unidades de saúde da Região, também é reconhecido, e indiscutível, que o défice continua a ser uma realidade, com especial incidência ao nível dos cuidados de saúde primários. Não é sustentável exigir mais às organizações de saúde e aos enfermeiros, sem que o número destes profissionais seja incrementado na justa medida da exigência.

 

O trabalho de parceria, que decorre, entre esta Secção Regional e a Secretaria Regional da Saúde, no âmbito da dotação segura de enfermeiros na Região Autónoma dos Açores, e que está a envolver todas as unidades de saúde públicas desta Região, é o reconhecimento de que este défice existe e que é através de um trabalho sério e concertado que servimos o interesse das populações e dos enfermeiros.

 

Senhor Secretário Regional da Saúde estamos empenhados e determinados em manter todos os esforços no sentido de lhe fazer chegar informação rigorosa relativamente ao défice de enfermeiros nos Açores, cumpriremos a nossa parte.

 

 Colegas,

 

Vocês não estão sós. Nós estamos convosco, e juntos, somos mais fortes.

 

Continuo a acreditar, como de resto sempre foi minha convicção, que a chave para a nossa afirmação passa, forçosamente, pela nossa coesão, por respondermos afirmativamente que acreditamos no rumo que queremos seguir e, acima de tudo, que, caso não nos considerem e envolvam nos diversos processos de tomada de decisão que, direta ou indiretamente, têm influência sobre nós, é o sistema de saúde português, são os Serviços Nacional e Regional de Saúde e, lamentavelmente, o cidadão, quem paga a fatura, uma fatura silenciosa, cuja verdadeira dimensão pode ser, apenas, totalmente compreendida tardiamente, com prejuízo de todos.

 

Esta Secção Regional tem-se afigurado como um parceiro na definição da política de saúde da Região Autónoma dos Açores, alicerçando a sua conduta na defesa de mais e melhores cuidados de saúde, cuidados estes que para serem efetivos, invariavelmente, exigem o necessário reforço em termos do número de enfermeiros, como já referi, mas também da sua diferenciação, indo assim ao encontro das necessidades da nossa população, num contexto geográfico que tem tanto de belo, como de ímpar, e que assenta num xadrez político-administrativo intrincado, que encerra inúmeras oportunidades para a Enfermagem.

 

O trabalho que temos vindo a desenvolver, independentemente do ciclo político se estar a encerrar na Região Autónoma dos Açores, terá a mesma intensidade e o mesmo sentido, sendo certo que pretendemos preservar esta relação de parceria com a Secretaria Regional da Saúde, e com o Governo Regional, independentemente do novo quadro governativo que emergir das eleições legislativas regionais de outubro próximo, desde que se continuem a procurar canais de entendimento e posições convergentes, que preservem a posição da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros em matéria de política de saúde regional, assim como o lugar dos cuidados de Enfermagem no seio do Serviço Regional de Saúde dos Açores.

 

Por altura do 40.º aniversário da Autonomia dos Açores, um constructo forjado na alma do povo açoriano há bem mais de um século, não poderia deixar de reconhecer que o Serviço Regional de Saúde que hoje temos é, porventura, um dos grandes expoentes da nossa autonomia, pelo que é no reconhecimento deste espaço, deste enquadramento e do valor que se ancora na responsabilidade, que o coletivo se fortifica, que o todo se enrobustece.

 

As minhas últimas palavras vão, como não poderia deixar de ser, para estes novos colegas que a partir de hoje recebem as suas cédulas profissionais, e para todos os outros, que pelos mais variados motivos, não puderam estar aqui connosco. Não permitam que sentimentos de desanimo, de desalento, de descrença no futuro ofusquem o vosso caminho. Procurem, desde cedo, definir o sentido que querem dar ao vosso percurso profissional e tentem manter-se fiéis a ele. O nosso compromisso é de estarmos onde um enfermeiro estiver.

 

 

Bem hajam e obrigado.

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM

 

 

PONTA DELGADA, 11 DE SETEMBRO DE 2016

DISCURSO DE HOMENAGEM  PROFERIDO  AOS DIRETORES DAS ESCOLAS DE ENFERMAGEM DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

 

 

 

Para entender o lugar e o papel das Escolas de Enfermagem na Região Autónoma dos Açores, e, bem assim, o motivo desta homenagem aos homens e às mulheres que conduziram os destinos destas instituições durante mais de 50 anos, e através deles, o reconhecimento das próprias instituições que dirigiram, é necessário fazer uma incursão à década de 50 no século passado, momento em que os Açores viviam um verdadeiro hecatombe no que à saúde pública dizia respeito, designadamente ao nível da saúde materno-infantil, com uma taxa de mortalidade infantil superior a 150%, uma assistência hospitalar precária e a praticamente inexistente promoção da saúde e prevenção da doença.

 

O contexto socioeconómico era, também, profundamente desfavorável, com uma elevadíssima analfabetização, baixo rendimento, vivendo a população, essencialmente, da agricultura e da pesca, sendo que não era incomum, trabalhar-se a troco de comida, não havendo assim lugar a uma retribuição remuneratória. Apenas de 41% da população tinha água canalizada e ainda cerca de 60% da população recorria à iluminação a petróleo. Fizemos um longo caminho até aos dias de hoje, minhas senhoras e meus senhores.

 

O contexto ímpar, e catastrófico vivido no então Distrito de Ponta Delgada preocupou o Estado Português que, por interposta pressão de organismos internacionais, com se especula ter sido o caso da ação exercida pela Organização de Mundial de Saúde, inicia um conjunto de iniciativas com o intuito de debelar aquele quadro.

 

Contudo, para que qualquer intervenção a este nível pudesse lograr, os recursos humanos eram entendidos como vitais, designadamente ao nível da Enfermagem. A inexistência de pessoal de Enfermagem na Região levou a que tivessem de desloca-lo do território continental, por um período de dois anos, após o qual estava prevista a sua gradual substituição, por pessoal residente nos Açores, inicialmente formando em Lisboa.

 

A viragem faz-se quando a Escola de Enfermagem de Ponta Delgada inicia a sua atividade a 26 de janeiro de 1956, seguindo-se a Escola de Enfermagem de Angra do Heroísmo, iniciando-se, assim, o quadro de progressiva autonomização da Região em termos da formação de enfermeiros, facilitando a resposta local à imensa carência deste grupo profissional, carência esta, que apesar do número incomparavelmente superior de enfermeiros atualmente a exercer na Região Autónoma dos Açores, não se alterou assim tanto, tratando-se apenas de um exercício de relativização em relação ao contexto atual e ao contexto da época.

 

As Escolas de Enfermagem da Região Autónoma dos Açores, ao longo das décadas, marcadas pelo momento em que nascem, o de uma necessidade imperiosa, foram, por um lado, modelando a Enfermagem Regional para dar uma resposta efetiva àquilo que eram as necessidades da população açoriana e, por outro, procedendo à sua adaptação às exigências da formação em Enfermagem, às exigências de diferenciação que pendem sobre os enfermeiros, e ao acréscimo de competências que, cada vez mais, nos é exigido.

 

Sob o primado do rigor e da exigência, um primado que deve ser julgado e entendido apenas à luz do tempo em que a cada momento se fez sentir, podemos dizer, certamente, que nem tudo o que se fez, se fez bem, mas, decerto, com a convicção de que, quem decidiu, no momento em que o decidiu, e com os elementos de que disponha para decidir, o terá feito, impreterivelmente, na defesa dos melhores interesses da Escola, da Enfermagem, dos enfermeiros e da população açoriana.

 

Aristóteles sustentava que “a honra não consiste em receber títulos, mas em merecê-los” e é justamente por isso, que este Conselho Diretivo Regional da Secção Regional da Região Autónoma do Açores da Ordem dos Enfermeiros, com o intuito de reconhecer o trabalho, a dedicação, o rigor e o compromisso dos homens e das mulheres, dos enfermeiros e das enfermeiras, que durante mais de meio século lideraram a formação em Enfermagem na Região Autónoma dos Açores, num tempo que é hoje, em que a identidade individual das Escolas de Superiores de Enfermagem da Região Autónoma dos Açores se extinguiu, dando origem à Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores, uma consequência da necessidade de adaptação à realidade que hoje nos é apresentada,  presta esta humilde, mas sentida, homenagem.

 

Esta homenagem, para além do referido sentido de reconhecimento, pretende, de igual forma, e ao inserir-se no momento em que um grupo de novos membros é, solenemente, acolhido nesta nossa Ordem, vincar que a formação que receberam ao longo dos últimos quatro anos é o produto de mais de meio século de existência do ensino da Enfermagem da Região Autónoma dos Açores, na esperança de que, pelo exemplo, e neste que é um tempo novo, o seu, a necessária renovação geracional tenha lugar, sem que nunca, em momento algum, nos esqueçamos das nossas raízes, e daquilo que somos, pois o que somos, foi certamente talhado por aquilo que já fomos e pelo caminho que fizemos.

 

Obrigado.

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 13 DE OUTUBRO DE 2016

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DO CONGRESSO ATLÂNTICO DE SAÚDE MENTAL

 

Em primeiro lugar, permitam-me parabenizar os enfermeiros, estudantes do 5.º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, pela jornada que empreenderam e pelo compromisso de desenvolvimento profissional que abraçaram em prol da aquisição de mais competências e rumo à diferenciação de cuidados e à prática avançada de Enfermagem.

 

Os custos diretos e indiretos relacionados com as perturbações psiquiátricas, consequentes das despesas assistenciais e da diminuição da produtividade (desemprego, absentismo, baixas por doença, apoio a familiar doente), têm um enorme impacto económico nos orçamentos públicos, podendo atingir cerca de 20% de todos os custos da saúde. Este facto, por si só, ilustra de forma inequívoca a relevância que as políticas de saúde mental devem ter no contexto das políticas gerais de saúde.

 

Viver a experiência de uma doença mental tem grandes implicações nas formas de interação e aceitação social. Contribuindo de modo dramático, para a construção de um estigma social. O estigma, tragicamente, priva as pessoas da sua dignidade e interpõe-se à sua plena participação na sociedade.

 

O exercício profissional de Enfermagem, o desenvolvimento profissional, a diferenciação e especialização de cuidados, a prática avançada da profissão e a gestão estratégica da carência formativa, no encalço das verdadeiras necessidades dos cidadãos em cuidados de saúde e, muito particularmente, em cuidados de Enfermagem, deve, desde logo, fazer sentido. E permitam-me dizer-vos o seguinte, a formação avançada em saúde mental e psiquiátrica, mais do que fazer sentido, é uma imperiosa necessidade para o País, e, de forma muito concreta, para esta Região Autónoma. Dos 67.893 enfermeiros atualmente inscritos na Ordem dos Enfermeiros, os detentores do título de enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica cingem-se a apenas 1.679, correspondendo a 2,4% do total de enfermeiros em Portugal e a 11,3% de todos os enfermeiros especialistas (14.833).

 

Na Região Autónoma dos Açores, à sua escala é certo, o cenário não é substancialmente diferente. Dos 1.988 enfermeiros inscritos, apenas 43 são detentores do título profissional de enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, isto é, 2,1% do total de enfermeiros na Região; sendo que a este número é necessário subtrair aqueles que se encontram aposentados, em funções de gestão e assessoria, e, bem assim, aqueles que se encontram no ensino superior, reduzindo, ainda mais os enfermeiros que, a este nível de especialização, se encontram, efetivamente, na prestação direta de cuidados.

 

Aproveito este momento para reiterar que o Conselho Diretivo Regional da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, chamado a pronunciar-se sobre a futura Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental da Região Autónoma dos Açores, reconhecendo a importância da iniciativa legislativa e do facto desta ser uma área lacunar nas políticas de saúde desde há muito, exigindo, desta forma, uma resposta efetiva e inovadora, não pôde deixar de tecer reparos que, no seu entendimento, toldam, de forma muito significativa, a sua implementação com o propósito pretendido.

 

Para isto contribui, indelevelmente, o facto da carência de enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica ser uma realidade sobre a qual, qualquer tipo de exercício cosmético, consegue feito algum. Este é um dos segmentos dos cuidados de saúde que tem de estar sob a alçada do profissional de saúde capaz de intervir ao nível da promoção da saúde mental, mas também na prevenção, no diagnóstico e na intervenção perante respostas humanas desajustadas e que são geradoras de sofrimento. Na especificidade da prática clínica de Enfermagem de Saúde Mental, são as competências de âmbito psicoterapêutico, que permitem ao enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica desenvolver um juízo clínico singular, logo uma prática clínica em Enfermagem distinta das outras áreas de especialidade.

 

Minhas senhoras e meus senhores

Caros colegas

 

A realidade da Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica no quadro do Serviço Regional de Saúde, à parte dos números globais que referi anteriormente, é marcada por uma profunda heterogeneidade ao nível da distribuição pelas diferentes ilhas. No conjunto, as ilhas de São Miguel e Terceira concentram 90% de todos os enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, ao passo que as ilhas de Santa Maria, Graciosa, Flores e Corvo não têm, nos seus quadros, um único enfermeiro com competências nesta área de especialidade. Quando esta Secção Regional afirma que a inexistência deste recurso inviabiliza a implementação da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental, não o faz por capricho, não o faz apenas porque sim, nem tão pouco o faz por corporativismo. Fá-lo na firme convicção que o cidadão acometido por doença mental tem o direito de receber cuidados seguros e de qualidade, o que inclui, indiscutivelmente, cuidados de Enfermagem especializados.

 

Estou certo de que os trabalhos que aqui terão lugar, contribuirão positivamente para a reflexão necessária sobre esta área tão particular dos cuidados de Enfermagem, num momento em que importantes decisões se tomam em torno da saúde mental na Região Autónoma dos Açores.

 

Bem hajam e muito obrigado.

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

PONTA DELGADA, 18 DE OUTUBRO DE 2016

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DO ENCONTRO DE ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL

 

Qualquer reflexão hoje encetada e que incida sobre a atualidade, vem, invariavelmente, maculada pela preocupação que decorre da volatilidade e do ritmo frenético a que a informação nos

chega, diga isto respeito ao plano regional, nacional, europeu e mundial, com incidência nos mais variados sectores, como seja o económico, o político, o social, o financeiro e o ambiental  e que, também de forma invariável, tende a atoldoar a visão dos agendes, o sentido de futuro e a definição de uma estratégia clara de médio e longo prazo, onde, naturalmente, também se insere a saúde.

 

Esta dificuldade radica, essencialmente, no facto de não dispormos de informação completa, sobre uma realidade, complexa por natureza, bem como, e não menos importante, no facto da informação disponível não se constituir como fidedigna. Por esta razão, o risco de sermos acometidos pelo erro é elevado, não sendo de admirar que aprender a não errar, e se o erro acontecer, aprender a não voltar a cometê-lo tenha passado a integrar, de forma permanente, o nosso quotidiano.

 

A exigência que continuamente, e na minha opinião, bem, tem sido introduzida nos diferentes contextos de prática clínica, a crescente complexidade do utente que recorre ao sistema de saúde, a exigência relativa à qualidade e à segurança dos cuidados e a necessidade de garantir respostas adequadas, e ajustadas, às diferentes necessidades evidenciadas pelos nossos cidadãos, fazem com que penda sobre nós, esse risco de errar (e aqui o conceito de “erro” deve ser entendido, em lato sensu, como, permitam-me, o “inconseguimento” na resposta à necessidade que nos é apresentada).

 

Não se trata de uma aprendizagem fácil, assim como não é fácil gerir os sentimentos que decorrem da não concretização. Esta aprendizagem obriga ao aprofundamento de saberes, ao alargamento do conhecimento teórico e à aliança entre a experiência concreta e o saber abstrato, abandonando visões exclusivamente pessoais, na procura de outras que as complementem ou ampliem.

 

Minhas senhoras e meus senhores,

Colegas,

 

Este é o sentido do Encontro de Ética e Deontologia Profissional, que nesta sua primeira edição se intitula O Código Deontológico do Enfermeiro: Um Meio para o Empoderamento do Cidadão.

 

No ano em que celebramos a maioridade da autorregulação da profissão em Portugal, e entendendo que é importante discutir e refletir sobre o conjunto das regras que a profissão de enfermeiro decidiu impor a ela própria, regras estas que se constituem como o cerne das características desta nossa comunidade profissional e que estabelecem as balizas do nosso exercício, é cada vez mais importante pensar o código deontológico do enfermeiro para lá da fronteira da referida comunidade profissional, considerando-o mais como um meio para servir o cidadão. Para isto é importante compreender a sua génese, questionar a sua atualidade, não no sentido de a questionar na sua acepção mais literal, mas sim no sentido de compreender a concretização do seu potencial, sem nunca perder de vista o caminho que se quer ver feito.

 

Não é incomum o regulador ser entendido pelos correspondentes pares como o sancionador, ou, pelos governantes, como a força que tende a contrariar eventuais tendências reformistas. O regulador, neste caso a Ordem dos Enfermeiros, atende ao seu mandato social, atende à defesa dos destinatários dos serviços de enfermagem, e, bem assim, aos interesses dos seus próprios membros, e é deste confronto de posições que devem nascer os entendimentos e os equilíbrios que conduzem ao progresso e ao desenvolvimento do sector onde nos inserimos.

 

As nossas posições, nem sempre entendidas, ou por vezes entendidas por parte da governação como um simples capricho corporativista, procuram apenas que o superior interesse daqueles a quem os cuidados de enfermagem se destinam sejam devidamente salvaguardados. Não temos interesse em comprometer o desenvolvimento dos serviços de saúde, seja no plano nacional, seja no plano regional, onde estamos inseridos, mas também não podemos aceitar que, sob o nosso olhar, se atropelem princípios que entendemos como fundamentais.

 

Senhor Secretário Regional da Saúde, é certo que nem sempre partilhamos da mesma visão, ou concordamos com o sentido da política regional de saúde que a Região seguiu, contudo, e atendendo a que este ciclo político se encerrou com as eleições legislativas regionais do passado dia 16 de outubro, quero aproveitar este momento, para publicamente, em meu nome pessoal e em nome desta Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros, reconhecer o acolhimento que muitas das nossas iniciativas tiveram por parte de V. Exa.

 

A todos os presentes faço votos para que os trabalhos que agora se iniciam sejam ricos na reflexão que se impõe fazer, agradecendo, desde já, a vossa presença.

 

Bem hajam e muito obrigado.

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 18 DE OUTUBRO DE 2016

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ASSINATURA DO CONVÉNIO PARA UM COMPROMISSO ESTRATÉGICO E ACORDO DE COOPERAÇÃO NO ÂMBITO DA ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL ENTRE A SECÇÃO REGIONAL E A UNIVERSIDADE DOS AÇORES

 

 

Na qualidade de Presidente do Conselho Diretivo Regional da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros é com imenso orgulho, e satisfação, que me aqui me encontro, na situação de, dentro de breves momentos, estar a assinar este Convénio e Acordo de Cooperação que, no meu entendimento é, sobremaneira, importante, para esta comunidade profissional.

 

A Universidade dos Açores, constituiu-se como um dos pilares da autonomia e do desenvolvimento desta Região, contribuindo para a consolidação da identidade açoriana, para a coesão regional e para a valorização do seu património cultural, posição que importa referir e transpor, também, para um nível de formalização que reconheça a relação que nos últimos anos a Universidade dos Açores, com as então Escolas Superiores de Enfermagem, têm vindo a desenvolver com a Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros.

 

Nestes termos, reconhece-se a sua posição enquanto parceiro estratégico natural desta Secção Regional, visando o desenvolvimento profissional dos enfermeiros, ancorado nas premissas da promoção da formação e qualificação de alto nível, da investigação de base científica e tecnológica, na difusão do conhecimento e da inovação, considerando a complementaridade e potencialização dos seus recursos em prol da excelência do serviço prestado à comunidade.

 

De facto, a exigência de mobilização e de recombinação dos saberes para dar resposta aos imperativos da inovação implica que as instituições estabeleçam laços mais próximos com as universidades e que estas estejam mais receptivas, se quiserem continuar a ser, ou tornarem-se, parceiros credíveis num contexto altamente dinâmico e volátil.

 

Os documentos que hoje serão assinados, espelham o trabalho dos últimos meses, um trabalho de proximidade com a Universidade dos Açores, designadamente com a Sra. Pró-Reitora para o Ensino Politécnico, a Prof. Doutora Maria José Bicudo, e restante equipa Reitoral, a partir do qual foi possível reconhecer a importância da construção de pontes e captação de sinergias, alinhando interesses comuns que, em ultima instância, servem a profissão, os enfermeiros e a comunidade.

 

A si, e à Universidade dos Açores, o nosso muito obrigado.

 

Obrigado.

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 30 DE JUNHO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ASSINATURA DO ACORDO PROJETO NO ÂMBITO DA PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DO TRABALHO ENTRE A SECÇÃO REGIONAL E A UNIVERSIDADE DOS AÇORES

 

 

É com particular satisfação, que, na qualidade de Presidente do Conselho Diretivo Regional desta Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, e no momento em que decorre um ano da eleição desta equipa que tão orgulhosamente lidero, me encontro na situação de, e uma vez mais este ano, assinar um acordo projeto com a Universidade dos Açores e que desta feita permitirá a abertura, na Região Autónoma dos Açores, e por esta mesma instituição de ensino superior, de uma Pós-Graduação em Enfermagem do Trabalho.

 

Há um ano, concretizávamos a assunção de um projeto que teve por principal desígnio, para além da necessária e desejada intervenção e colaboração no âmbito da regulação no plano Nacional, defender e valorizar a Enfermagem Açoriana, os Enfermeiros Açorianos e os Cuidados de Enfermagem prestados nesta Região Autónoma.

 

A procura por um parceiro que se posicionasse no mesmo alinhamento que esta Secção Regional no reconhecimento da penosidade do acesso à formação pós-graduada por parte dos Enfermeiros Açorianos, fruto da insularidade e da condição arquipelágica que nos subjaz, e que é tão bem por nós conhecida e sentida, conduziu-nos à Universidade dos Açores, um parceiro natural, que tem sabido acolher a iniciativa desta Secção Regional.

 

Nos últimos anos, a prática da profissão expandiu-se de forma muito considerável, e, até mesmo, irreversível, diria eu, não se constituindo o contexto da saúde ocupacional uma exceção, alcançando um elevado nível de especificidade.

 

A prática dos enfermeiros do trabalho baseia-se nos conceitos e princípios da Saúde Pública, focando a prevenção, a capacitação e a manutenção da saúde, bem como o controlo e a eliminação dos riscos para a saúde no local de trabalho, pelo que o Enfermeiro do Trabalho é um Enfermeiro que, para além do ensino e formação geral de Enfermagem, teve um período adicional de estudo formal em saúde no trabalho, levando a uma qualificação especializada, daí a importância de se promover a abertura desta Pós-Graduação em Enfermagem do Trabalho.

 

Quero aqui expressar o meu agradecimento a todos quantos estiveram envolvidos neste processo, e, naturalmente, à Universidade dos Açores e à Escola Superior de Saúde.

 

Continuemos!

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 30 DE JUNHO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DA CONFERENCIA ENFERMAGEM E SAÚDE NO TRABALHO

 

 

O Convénio Estratégico celebrado com a Universidade dos Açores configurou uma nova etapa na consolidação da parceria entre esta instituição de ensino superior e a Secção Regional da Região Autónoma dos Açores, sendo a abertura da Pós-graduação em Enfermagem do Trabalho, já no próximo ano letivo, o culminar da assunção de um conjunto de compromissos em prol da Enfermagem Açoriana e do desenvolvimento da Região.

 

Enquanto regulador, a Ordem dos Enfermeiros tem consciência de que os enfermeiros, e as competências que detêm, devem, por um lado, ajustar-se e, por outro, estar à frente, das necessidades das populações de modo a que se acrescente valor aos cuidados de Enfermagem e se reforce a notoriedade da nossa intervenção nos mais variados contextos de pática clínica.

 

A visão de uma profissão hermética, e sem um potencial adaptativo às contingências do sector da saúde, está a mudar. O desenvolvimento profissional está a configurar-se para ancorar as competências detidas, ao seu reconhecimento formal, autorizando, deste modo, o seu exercício.

 

Este paradigma permitirá, por um lado, a disponibilização de uma carteira de serviços de Enfermagem ajustada às necessidades da população, e, por outro, mas não menos importante, o justo reconhecimento do investimento que, de um modo geral, todos os enfermeiros fazem, apesar dos fortes constrangimentos que sentem, com um adensamento particular nestas nove realidades insulares, indo assim ao encontro das suas expectativas.

 

Também a criação de uma Pós-graduação em Enfermagem do Trabalho era uma expectativa de muitos dos enfermeiros açorianos. Prometemos e cumprimos. A Universidade dos Açores, e a Escola Superior de Saúde, foram essenciais para a sua materialização. O nosso obrigado.

 

Esta relação de cooperação, mais do que desejável, é uma necessidade num contexto político-administrativo e geográfico tão peculiar como é o da Região Autónoma dos Açores, lugar onde há muito, desde sempre, souberam os açorianos colher o melhor das sinergias que se pudessem estabelecer em prol do seu desenvolvimento e progresso.

 

Também ao nível da profissão desta nossa profissão é importante identificar parceiros e sinergias no plano regional; campos de cooperação que sirvam interesses mútuos, mas, e acima de tudo, os superiores interesses dos nossos cidadãos.

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 06 DE SETEMBRO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA CERIMÓNIA DE VINCULAÇÃO À PROFISSÃO

 

 

As nossas vidas estão repletas de momentos especiais... de uns, temos clara consciência, de outros, nem tanto, mas o facto é que, um dia, algures na nossa existência, tomaremos consciência da importância de todos os momentos que desempenharam um papel determinante na definição daquilo que somos.

 

Este é um dia importante, é o dia em que, solenemente, tomam parte deste grupo profissional que, verdadeiramente, suporta a saúde neste País e nesta Região, o dia em que o vosso regulador, a Ordem dos Enfermeiros, vos acolhe e se dispõe a estar do vosso lado. Este é o dia que marca a vossa entrada para a comunidade dos enfermeiros portugueses!

 

Vivemos tempos difíceis, tempos de incerteza, mas também tempos de mudança e esperança, tempos de concretização de vontades e de quebrar os grilhões do tempo e as mordaças do medo que há décadas calam os enfermeiros. Coragem é aquilo que vos peço, coragem para desafiarem e ousarem questionar, coragem para fazer frente e remar contra uma maré que, por vezes, parece mais forte do que a determinação dos homens e das mulheres que empunham os remos.

 

O país que se apresenta perante vós é um país doente, um país que insiste na retórica e na cortina do espetáculo, enquanto os problemas, os problemas estruturais prosseguem a sua trajetória destrutiva, não sendo a saúde exceção. Temos um Sistema de Saúde doente e desprovido de uma das suas forças vitais... um Serviço Nacional de Saúde e um Serviço Regional de Saúde depauperado de enfermeiros, onde os princípios economicistas são bandeira e discurso para sustentar decisões ruinosas para o sector da saúde e, muito naturalmente, para o cidadão, cujo direito constitucional à saúde se vê, assim, questionado em toda a linha.

 

Nos dias que correm parece mais fácil ter à frente das instituições de saúde pessoas que facilmente sucumbem ao apelo do sim pelo sim, sem crítica, ao contrário de técnicos capazes de desafiar e questionar as medidas e as grandes reformas propostas para o Sector da Saúde, impedindo assim o necessário exercício de melhoria, e impondo uma disciplina de aceitação tácita.

 

Lamento profundamente que algumas instituições de saúde desta Região, instituições deste nosso Serviço Regional de Saúde, confundam o sentido de cooperação institucional com o conceito de silêncio e de aceitação dos seus desvarios. Não aceito, nem aceitarei, que conselhos de administração de instituições de saúde desta Região se considerem acima obrigação de esclarecer esta Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros, quando a isso são chamados, por fim, não aceito que com esta forma de estar se tente coartar a intervenção deste Conselho Diretivo Regional e da Ordem dos Enfermeiros.

 

Não questiono o desafio que, diariamente, manter um serviço regional de saúde numa Região insular e ultraperiférica representa. Aliás, em diferentes ocasiões e fóruns, tenho aludido a este crescente desfio; contudo, não seria correto comigo mesmo se não reconhecesse que este Serviço Regional de Saúde enferma de alguns males:

  • Onde está a efetiva reforma dos cuidados de saúde primários na Região?
  • A Rede de Cuidados Continuados Integrados continua deficitária em leitos, em profissionais, designadamente enfermeiros, e não garante a acessibilidade de todos os açorianos;
  • A orgânica das Unidades de Saúde de Ilha não está ajustada às respetivas realidades: em algumas ilhas, como é o caso de São Miguel, prevalece uma superstrutura que definha em burocracia e processos que comprometem a assistência em saúde, em outras, é aplicada a mesma estrutura organizacional sem que disponham de escala para tal;
  • É urgente definir, claramente, a oferta de cuidados de saúde que cada hospital deve disponibilizar. Não é possível sustentar, por muito mais tempo, esta condição em que, no limite, os três hospitais podem concorrer entre si, com prejuízo do erário público;

 

Por fim, e porque não tenho qualquer gosto em assistir à emigração forçada destes jovens enfermeiros, reforçar que o esforço que está a ser empregue na contratação de enfermeiros para as instituições de saúde do Serviço Regional de Saúde dos Açores não está a ser o suficiente. A Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel, por exemplo, continua com um défice tremendo, com um concurso que até agora não conseguiu ver a luz do dia. Ainda ontem visitei um centro de saúde inserido nesta Unidade de Saúde de Ilha e pude constatar o défice. Acresce a isto o facto de as recentes contratações terem, na sua grande maioria, sido diluídas na acomodação dos contratos precários e na supressão de ausências prolongadas.

 

Conhecida a dimensão do problema, o desafio agora é alcançar um compromisso de médio prazo para a contratação de enfermeiros na Região, com especial incidência para os cuidados de saúde primários. Um compromisso que, já a partir de 2018, levasse à contratação anual de 100 novos enfermeiros resolveria, em três anos, o défice estrutural de enfermeiros nos Açores.

 

A Região continua altamente deficitária em enfermeiros e aqui está uma pequena amostra de um grupo de jovens enfermeiros dispostos a acomodar o défice estrutural de 291 enfermeiros que o Serviço Regional de Saúde dos Açores apresenta.

 

Obrigado e bem hajam!

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 29 DE SETEMBRO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ENCERRAMENTO DAS I JORNADAS DA AECA

 

 

As minhas primeiras palavras vão, como não poderia deixar de ser, para a Associação de Enfermagem Cirúrgica dos Açores e para a organização deste evento, enquanto importante espaço de discussão e partilha de conhecimentos e experiências que a todos nós que exercemos em contexto cirúrgico nos diz respeito.

 

Há largos meses atrás, quando a Sra. Enf.ª Sofia Bartolomeu se dirigiu a nós com a ideia daquilo que é hoje a Associação de Enfermagem Cirúrgica dos Açores, a Secção Regional a Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros respondeu afirmativamente, pelo que hoje, é com redobrada satisfação que aqui me encontro a parabenizar todos aqueles que integram esta associação.

 

Esta Secção Regional, no espírito de missão que nos assiste e no quadro dos poderes que o Estado Português nos devolveu tem procurado apoiar os projetos desenvolvimentos por enfermeiros e que são entendidos por nós como promotores do desenvolvimento da profissão, da sua afirmação entre as demais profissões da área da saúde e, por ultimo, mas não menos importante, as iniciativas que, para o cidadão, acrescentem valor e sejam garante da defesa dos seus interesses.

 

O exercício da enfermagem em contexto cirúrgico assistiu, nos últimos anos, particularmente na última década e meia, a um imenso desenvolvimento, fruto da complexidade crescente dos utentes, do conhecimento produzido e da existência de novas soluções para velhos problemas. Este quadro obrigou, também os enfermeiros, a acompanhar a tendência, também eles com soluções inovadores, capazes de dar resposta às necessidades específicas dos nossos cidadãos, disponibilizando um leque de serviços, e cuidados, de elevada diferenciação técnica e científica cujo lugar e necessidade são hoje indiscutíveis.

 

Neste contexto em particular, gostaria de afirmar que o regulador, a Ordem dos Enfermeiros, no quadro das suas atribuições, e naquilo que entende ser a necessidade de reconhecer a valorização e o desenvolvimento profissional dos enfermeiros, para além do modelo de especialidades, está também a apostar em percursos formativos e profissionais alternativos que permitirão o reconhecimento formal da formação e do domínio detido pelos enfermeiros em áreas que, não sendo de especialidade, são de elevada diferenciação; refiro-me às competências acrescidas que serão de dois níveis: diferenciado e avançado.

 

Por fim, reiterar que esta Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros está disponível para continuar a colaborar com a Associação de Enfermagem Cirúrgica dos Açores naquilo que necessário for, disponibilidade esta extensível a todos os enfermeiros desta Região, no necessário esforço de consolidação da expressão da enfermagem que se pratica na Região Autónoma dos Açores.

 

O meu muito obrigado e bem hajam!

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 10 DE OUTUBRO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA NA SESSÃO DE ENCERRAMENTO DO SEMINÁRIO “SAÚDE MENTAL NO LOCAL DE TRABALHO

 

 

Permitam-me, em primeiro lugar, felicitar a organização deste evento e, muito naturalmente, agradecer o honroso convite endereçado a esta Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros para aqui estar presente.

 

Cultivar um bom ambiente de trabalho é um dos fatores mais importantes para a produtividade de uma organização e para o sucesso do seu ativo de maior valor, os seus profissionais.

 

A importância de um bom ambiente de trabalho e as consequências positivas de um clima organizacional favorável são chavões frequentes entre os que trabalham no setor de recursos humanos – no entanto, ainda há muitos que não acreditam no grande e imensurável poder que tem o simples fato de se ter um trabalho com colegas e ambiente agradáveis.

 

Para retermos, e a fazer fé nas conclusões de um estudo realizado em 2014 nos Estados Unidos da América (e tendo sido realizado numa América pré-Trump, temos todos os motivos para fazer fé nas suas conclusões):

  • 78% dos entrevistados passa entre 30 a 50 horas semanais no ambiente de trabalho;
  • 95% deles têm, pelo menos, uma amizade no trabalho;
  • 73% dos envolvidos já chegou a chorar de rir na companhia de um colega de trabalho;
  • 61% dos participantes afirma contar com os colegas para superar momentos difíceis;
  • 88% dos entrevistados afirma confiar nos colegas de trabalho;
  • 89% dos participantes acredita que a sua qualidade de vidaé diretamente influenciada pelo ambiente de trabalho.

 

Novamente, e a fazer fé nas conclusões acima referidas, questiono-me o porquê de ainda se insistir no não reconhecimento do valor das pessoas (naquilo que diz respeito ao seu desempenho, mas também, e muito frequentemente, naquilo que nos aproxima inequivocamente uns dos outros, a nossa natureza humana).

 

Questiono-me sobre o facto de ainda cingirmos estas pessoas a um número (mecanográfico, é certo), ainda assim um número, a mais um, numa massa que se assume como indiferenciada, onde a não discriminação positiva e a não valorização, são utilizadas como argumentos, na minha opinião, vazios, para não abrir precedentes e manter o status quo...

 

Atrás dizia, e reafirmo, que o capital humano, as pessoas, são o ativo de maior valor de que uma organização pode dispor. Cativar, reconhecer e valorizar estes recursos, numa política séria de meritocracia, onde quem se empenha diariamente para o bem da organização e, deste modo, para o bem comum de todos os que deste sistema dependem, direta ou indiretamente, tem de ser o caminho.

 

Neste sentido, mecanismos organizacionais que vão ao encontro das expetativas dos trabalhadores, das suas aspirações e anseios no que à sua concretização e valorização profissional diz respeito, devem ser implementados.

 

Desta equação importa reter que os trabalhadores, e o impacto que um ambiente organizacional favorável neles tem, desempenha um papel sobremaneira relevante num sistema maior que é a sua rede social, onde se inclui, a sua família e pessoas significativas, e, numa vertente muito mais vasta, por vezes ignorada, a sociedade onde, anonimamente, se inserem.

 

Não me considero insensível, por vezes até assustado, aos sinais de uma sociedade em permanente mudança; uma sociedade que luta para que os valores humanistas resistam à fúria destruidora do imediatismo; uma sociedade profundamente heterogénea que por vezes não se reconhece quando para para tentar compreender o rumo que toma.

 

O sonho [entenda-se, a esperança] é a verdadeira força motriz da vontade de viver e da própria essência do ser-se pessoa, pelo que é na esperança, e no sonho, que ancoro a visão de um mundo melhor, de um mundo laboral que coloque o trabalhador no centro da atividade organizacional, no reconhecimento de que a organização é um sistema vivo onde, numa intricada relação de dependência, todos são importantes e as prioridades da organização não são opostas à vontade e ao sentir dos trabalhadores.

 

Continuemos... mas continuemos, decididamente, em frente.

 

Obrigado!

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

PONTA DELGADA, 12 DE OUTUBRO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA NA SESSÃO DE ABERTURA DO CONGRESSO INSULAR DE ENFERMAGEM AÇORES-MADEIRA

 

 

Em primeiro lugar, permitam-me partilhar convosco a grande alegria que é aqui receber-vos.

 

É para mim, e, muito naturalmente, para todos os envolvidos na organização deste Congresso, motivo de grande satisfação ver uma sala repleta de enfermeiras e enfermeiros de todo o país, aqui reunidos para discutir a enfermagem e, na justa medida, contribuir para o seu desenvolvimento e afirmação, estando certo de que os trabalhos serão profícuos e contribuirão para o crescimento individual de cada um de nós, de resto, a argamassa utilizada para a construção deste edifício que é a Enfermagem Portuguesa.

 

A condição arquipelágica dos Açores e da Madeira impõe cada vez mais que as políticas conducentes ao seu desenvolvimento sejam orientadas no sentido de um crescimento equilibrado e sustentável, em todos os sectores de atividade, não sendo a Saúde exceção.

 

Esta realidade impõe que sejam tomadas medidas específicas de intervenção, por forma a que sejam colmatadas falhas que resultam da sua condição insular, arquipelágica e ultraperiférica, potenciando-se, desta forma, a coesão económica, social e territorial.

 

É precisamente deste entendimento que surge o Congresso Insular de Enfermagem Açores-Madeira, tradição antiga entre os enfermeiros destas duas Regiões Autónomas, que, nesta modalidade conta com a sua terceira edição e que tem, por um lado, o objetivo de aproximar os enfermeiros dos Açores e da Madeira, naquilo que são as suas aspirações e anseios, ao mesmo tempo que partilham a sua experiência, o seu conhecimento e conquitas. Por outro, pretende servir de montra, onde, a partir do Atlântico, se projeta o trabalho desenvolvido nas Regiões Autónomas e se mantém este processo de afirmação identitária.

 

Ser-se ilhéu é uma condição que não se explica... sente-se!

 

Sobre o sentido da Açorianidade (e permitam-me este desvio, a mim mesmo imposto, e intransponível) diz-nos Vitorino Nemésio:

“Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; e logo o sentimento de uma herança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar”.

 

“Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quási religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água”.

 

“Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.”

 

Esta forma de estar, ser e sentir, dos povos insulares, afeta, de igual forma, a vertente profissional e a forma como desempenham as suas profissões, não fosse o trabalho uma condição elementar e integrante da vastíssima acepção e valor da dignidade humana.

 

Os desafios impostos pela insularidade e pela descontinuidade territorial da existência em ilhas impõem desafios e dificuldades sem escala ou comparabilidade. Exigem ao enfermeiro capacidade de resposta técnica, científica e humana, imediata, determinada, e, muito frequentemente, como recurso de fim de linha até que auxilio ou meios mais diferenciados possam ser assegurados.

 

É nesta mescla, onde se confunde o ser e o agir pessoal (de ilhéu), com o ser e o agir profissional (de enfermeiro), que hoje, e aqui, estamos reunidos para debater e discutir a enfermagem que aqui se faz, o caminho que queremos trilhar, os esforço individual e coletivo de afirmação e aquilo que de bom temos para dar.

 

Uma saudação especial a todas as enfermeiras e todos enfermeiros destas duas Regiões Autónomas que gostariam de aqui estar, mas que, pelos mais variados motivos não o conseguiram. Presto aqui a minha justa homenagem, reconhecendo o seu esforço diário para levar às populações que servimos aqui que tão bem sabemos fazer.

 

O meu reconhecimento a todos quantos estiveram envolvidos na organização desta edição do Congresso Insular de Enfermagem 2017; sem a vossa dedicação não teríamos como aqui estar hoje.

 

Por último, mas não menos importante, a minha equipa. Este não foi um ano fácil, mas também, qual seria o sabor daquilo que se alcança sem o salgado do suor e das lágrimas...!?

 

 

Muito obrigado!

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

ANGRA DO HEROÍSMO, 30 DE OUTUBRO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO “A PRESENÇA COMO CUIDADO DE ENFERMAGEM”

DA AUTORIA DO PROF. DOUTOR MIGUEL GOMES

 

 

Quero, em primeiro lugar, e muito naturalmente, dirigir-me ao Prof. Doutor Miguel Gomes, pelo honroso convite, convite que em circunstância alguma poderia recusar, aproveitando o momento para, publicamente, o parabenizar pelo lançamento do livro “A Presença como Cuidado de Enfermagem”.

 

“Miguel, os meus parabéns e muito obrigado!”

 

Uma palavra especial também à Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus que, ao associarem o lançamento deste livre ao seu quinquagésimo aniversário de presença nos Açores, prestam uma justa homenagem aos homens e ás mulheres, aos enfermeiros e às enfermeiras que desenvolvem a sua atividade profissional num contexto tão impar e, por isso, tão especial.

 

Compreender o livro, compreender o que está para lá das suas linhas e do intrincado articulado de palavras e conceitos é, antes de mais, conhecer o homem. A parte jamais se dissociará do todo, pelo que o livro é a derradeira materialização do pensar e do sentir do homem, neste caso, “o teu sentimento e o teu pensamento, Miguel”.

 

As minhas primeiras palavras são, como não poderia deixar de ser, sobre o homem. O homem que ao longo dos últimos dois anos, e depois de um rigoroso processo de avaliação [feito sobre minha pessoa], hoje sei caracterizar-se por uma rara sensibilidade, um pragmatismo agradavelmente marcado pelo sentimento de justiça e pela noção do bem comum.

 

Conhecer o homem, é também, conhecer a sua paixão pelo mundo da saúde mental e da psiquiatria, um mundo complexo, conhecido plenamente apenas por aqueles que se permitem nele entrar.

 

E aqui, o sentido de [permitir-se] é esse mesmo: despojar-se de supostas verdades absolutas, do preconceito e dos estereótipos sociais e aceitar a diferença nas múltiplas formas que ela toma, mesmo quando a nossa aceção do normal se sujeita a um desvio para latitudes que, do ângulo da razão, se possam considerar “out of boundaries”.

 

Dewey, numa passagem de Human Nature and Conduct, diz-nos:

“A respiração é tão verdadeiramente uma questão relativa ao ar, quanto aos pulmões; a digestão, uma questão relativa ao alimento, tanto quanto aos tecidos do estômago. Ver envolve a luz, como seguramente também o olho e o nervo óptico. Andar implica o chão, tanto quanto as pernas; a fala exige o ar físico, a companhia humana e a audição, bem como os órgãos vocais. Podemos deslocar do uso biológico para o uso matemático da palavra função, e dizer que as operações naturais, como a respiração e a digestão, e as adquiridas, como a fala e a honestidade, são verdadeiramente funções do meio circundante, tanto quanto da pessoa. São coisas feitas pelo ambiente por meio de estruturas orgânicas ou disposições adquiridas. O mesmo ar que sob certas condições ondeia a piscina ou destrói prédios, sob outras condições purifica o sangue e transporta o pensamento. O resultado depende de onde agirá o ar”.

 

Podemos aqui fazer uma analogia e recuperar, no capítulo introdutório, aquilo que o Miguel nos diz sobre a natureza da condição humana (pagina 1):

“O homem é um ser de relação permanente consigo próprio, com os outros e com o mundo físico e espiritual que o rodeia, influenciando e sendo influenciado de uma forma significativa e constante no seu modo de ser, sentir, agir e pensar”.

 

Da mesma forma que Dewey nos diz que o “resultado depende de onde agirá o ar”, parece licito afirmar que, na nossa condição de seres de relação, também o efeito desta nossa natureza tomará como resultado o uso e a forma que lhe quisermos dar.

 

Assim, enquanto seres de relação, temos opções muito claras, tão claras que, tão frequentemente, não as conseguimos ver [coisa tão comum naquilo que diz respeito às respostas para os grandes desafios que enfrentamos enquanto seres inseridos num modelo social marco que se caracteriza pela descaracterização e anonimização, despojando, com prejuízo do todo, a matriz individual de cada um e o seu contributo para este todo].

 

As nossas relações poderão ser construtivas, e assim, de crescimento mútuo, ausentes de sentido e circunstanciais, ou, até mesmo, destrutivas.

 

É certo que o tempo que vivemos, frequentemente, nos deixa pouco espaço para uma análise fria, ou racional [fosse isto possível], daquilo que resulta da nossa relação com o outro.

 

O que acrescentei ao meu próximo? Em que medida consegui com que aqueles que estão à minha volta se conseguissem superar? E, na mesma medida, fui capaz de, através da relação, através daquilo que tão bem me caracteriza como homem, elevar-me e superar-me?

 

Quantos de nós conseguem fazer este exercício?

 

Quantos de nós conseguem o distanciamento necessário para o fazer?

 

Quantos de nós conseguem tolerar a autocrítica que está implícita a este exercício?

 

O Miguel tece um conjunto de considerações que aludem a esta dificuldade acrescida naquilo que é a disponibilidade para a relação (página 5):

É “... necessário mantermos viva (acesa) a capacidade de ultrapassar a interioridade do nosso eu, para nos comprometermos com a diferença, com os seus sofrimentos, as suas alegrias, as suas circunstâncias que, queiramos ou não, com este aproximar, acabamos por ser também levados a vivenciar.”

 

Este é o desafio, romper com a centralidade do eu, rasgar o véu do individualismo e, ao aceitar que o outro se tornou parte deste complexo sistema relacional onde eu não tenho de ser o agente principal, aproximar-me um pouco mais da minha natureza de homem e daquilo que tão naturalmente me caracteriza como tal, a relação com o meu próximo.

 

Contudo, e o Miguel a isto alude, e muito bem (página 5):

Há “uma necessidade de manter um certo distanciamento, sem o qual não haverá igualmente uma verdadeira relação, mas antes uma espécie de fusão que acabará por impedir a interação”.

 

Como tudo na nossa complexa existência, a chave está no equilíbrio, na justa medida e na titulação daquilo que, invariavelmente, é diferente de interação para interação, de relação para relação, não fossem as pessoas e a envolvente, entidades mutáveis, detentoras de uma complexidade que, por vezes, preferimos considerar como não significativa.

 

O Miguel, recorrendo-se de Biscaia, atribui forma e ajunta o cuidado, a relação e a presença (página 6) ao sustentar que é:

“... no mundo dos cuidados de saúde que esta capacidade de sair ao encontro do outro, mantendo a unidade pessoal, se torna mais necessária.”

 

Para tal, continua:

“É necessária uma consciência profissional e maturidade, o desenvolvimento de competências relacionais e um ambiente de trabalho facilitador para que o cuidado presença possa ser desempenhado com todas as suas potencialidades, benefícios recíprocos e fragilidades”.

 

A referida consciência e maturidade profissional e a necessidade de competências relacionais são, naturalmente, a justa medida, o equilíbrio e a titulação a que há pouco aludia. Encontrar o meio termo, ou, não sendo o meio termo, a medida justa e proporcional ao efeito que pretendemos despoletar no outro é o desafio para nós, enquanto homens, acrescido do desafio que sobre nós, [os outros], pende, já que cuidamos de gente, e esta exigência de equilíbrio sem impacto negativo no próprio ou no outro, é tanto mais importante, quanto vamos tomando consciência de que aqueles que de nós dependem se encontram numa condição de vulnerabilidade acrescida.

 

Mas o Miguel diz-nos mais (página 10):

“A enfermagem implica um encontro de pessoas. Ocorre em resposta a uma necessidade percebida relacionada com a qualidade de saúde-doença da condição humana. [...] A enfermagem, portanto, não envolve um encontro meramente fortuito, mas um encontro no qual existem um chamamento e uma resposta intencionais.”

 

Aqui, se são importantes os conceitos de “encontro de pessoas” e de “necessidade percebida”, não é menos importante refletirmos um pouco sobre o conceito de vulnerabilidade e de transição.

 

Tipicamente referimo-nos à vulnerabilidade na ótica da pessoa cuidada [naturalmente], contudo, o enfermeiro, a pessoa cuidadora, em virtude de uma não maturidade profissional plena ou do não domínio das competências relacionais, pode, efetivamente, evidenciar sinais de vulnerabilidade.

 

Já a vulnerabilidade observada do ângulo da pessoa cuidada alicerça-se no pressuposto de, frequentemente, esta pessoa estar a viver um processo de transição, através do qual a realidade que até ao momento lhe era familiar, a realidade que vivia, se altera profundamente, ficando clara a existência de um antes e um depois, que frequentemente não é facilmente percebido, aceite e consciencializado.

 

Já o conceito de presença, novo para mim, devo confessar, e de acordo com Doona, citada pelo Miguel (página 21), refere-se:

A um “... encontro intersubejtivo entre enfermeiro e utente no qual o enfermeiro encontra o utente como um ser único numa situação única e decide ficar do seu lado.”

 

Não é nada difícil compreendermos que é o enfermeiro que melhor entende e melhor apreende os sentimentos não verbalizados da pessoa que se encontra em situação de doença ou transição saúde/doença. Sem expressão efetiva de sentimentos, mas num exercício claro de doação do próprio ao serviço do outro, existe esta transferência de conhecimento que, no silêncio da ausência de palavra, tudo se apreende, tudo se compreende e tudo se sente.

 

O Miguel concretiza este exercício de partilha e disponibilidade, alicerçado no conhecimento do outro (página 22):

“Conhecer o utente é um elemento importante da presença em enfermagem. Os utentes veem a presença como um elemento central complexo da enfermagem, que envolve uma ligação emocional, autêntica e interação entre enfermeiro/utente.”

 

Será, assim, licito dizer-se que o conhecimento do outro é uma condição fundamental para que a presença exista de facto. Este conhecimento, está para lá da banalidade das simples preferências ou daquilo que está à superfície e que por todos pode ser apreendido. Este conhecimento radica na esfera do íntimo, na dimensão do que à individualidade de cada um de nós diz respeito.

 

Como resultado deste processo de sensibilidade, holismo, intimidade, vulnerabilidade e adaptação, surge o bem-estar mental e físico de todos os implicados.

 

Para melhor compreender o porquê do livro, ou a inquietação que levou o autor, o investigador, o Miguel, a lançar-se nesta empreitada, nada melhor do que visitar as páginas 45 e 46 onde o Miguel nos diz:

“Se a relação enfermeiro/utente é o cerne da enfermagem de saúde mental e psiquiátrica [...] também é verdade que os doentes dos serviços de saúde mental são os que possuem maiores dificuldades de interação pelas condições da sua individualidade.”

 

“A presença implica disponibilidade e aceitação do outro e não é certamente na psiquiatria [...] que essa disponibilidade para a relação e aceitação do outro são mais comuns, uma vez que o estigma social do doente mental e também por vezes a desvalorização dos profissionais pelos pares, levam-nos a refugiar-se no poder coercivo e asilar das instituições.”

 

“... a distribuição do poder de modo assimétrico na relação e o não reconhecimento das intervenções psicoterapêuticas como sendo de relevante eficácia, promovem sentimentos pouco favoráveis dos utentes em relação aos enfermeiros e também dos enfermeiros em relação aos utentes.”

 

A forma como a nossa sociedade, globalmente, continua a tratar a doença mental e a pessoa acometida por doença mental, insiste na antítese daquilo que deveria a ser o dia-a-dia da pessoa como doença mental e da sua reintegração na sociedade, com o nível necessário de aporte formal do sistema.

 

De uma forma geral, mas não genérica, na página 194 e seguintes, o Miguel explica-nos aquilo que o seu estudo acrescenta em valor e em compreensão da presença como uma dimensão indiscutível do cuidado de enfermagem ao sustentar que:

“O processo de investigação desenvolvido permitiu compreender uma realidade de prestação de cuidados.” [inserida no mundo da saúde mental e psiquiátrica].

 

Permitiu “... encontrar conceitos, elaborar proposições referentes ao compromisso de presença que promove o cuidado de enfermagem em contexto psiquiátrico. O compromisso favorece o cuidado de enfermagem em contexto psiquiátrico e alicerça-se num clima organizacional de hospitalidade, onde o fenómeno de porta giratória e uma perspetiva familialista asseguram o acolhimento hospitaleiro; pressupõe a normatividade e simultaneamente uma individualidade do cuidado...” [um equilíbrio difícil de titular], alicerça-se ainda na“... a permissividade e controlo e uma atenção periférica favorecendo a gestão do cuidado; e alicerça-se num código de linguagem, na guarda romântica e no toque consentido e é identificado como um cuidado singular.”

 

Certamente que hoje, saímos daqui com uma vontade aguçada de aprofundar o conceito de presença, não necessariamente naquilo que aos cuidados de enfermagem diz respeito ou ao que à saúde mental e psiquiatria toca em particular.

 

O desafio é levar connosco o sentido de presença na construção das nossas relações com o outro e no cuidado que emprestamos em equilibrar o instintivo foco no próprio, desviando-o para a individualidade e unicidade do outro, colocando-nos, num exercício de presença efetiva, em relação com o nosso próximo.

 

Miguel,

 

Uma vez mais, muito obrigado pela oportunidade de aqui, e hoje, me teres proporcionado a possibilidade de estar neste momento que, sendo de todos nós, é tão, legitimamente, teu.

 

 

Muito obrigado e bem hajam.

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

 

HORTA, 15 DE DEZEMBRO DE 2017

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DO ENCONTRO DE DEONTOLOGIA PROFISSIONAL

 

Este é o segundo ano consecutivo no qual a Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros promove, de forma descentralizada, o seu Encontro de Deontologia Profissional.

 

Assumimos, desde cedo, que estas iniciativas devem ir ao encontro dos enfermeiros, muito particularmente daqueles que vivem e exercem nos contextos de prática clínica onde as dimensões insular e arquipelágica assumem contornos que só eles, aqueles que efetivamente as experimentam, conhecem na sua plenitude.

 

Se por um lado reconhecemos o conjunto de desafios e constrangimentos que daqui decorrem, por outro, e não menos importante, temos de reconhecer, obrigatoriamente, que este é também um terreno fértil de oportunidades, exigindo aos nossos enfermeiros uma capacidade de intervenção plural na sua extensão, e efetiva no seu resultado.

 

A dúvida, o processo de tomada de decisão e a intervenção, na solidão que frequentemente resulta do exercício insular, tem um peso totalmente diferente para nós. A responsabilidade que aqui pende sobre nós multiplica-se infinitamente por força da consciência de que somos o derradeiro recurso disponível para aquelas pessoas.

 

Temos, enquanto Secção Regional, procurado primar por estar ao lado de todos, e em todos os contextos insulares, reconhecendo as vicissitudes do exercício profissional nesta Região Autónoma dos Açores, intervindo no estrito cumprimento das nossas atribuições estatutárias, procurando novas soluções para antigos, e também novos, problemas na salvaguarda dos interesses deste nosso grupo profissional, assim como daqueles que dos nossos cuidados necessitam.

 

É justamente do reconhecimento desta continuada necessidade de defender e salvaguardar os interesses deste grupo profissional, e bem assim, dos nossos cidadãos, que nasce esta iniciativa que toma a designação de Encontro de Deontologia Profissional. Estes encontros, inicialmente concebidos para discutir e aprofundar o conhecimento individual, e coletivo, na dimensão ética e deontológica foram amadurecendo do ponto de vista conceptual, culminando com a sua abertura à comunidade em geral – como acontece hoje.

 

Esta abertura, num sentido profundo de partilha, simbiose, se quisermos, entre o cidadão anónimo e o enfermeiro, é essencial para que um, e outro, cumpram com aquilo que se espera de um e do outro, assim como da ação que um exerce sobre o outro a cada momento desta interação. Uma interação que se quer vigorosa, pautada pelo respeito e pelo direito à livre expressão de sentimentos e ideias... perspetivas!

 

O tema aqui trazido à discussão diz respeito a todos nós e, por esse mesmo motivo, temos de o discutir. Temos de, abertamente e nos locais próprios, ser capazes de, com propriedade e devidamente esclarecidos, levar ao outro a nossa perspetiva individual na esperança de que, com este gesto, o rastilho da discussão se incendeie e a comunidade, como sistema complexo que é, cresça na sua dimensão humanista.

 

Com isto, colocamo-nos, enquanto homens, e neste intrincando sistema de forças, no centro do mundo, do universo, se quisermos, numa tentativa, que não se queira vã, de elevar a dignidade do homem, e a sua racionalidade, que tantas vezes se tinge de uma emoção apaixonada.

 

É necessário mantermos viva, e acesa, a capacidade de ultrapassar a interioridade do nosso eu, para nos comprometermos com a diferença, com o sofrimento do nosso próximo, as suas alegrias, as suas circunstâncias que, queiramos ou não, com este aproximar, acabamos por ser também levados a vivenciar. Este é o desafio, romper com a centralidade do eu, rasgar o véu do individualismo e, ao aceitar que o outro se tornou parte deste complexo sistema relacional onde eu não tenho de ser o agente principal, aproximar-me um pouco mais da minha natureza de homem e daquilo que tão naturalmente me caracteriza como tal, a relação com o outro.

 

É precisamente isto que hoje, e aqui, procuramos, isto é, a partilha de uma visão, de uma perspetiva e de um ponto de vista que, no limite, e no respeito pela opinião individual, me permita aceitar que o outro tem a sua visão, não necessariamente convergente com a minha, e que é precisamente desta multiplicidade de visões que nos enrobustecemos enquanto comunidade viva que somos.

 

A todos os presentes faço votos para que os trabalhos que agora se iniciam sejam ricos na reflexão que se impõe fazer, agradecendo, desde já, a vossa presença.

 

Muito obrigado.

  

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA 

ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

PONTA DELGADA, 08 DE SETEMBRO DE 2018

DISCURSO PROFERIDO NA CERIMÓNIA DE VINCULAÇÃO À PROFISSÃO

 

Há precisamente onze anos atrás estava eu na mesma posição onde agora estais, ouvindo aqueles cujo lugar agora ocupo.

 

Nessa altura, e agora sei-o, pouco sabia de regulação, pouco ou nada conhecia do mundo profissional e da complexa malha que suporta a nossa atividade profissional e todo o sector da saúde, mas uma coisa estava absolutamente presente na minha consciência de enfermeiro. Eu tinha, e digo-o sem qualquer reserva, elevadas expetativas para mim mesmo e aspirações pelas quais hoje sei ter valido a pena lutar.

 

Com esta alusão, o que que vos peço é que não deixem de sonhar, que nunca deixem de acreditar em vocês próprios. Que procurem referências sólidas e prossigam com os vossos sonhos, com as vossas aspirações e expectativas, mesmo que o caminho se vos apresente difícil.

 

Não tenham medo de abraçar as vossas convicções e, a partir delas, trilhar o caminho que fará de vocês os profissionais que aspiram ser.

 

Ousem desafiar, mas comecem por se desafiar a vocês próprios. Questionem o porquê das coisas vos serem apresentadas de uma dada forma. Ousem questionar, sem medo, mas fundamentadamente, aquilo que vos é imposto e não se deixem sucumbir ao exercício do silêncio e do medo.

 

Esperança, coragem, convicção e determinação é aquilo que este grupo profissional espera de cada um de vocês no percurso que agora iniciam. A profissão necessita, os cidadãos exigem-no.

 

A Ordem dos Enfermeiros, e esta Secção Regional dos Açores, estarão ao vosso lado. Podem contar connosco, comigo, para defender os vossos interesses, exigindo condições dignas para o exercício da profissão.

 

Apesar dos tempos que hoje vivemos não serem os mais fáceis, apesar das manifestas dificuldades que o grupo profissional enfrenta, prevalece a certeza de sabermos para onde ir. Se há alguns anos atrás o sentido era errático, ou pouco claro, hoje existe uma consciência profissional que nos predispõe a exigir o que é de direito.

 

Para nós enfermeiros, tudo nos chega com particular dificuldade, tudo é conquistado com um esforço individual e coletivo incompreensivelmente elevado. E apesar de não vos poder oferecer a ausência de dificuldades neste caminho de afirmação e consolidação, coloco-me ao vosso lado e ao vosso inteiro dispor para, convosco, fazer esta caminhada.

 

O Serviço Regional de Saúde dos Açores, uma das grandes conquistas da nossa Autonomia Regional, precisa de vocês, mas para que daqui possa resultar retorno, há que criar condições favoráveis a tal.

 

O apelo que aqui deixo, e sem prejuízo do trabalho que já está a ser feito para dotar as unidades e serviços de saúde de mais enfermeiros, é que este esforço não perca o seu ímpeto. Nós devemo-lo aos nossos cidadãos, a estes enfermeiros e às suas famílias.

 

Apelo ainda a um olhar concreto às muitas idiossincrasias que emergem das ilhas onde a insularidade se sente com maior intensidade. É fundamental a criação de mecanismos que fomentem a fixação dos jovens enfermeiros, nomeadamente a criação de condições compatíveis com o seu contínuo desenvolvimento profissional, onde o acesso à formação e a possibilidade de atualização contínua não seja sentida como um fardo demasiado oneroso para suportar.

 

Este é um dia de festa, e ainda que se faça necessário discorrer sobre aquilo que são os constrangimentos ao exercício profissional, não posso deixar de me deter, com especial agrado, naquilo que o hoje e o aqui representam para vocês.

 

Momentos como este, de festa, com rasgos de genuína felicidade, merecem a devida elevação. Para todos vocês a etapa que se encerrou há pouco mais de um mês, e refiro-me ao vosso percurso formativo, foi marcada por um grande sacrifício pessoal, e por um esforço que apenas cada um de vocês poderá reduzir à forma verbal.

 

Aqui, de forma humilde, e com a solenidade que o momento impõe, quero parabenizar cada um e agradecer o esforço e a coragem de terem optado, por convicção, por esta nossa profissão.

 

Este momento, sendo vosso por natureza, é também muito das vossas famílias e de todos aqueles que, estando próximos de vocês, acompanharam o vosso esforço, deram ombro às vossas lágrimas e emprestaram a sua disponibilidade ao vosso desabafo.

 

Às vossas famílias, e a todos aqueles que, sendo para vocês significativos, e para quem este momento é vivido de forma também especial, os meus parabéns!

 

Terminando onde comecei, peço, uma vez mais, que se mantenham firmes, coesos e que não vacilem quando, e se, o silêncio vos tentar ser imposto.

 

Mantenham-se fieis aos vossos princípios e valores e não percam a chama e a determinação que tão bem vos define!

 

A todos vós que hoje passam a integrar este grupo profissional, bem hajam!

 

Obrigado!

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

SANTA CRUZ DAS FLORES, 12 DE MAIO DE 2018

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DA CERIMÓNIA DE RECONHECIMENTO PROFISSIONAL

COMEMORAÇÕES DO DIA INTERNACIONAL DO ENFERMEIRO

 

A minhas primeiras palavras, como de resto não poderia deixar de ser, dirigem-se a todas as enfermeiras e a todos os enfermeiros que, por esta Região fora e por todo esta nosso país, diariamente colocam ao serviço das nossas populações o seu conhecimento, o seu engenho, a sua arte e a sua dedicação. Mas dirigem-se de forma particularmente especial a todos quantos exercem em contexto insular e arquipelágico, e, muito concretamente aos colegas que exercem nestas ilhas do grupo ocidental, onde a insularidade toca a todos de forma distinta.

 

É justamente no reconhecimento das especificidades do exercício profissional em contexto insular que, pela primeira vez, as comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro ocorrem na ilha das Flores, onde o reforço e fixação de enfermeiros são uma necessidade real e que não pode ser mais adiada.

 

Têm de ser criadas condições para que todo e qualquer enfermeiro que exerça nestas ilhas possa aspirar, legitimamente, a um percurso profissional nos termos daquilo que para si definir. Aqui refiro-me ao direito que lhe assiste no acesso à formação pós-graduada e à especialização. Mas esta legitima aspiração converge para outro domínio, o legitimo direito da população a cuidados de enfermagem alicerçados na melhor evidência disponível, prestados por enfermeiros que escolheram o caminho da atualização continua de conhecimentos e da diferenciação.

 

Exercer esta nossa profissão, ser-se enfermeiro, é conviver-se diariamente com sentimentos e decisões, frequentemente, difíceis, muitas vezes até dilemáticas, pondo o superior interesse das pessoas à frente dos interesses e das conveniências individuais de cada um de nós. Ser-se enfermeiro não é fácil, mas foi certamente uma decisão convicta de todos aqueles que exercem a profissão e assumiram esta gentil, mas também difícil incumbência de estar ao lado das pessoas desde o primeiro choro no seu nascimento, ao momento do seu último suspiro quando partem da presença de todos nós.

 

Para nós enfermeiros, por algum motivo que tarda em ser entendido, tudo é muito mais difícil. A verdade é que todas as nossas conquistas, todas as respostas aos nossos anseios e aspirações são conseguidas a um custo e a um preço por demais elevado.

 

Assim, o apelo que neste dia tão importante para nós deixo é que não percamos o foco, que nos mantenhamos coesos e que não nos deixemos envolver pelas coisas pequenas, por aquilo que é ruído e que em nada contribui para a coesão do nosso grupo profissional. É na união e na coesão que está a força deste que é o maior grupo profissional no Sector da Saúde em Portugal, e onde houver divisão outros reinarão e a isto, caros colegas, não nos podemos sujeitar.

 

Neste tão importante dia quisemos, para além de o assinalar na ilha mais ocidental da Europa, reconhecer, solenemente, um conjunto de enfermeiros. “Passado, presente e futuro”, justamente porque enquanto profissão, temos de saber colher do exemplo daqueles que fizerem o seu caminho, reconhecendo-o no presente, ao mesmo tempo que preparamos, com a devida propriedade, o futuro. Nesta Cerimónia de Reconhecimento Profissional foi nossa pretensão fazer isso mesmo, reconhecendo enfermeiros pertencentes a diferentes gerações e cujo contributo foi e será, uma mais-valia para a profissão, mas, e acima de tudo, para as populações destas duas ilhas.

 

Serão hoje objeto deste reconhecimento:

  • Fátima Avelar – Pela importância de reconhecer aqueles que, não estando a exercer a profissão no presente, trazem um percurso e um contributo que, em tudo, importa reconhecer e relevar para que na memória futura se mantenham presentes;
  • Goreti Melo – A enfermeira do Corvo. A única enfermeira residente na ilha do Corvo até 2015 e onde, desde sempre foi um elemento basilar da comunidade em que está inserida e a quem aquela comunidade reconhece o contributo dado;
  • Eunice Lima – Pela dedicação e compromisso para com o Centro de Saúde de Santa Cruz das Flores, por responder afirmativamente quando nas mais variadas situações foi chamada a prestar auxílio. Através dela, a justa homenagem e reconhecimento a todas as enfermeiras e a todos os enfermeiros que exercem na Unidade de Saúde da Ilha das Flores pelo seu contributo e dedicação e por serem a argamassa que sustenta a Saúde na ilha das Flores;
  • Jacinta Mota – Uma jovem enfermeira que, não sendo nascida nos Açores, adotou esta terra como sua casa. Uma enfermeira que, apesar da juventude, e apesar das dificuldades acrescidas que decorrem do exercício em contexto insular e no sector social, cumpre com o desiderato do seu código deontológico
  • Milton Noronha – Pela coragem de, em 2015, com apenas 25 anos de idade, ter feito a opção de exercer na ilha do Corvo, a ilha mais insular desta Região Autónoma dos Açores, juntando-se assim à enfermeira Goreti Melo no serviço prestado àquela comunidade.

 

 

Este reconhecimento, sendo individual, e como de resto já referi, é, em primeiro lugar, o reconhecimento que esta Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, e eu próprio, enquanto Presidente do Conselho Diretivo Regional, fazem a todas as enfermeiras e a todos os enfermeiros que exercem na ilha das Flores e na ilha do Corvo. Ser-se enfermeiro aqui é diferente e esta condição impõe esta nossa iniciativa. Continuem, porque nós continuaremos ao vosso lado e al lado de todos.

 

O meu muito obrigado!

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

PONTA DELGADA, 07 DE DEZEMBRO DE 2018

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DO ENCONTRO DE DEONTOLOGIA PROFISSIONAL

 

É com imensa satisfação que a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros promove, uma vez mais, o seu Encontro de Deontologia Profissional. Esta iniciativa, que já vai na sua terceira edição, resulta da visão do meu estimado colega, e bom amigo, Ricardo Pacheco, Presidente do Conselho Jurisdicional Regional que desde muito cedo neste mandato idealizou o formato e o alcance dos Encontros de Deontologia Profissional.

 

A escolha da ilha de Santa Maria, mais concretamente de Vila do Porto, enquanto anfitriã do Encontro resulta daquilo que foi uma opção clara desta equipa da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros de promover, de forma descentralizada, e nas ilhas de menor dimensão, iniciativas cujo contributo para a comunidade profissional e civil se espera proveitoso.

 

A este propósito, permitam-se um especial agradecimento ao Município de Vila do Porto, na pessoa do Dr. Carlos Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, que desde o primeiro momento acolheu a iniciativa, criando as condições para que a mesma se realizasse nesta lindíssima vila açoriana.

 

Nos últimos três anos discutimos em diferentes ilhas, por via de várias iniciativas, os problemas das nossas comunidades e o impacto que estes representam para o exercício da profissão de enfermeiro. Escolhemos, convictamente o caminho da proximidade aos enfermeiros e à comunidade. Quisemos que a Ordem dos Enfermeiros, e esta Secção Regional dos Açores em concreto, lhes fizesse sentido enquanto organizações que estão, de facto, ao seu serviço e comprometidas com a defesa intransigente do seu direito constitucional à saúde.

 

Hoje os enfermeiros e os cidadãos açorianos sabem que esta Secção Regional está, efetivamente, comprometida com eles e dispõe-se a prestar o seu humilde, mas seguro, contributo naquilo que é um processo contínuo de construção e consolidação do seu empoderamento e de uma cidadania consciente e esclarecida, num sistema complexo e dinâmico. E a bem da verdade, esta caminhada não teria sido possível sem os enfermeiros e os cidadãos açorianos, mas também não o teria sido possível sem a equipa da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, a minha equipa, a equipa que suporta este projeto que nasceu e existe para os Açores.

 

Muito se tem falado, de forma mais ou menos redonda, mais ou menos consequente, das questões da vulnerabilidade humana. Num ano em que esta Secção Regional escolheu o sector social, designadamente os lares de idosos e as estruturas da rede regional de cuidados continuados integrados, como foco da sua intervenção, assumindo posições públicas difíceis e apontando problemas e situações que não poderiam passar em claro, não nos faria sentido outra coisa que não terminar este mesmo ano, discutindo, de forma aberta, e para toda a comunidade, as questões que orbitam a vulnerabilidade da pessoa humana, a proteção dos mais desfavorecidos, aquilo que tem sido feito neste plano e, acima de tudo, aquilo que urge ser feito.

 

É necessário encontrar soluções para os problemas concretos das pessoas sem que tenhamos a necessidade de as afastar do seu meio. De alguma forma, tarde ou cedo – esperemos que cedo – a sociedade, e o sistema, terão de encontrar um caminho que assegure uma resposta efetiva às necessidades das nossas comunidades. O contexto social, demográfico e económico assim o determinam, os nossos cidadãos exigem-no!

 

Não posso terminar esta minha intervenção sem deixar uma palavra de especial apreço às muitas instituições particulares de solidariedade social, misericórdias e associações que diariamente, e apesar de muitas vezes com parcos recursos, asseguram às comunidades em que se inserem um conjunto de serviços e suporte assistencial de vital importância.

 

Sem mais delongas, desejo a todas um excelente dia de trabalhos.

 

Obrigado.

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

PONTA DELGADA, 17 DE JANEIRO DE 2019

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DAS

II JORNADAS DE PNEUMOLOGIA DO HDESPD EPER

 

 

É sempre um motivo de acrescentada satisfação regressar a casa, à minha casa.

 

É ainda com maior satisfação que estou presente neste iniciativa, cuja organização assenta em dois pressupostos fundamentais ao exercício profissional no sector da saúde: a multiprofissionalidade e a transdisciplinaridade.

 

O reconhecimento da complementaridade profissional e disciplinar em todas as áreas de intervenção nos contextos de prática clínica faz-se fundamental para uma resposta efetiva e ajustada às necessidades, de crescente complexidade, dos utentes que acorrem aos serviços de saúde.

 

É assim, incontestável, que os profissionais de saúde, e os grupos profissionais que operam neste sector, não mais poderão ser ilhas, mas antes partes de um complexo e dinâmico sistema que um objetivo comum.

 

Se por um lado é verdade que a motivação dos profissionais de saúde tem vindo a ser fortemente beliscada por via da ausência de liderança, de direções erráticas e sem uma clara visão de conjunto e uma completa inexistência de objetivos – mais parecem querer sobreviver ao invés existir, de facto – com pouco, ou nenhum, compromisso com aquilo que é a resolução dos problemas concretos deste profissionais, problemas que comprometem fortemente o seu desempenho e a possibilidade de fazerem mais e melhor, quadro do qual não se isenta o Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, não é menos verdade que, apesar de tudo, estes mesmos profissionais conseguem encontrar a força e o alento para continuarem a fazer bem, independentemente do ambiente organizacional que os rodeia. As II Jornadas de Pneumologia são disto um claríssimo exemplo.

 

Os profissionais de saúde deste hospital evidenciam a cada iniciativa desta natureza o seu verdadeiro compromisso com a razão da sua existência. Isto, minha senhoras e meus senhores, vale por si só e não pode deixar de ser referido.

 

Na realidade nada se fez, ou sequer se fará, sem o esforço individual, sem o compromisso e a dedicação dos profissionais de saúde. Quero aqui deixar nota do reconhecimento que deposito nesta iniciativa, assim como no empenho de todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram pudéssemos estar hoje aqui reunidos.

 

Os temas em discussão são atuais e pertinentes, acrescentando, por tal, valor ao exercício profissional. O crescimento individual e coletivo que daqui resultar, traduzir-se-á numa melhor assistência e resposta à pessoa com patologia respiratória.

 

A Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros acolheu, desde o primeiro momento, esta segunda edição das Jornadas de Pneumologia do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, tal como já o havia feito aquando da primeira edição das jornadas.

 

O nosso entendimento é de que todos os projetos e todas as iniciativas, que acrescentem valor à profissão e, desta forma, aos cuidados de saúde, permitindo o desenvolvimento profissional e a melhoria da assistência em saúde, merecem o nosso apoio.

 

Estou certo que os próximos dois dias serão de profícuos em discussão, com o consequente retorno individual e coletivo.

 

Obrigado e bem hajam.

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

PONTA DELGADA, 10 DE MAIO DE 2019

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DA SESSÃO DE LANÇAMENTO DO OBSERVATÓRIO PARA A DOTAÇÃO DE ENFERMEIROS NOS AÇORES

 

Em 2015 quando me apresentei a eleições, fi-lo com um projeto independente, dirigido aos enfermeiros açorianos no qual, para além mais, assumia como bandeira distintiva a defesa da segurança e da qualidade da atividade assistencial em Enfermagem na Região Autónoma dos Açores.

 

Os enfermeiros responderam afirmativamente! E nestes 1201 dias de mandato fizemos tudo por continuar a merecer a sua confiança demonstrando compromisso, seriedade e dedicação na intervenção, mas também nas iniciativas que promovemos e que hoje colocam os enfermeiros açorianos numa posição de destaque entre os demais parceiros no Sector da Saúde na Região.

 

Por vezes fazem-nos crer que nunca fazemos o suficiente, que aquilo que fazemos nunca chega, que não deixamos qualquer legado para a posteridade. Mas a verdade é tão diferente... E hoje deixarei claro, preto no branco, que esta equipa trabalhou, e continuará a trabalhar de forma aficada e em prol dos enfermeiros e dos cidadãos açorianos, porque acreditamos convictamente neste projeto.

 

O agora lançado Observatório para a Dotação de Enfermeiros nos Açores, representa, por um lado, a materialização do compromisso assumido no plano regional e, por outro, a  vontade de, por via de iniciativas impares em todo o País, deixar um legado efetivo para aqueles que nos seguirem no exercício destas funções.

 

No plano da dotação segura de enfermeiros a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros tem ocupado um papel cimeiro no País. Primeiro, porque a 28 de abril de 2015 outorgamos um acordo impar no País, através do qual a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros e o Governo Regional dos Açores, através da Secretaria Regional da Saúde, reconheceram, conjuntamente, a necessidade de quantificar, de forma rigorosa o défice de enfermeiros na Região. Este trabalho, feito de forma séria, exaustiva e rigorosa, foi assegurado pela Secção Regional, em estreita articulação com as instituições de saúde do Serviço Regional de Saúde dos Açores.

 

Os resultados, apresentados à Secretaria Regional da Saúde, a 20 de março de 2017, referentes a 31 de dezembro de 2016, quantificavam o défice estrutural nas instituições do Serviço Regional de Saúde dos Açores em 291 enfermeiros.

 

Longe de um discurso impositivo, foi entendido que teria de haver uma convergência no sentido de sanar progressivamente este défice, quadro que se verificou.

 

Como é nosso apanágio, a César o que é de César, e se de facto não é à Secção Regional que cabe contratar enfermeiros, sim ao Governo Regional, acredito que o resultado muito positivo alcançado é também fruto do trabalho sério e comprometido levado a cabo por nós, mantendo a seriedade no espaço público, evidenciando de forma responsável as lacunas identificadas, procurando as soluções mais adequadas para cada realidade, em articulação próxima com a Secretaria Regional da Saúde, organismo com o qual, de resto, mantemos uma relação de diálogo  próximo e leal, independentemente de divergências pontuais que possam ter existido, mas que nunca nos impediram de assumir compromissos que visassem o superior interesse público, designadamente o dos utentes do Serviço Regional de Saúde dos Açores.

 

No que concerne ao Observatório para a Dotação de Enfermeiros nos Açores, como de resto terão, dentro de momentos, oportunidade de constatar, esta plataforma foi, no essencial, idealizada para o cidadão.

 

Um instrumento colocado ao serviço de todos os açorianos e que, fundamentalmente, lhes permitirá comparar a Região Autónoma dos Açores, e o Serviço Regional de Saúde, com o restante País, e, até mesmo, com aqueles com quem nos comparamos no plano internacional.

 

Qualquer cidadão, em qualquer ilha, poderá comprar-se (enquanto utilizador dos serviços de Enfermagem), com as demais ilhas, e também poderá comprar as instituições públicas de saúde de que é utilizador com as demais instituições da Região.

 

O Observatório destina-se a todos os cidadãos que, tendo interesse, têm também o legítimo direito de poder conhecer a dotação de enfermeiros nos serviços que utilizam.

 

De igual forma, é uma ferramenta de grande utilidade para a comunidade profissional e científica, pois possibilita a monitorização do número de enfermeiros nos Açores e no Serviço Regional de Saúde, com um elevado nível de detalhe, impossível de se obter por outra via.

 

Compila ainda informação relativa ao ensino da Enfermagem na Região, designadamente no que ao número de inscritos, novos inscritos e diplomados em Enfermagem diz respeito.

 

No fundo, disponibilizamos à comunidade civil, profissional e científica uma ferramenta destinada ao seu empoderamento e ao reforço do conhecimento disponível sobre esta matéria.

 

Aquilo que dentro de momentos irão poder ver é uma tímida expressão de um caminho percorrido e de vastas horas de trabalho e dedicação. É a concretização de uma visão de conjunto, de um legado que queremos deixar a quem nos suceder, de um compromisso que se assumiu com os Açores e o qual não poderá definhar ou desvirtuar-se.

 

Por último, mas não menos importante, agradecer genuinamente a todos quantos estão aqui presentes e escolheram associar-se a esta Secção Regional num momento que coletivamente muito nos orgulha, designadamente os enfermeiros aqui presentes com funções de gestão.

 

Um agradecimento especial à Direção Regional da Saúde que possibilitou a compilação e a uniformização da informação relativa ao Serviço Regional de Saúde

 

Obrigado.

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

LAGOA, 28 DE JUNHO DE 2019

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ABERTURA DO "FÓRUM SERVIÇO REGIONAL DE SAÚDE: UMA CONQUISTA E UM DIREITO DOS AÇORIANOS"

 

Impar, significativo e de efetivo compromisso com o Serviço Regional de Saúde, com a causa pública e com os cidadãos açorianos, é como ficará conhecido este Fórum “Serviço Regional de Saúde: Uma conquista e um direito dos açorianos”.

 

O Fórum é, assim, o corolário dum mandato que consubstanciou um verdadeiro sentido de responsabilidade, dedicação, compromisso e resposta aos desafios que pendem sobre o sector da Saúde na Região Autónoma dos Açores, designadamente no que ao acesso a cuidados de saúde, fundamentalmente de Enfermagem, com qualidade e segurança, diz respeito. Fomos, e somos, regulação no uso dos poderes que o estado nos devolveu naquilo que é a defesa intransigente dos enfermeiros e, através destes, dos superiores interesses dos nossos concidadãos.

 

É assim, para mim, pessoalmente, e para esta Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, motivo de satisfação, e uma grande honra, o facto de Sua Excelência o Presidente do Governo Regional dos Açores ter concedido o Alto Patrocínio a este Fórum, reconhecendo, justamente, a sua relevância e interesse público.

 

Não poderia o momento ser o melhor para promovermos esta iniciativa. Uma iniciativa aberta a toda a comunidade civil, profissional e académica. Uma iniciativa comprometida única e exclusivamente em prestar o seu humilde contributo para um bem coletivo que tão caro nos é, como é o caso do Serviço Regional de Saúde.

 

A praticamente um ano das eleições legislativas regionais, permitindo o distanciamento suficiente para uma discussão profunda e profícua, a um ano do Serviço Regional de Saúde dos Açores completar o seu quadragésimo aniversário, mas também naquela que será a última grande iniciativa pública desta Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros na vigência do meu mandato e da equipa em me suporta, criamos o necessário espaço para colher, de todos quantos quiserem dele tomar parte, o compromisso individual em prol do coletivo.

 

Minhas senhoras e meus senhores, este é o momento para discutir o Serviço Regional de Saúde dos Açores.

 

Ele é, muito provavelmente, um dos grandes promotores da coesão nesta Região Autónoma. Uma Região que, para além da condição insular, se caracteriza pela descontinuidade territorial e, por estas duas condições, bem se percebe a exigência, os desafios e a responsabilidade naquilo que é o assegurar de respostas capazes às necessidades em saúde de todos os cidadãos açorianos que, tão assimetricamente, se distribuem em nove realidades insulares que têm tanto de comum como de distinto.

 

O Serviço Regional de Saúde dos Açores, desde sempre, esteve sujeito a desafios. Sempre que uma necessidade foi, e é, suprimida, ascende-se, naturalmente, no patamar da exigência e da sua capacidade de resposta. Ninguém equaciona um regresso ao passado, assim como ninguém, em consciência, poderá negar o extraordinário caminho que se trilhou até ao presente.

 

Como todos os sistemas por nós arquitetados, não fossemos criaturas imperfeitas à procura da quimera da perfeição, também neste Serviço Regional de Saúde se encontram imperfeições, aspetos passiveis de melhoria.

 

Aqui, com o contributo de todos, mais do que perceber o que está menos bem conseguido, pretende-se a participação de todos nós naquilo que será a definição do Serviço Regional de Saúde dos Açores nos próximos quarenta anos.

 

O futuro faz-se hoje. Faz-se com seriedade, faz-se com crítica e com análise. Faz-se ouvindo a experiência de todos os agentes que do Serviço Regional de Saúde fazem parte, designadamente os cidadãos seus utilizadores.

 

Os cidadãos são, ou, pelo menos, deveriam ser, o centro da intrincada rede que motoriza toda a atividade em saúde. Os cidadãos são razão da minha, da nossa, existência enquanto profissionais de saúde. Contudo, parece tardar a sua centralidade, apesar de a apregoarmos, mais para nos convencer a nós próprios, do que ao cidadão, ele sim com plena consciência da realidade que sobre ele pende.

 

 

O Serviço Regional de Saúde, quer no presente, quer no futuro, irá continuar a necessitar do contributo de todos: cidadãos, profissionais de saúde e sectores de atividade. O Serviço Regional de Saúde, para crescer e assegurar respostas capazes, terá de continuar a contar com o papel imprescindível da academia, por exemplo, formando profissionais técnica, cientifica e humanamente capazes de atender às necessidades individuais dos açorianos [às nossas necessidades]. O Serviço Regional de Saúde necessita continuar a contar com a participação do sector da economia social, garantindo respostas quando, autonomamente, não as consegue. Também as autarquias, naquilo que é o conhecimento e contato de proximidade junto das populações, terão um papel primordial naquilo que é o desenvolvimento e a resposta do Serviço Regional de Saúde dos Açores.

 

Os desafios são tremendos, desde logo pelas questões demográficas. A redução da taxa de natalidade e, com ela, todas as implicações daí decorrente. Os idosos de hoje não os são idosos de há 20 anos atrás. Não o são em número, mas não o são, fundamentalmente, na sua condição de acrescida complexidade e vulnerabilidade.

 

Por outro lado, há uma crescente pressão no sentido da necessária otimização de recursos. É necessário garantir que cada cêntimo público investido no sector da saúde tem um efetivo retorno para o cidadão. Todas as organizações públicas de saúde terão de harmonizar por via da mesma pauta e obedecer à mesma batuta. Autonomia responsável, sim, mas o limite desta autonomia não é outro que não, uma resposta articulada às necessidades dos cidadãos.

 

É necessário, com pragmatismo, com sentido de compromisso e responsabilidade, discutir, abertamente, a organização e o funcionamento do Serviço Regional de Saúde dos Açores. Que soluções queremos, onde as queremos e como queremos que funcionem, garantindo que, onde determinado serviço ou valência não existe, os cidadãos aí residentes terão respostas capazes onde os meios de maior diferenciação estão presentes.

 

Chega de atacar o Serviço Regional de Saúde dos Açores. Basta de o qualificar como incapaz ou insuficiente. Terá, e ninguém o poderá negar, lacunas importantes. Mas a verdade é que, de cada vez que é atacado, descredibilizado, qualificado como insuficiente na sua resposta, ele é desacreditado junto da opinião pública, num exercício que é, no fundamental, perigoso para ele próprio e para todos nós.

 

Exige-se, mais do que nunca, uma efetiva aproximação de perspetivas. Um verdadeiro encontro de ideias, um consenso alargado e duradouro no desenho duma solução de funcionamento e, se quisermos, de arquitetura, do Serviço Regional de Saúde que, à semelhança daquilo que alcançou ao longo dos últimos 39 anos, lhe seja possibilitada uma verdadeira trajetória de sustentabilidade e de desenvolvimento, continuando assim a contribuir para a coesão nesta Região e, acima de tudo, para a satisfação das necessidades em saúde de todas açorianas e de todos os açorianos.

 

Quero, por fim, agradecer a todos quantos se associaram a esta iniciativa: A Presidência do Governo Regional dos Açores, Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, CONNEXALL, RTP/Açores, Açoriano Oriental, TSF Açores e Antena 1

 

Muito obrigado. 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

LAGOA, 28 DE JUNHO DE 2019

DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO DE ENCERRAMENTO DO "FÓRUM SERVIÇO REGIONAL DE SAÚDE: UMA CONQUISTA E UM DIREITO DOS AÇORIANOS"

 

Se no início deste Fórum prevalecia a elevada expetativa relativamente àquilo que poderia ser o seu contributo, enquanto espaço de discussão de ideias e de construção de um Serviço Regional de Saúde cada vez mais capaz de responder afirmativamente aos desafios e às necessidades em saúde dos cidadãos açorianos, resta-me a certeza do contributo efetivo que, em conjunto, ao longo do dia de hoje, prestamos ao Serviço Regional de Saúde, aos Açores e aos açorianos.

 

Julgo que, no essencial, todos temos plena consciência da centralidade e da imprescindibilidade do Serviço Regional de Saúde neste projeto de Autonomia e na coesão desta Região.

 

Das diversas discussões aqui geradas, dos diversos pontos de vista partilhados, resulta a necessidade de assegurar condições para o desenvolvimento e para a sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde dos Açores a médio e longo prazo. Resulta a necessidade de medidas e de políticas que visem o nível estrutural e não o plano circunstancial.

 

Em rigor, aplicando-se verdadeiras medidas de natureza estrutural, grande parte da intervenção conjuntural deixa de fazer sentido ou, sequer, ser necessária, permitindo assim que o Serviço Regional de Saúde respire e que o seu foco se recentre na definição e no acompanhamento das políticas de saúde, elas sim capazes de impactar, positivamente, a vida dos Açorianos.

 

Nesta área em concreto que é saúde, aplica-se claramente a expressão que “é muito mais aquilo que nos une, do que aquilo que nos separa”. Dito isto, impõe-se o necessário entendimento entre todos os agentes cuja ação impacta o Serviço Regional de Saúde: desde o governo, passando pelo legislador, até aos diferentes grupos profissionais que no sector operam. Todos nós fazemos parte de uma matriz indissociável, na qual, a ação de um elo, origina sempre uma reação por parte dos restantes.

 

O cidadão deverá ser colocado no centro do funcionamento do Serviço Regional de Saúde. Ele é a razão da sua existência, a razão de laborar continuamente, ainda que muitas vezes de forma silenciosa.

 

É preciso nunca esquecer que, em pleno Atlântico Norte, e a pelo menos duas horas de voo comercial da Europa Continental, o Serviço Regional de Saúde é a única resposta, efetivamente útil, para as necessidades em saúde dos açorianos. O Serviço Regional de Saúde dos Açores esteve, e estará com os açorianos nos seus momentos de maior dor, individual e coletiva, mas também nos seus momentos de maior felicidade. Ele faz parte de cada um de nós.

 

A descontinuidade territorial, a insularidade, a demografia, as alterações climatéricas e uma panóplia de condições e fatores continuarão a colocar uma enorme, e contínua, pressão sobre este Serviço no sentido de exigir respostas capazes, pelo que os próximos anos terão de ser de visão, de decisão e de preparação do futuro que queremos.

 

Naquilo que a mim diz respeito, e até ao termo deste mandato, pode o Serviço Regional de Saúde dos Açores, podem os cidadãos e os enfermeiros açorianos, continuar a contar com uma intervenção isenta, responsável e genuinamente comprometida com os seus interesses. Fomos eleitos pelos Açores e para os Açores, e é com este espírito que aqui estaremos até ao fim.

 

Muito obrigado!

 

Muito obrigado. 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

PONTA DELGADA, 14 DE SETEMBRO DE 2019

DISCURSO PROFERIDO NA CERIMÓNIA DE VINCULAÇÃO À PROFISSÃO 2019

 

A existência de cada um de nós faz-se de momentos especiais... Este é, sem qualquer dúvida, um dia especial. É um dia especial para todos vós que hoje ides receber as vossas cédulas profissionais, e com elas a autorização para exercer Enfermagem em Portugal. É também um dia especial para os vossos pais, demais familiares e pessoas significativas, que acompanharam a trajetória que vos conduziu até este momento. Mas é também, e não tenhais dúvidas, um dia especial para a Ordem dos Enfermeiros, designadamente para esta Secção Regional dos Açores, cujos destinos tive a honra de conduzir até ao presente.

 

A caminhada que se vos afigura pela frente, como todas as caminhadas, terá umas tantas pedras soltas e uns outros tantos buracos no caminho. Cada um de vós irá distinguir-se neste percurso pela forma como vierdes a encarar as dificuldades, pela forma como aprenderdes com elas, mas também pela coragem que decidirdes emprestar à vossa forma de estar no mundo profissional, na relação com os pares de profissão e no seio das equipas que ireis integrar.

 

Hoje, mais do que nunca, o nosso desempenho e as nossas competências estão sob o escrutínio direto do cidadão e do Estado. Chamo a atenção para o facto deste escrutínio não poder, em momento algum, afigurar-se como um inibidor do vosso crescimento profissional, mas antes como um catalisador da contínua vontade de afirmação individual e coletiva.

 

Coragem, determinação, consciência e lealdade profissional é o que vos peço!

 

Coragem e determinação para saberdes dizer não, quando o tiverdes de fazer. Não, quando em risco estiverem as condições mínimas necessárias para um exercício profissional seguro e com qualidade. Não, quando os superiores interesses dos cidadãos estiveram em causa. Não, quando vos exigirem para lá do que é exigível. O exercício do não, fundamentado, assertivo e responsável, é, humana e profissionalmente muitíssimo mais exigente do que a aceitação tácita de tudo aquilo que vos poderá ser imposto.

 

Mas peço-vos também o mais elevado sentido e consciência e lealdade profissional. A profissão não poderá tolerar a desunião entre aqueles que a compõe. O vosso sucesso e o vosso progresso não dependem do fracasso do vosso par. Para que o vosso desempenho se evidencie, não necessitam atacar ou destruir o outro. Aliás, a este propósito e no plano das próximas eleições à Ordem dos Enfermeiros, também estes valores deverão estar bem patentes. Acredito que qualquer candidatura que ataque, deslealmente, ou com mentira, o trabalho que aqui tem sido feito, não é merecedora do voto dos enfermeiros.

 

Como bem sabeis, não sou candidato a estas eleições e, por tal, da minha intervenção de hoje não resulta qualquer tipo de aproveitamento em causa própria ou propagandista, mas sendo esta a minha última intervenção pública antes do período de campanha eleitoral, sinto-me moral e intelectualmente obrigado a deixar esta nota.

 

Há dias atrás recebi uma mensagem no telemóvel, de uma colega de uma das ilhas mais isoladas da Região que dizia o seguinte “mais uma vez, em nome de todos os colegas anónimos e esquecidos, e em meu nome também, obrigado”. Independentemente daquilo que disserem, quiserem dizer, ou não quiserem reconhecer, foi extraordinário o trabalho levado a cabo nesta Secção Regional ao longo dos últimos quatro anos, por mim, e pela minha equipa, este é o reconhecimento e o sentimento de missão cumprida que levarei quando cessar estas funções. Nada é mais gratificante do que sentir que se fez a diferença, que se acrescentou ao que já havia.

 

Na realidade, com este mandato, não faltou proximidade nem faltou intervenção. Fomos a todas as ilhas, fomos a todas as instituições do Serviço Regional de Saúde. Não fizemos vista grossa ao sector social, colocamos o dedo na ferida e deixamos a descoberto fragilidades e vulnerabilidades que mais tarde foram reconhecidas. Neste particular tomamos posições públicas absolutamente claras, servindo isto de lembrete para todos aqueles que agora parecem ter acordado a pedir mais intervenção. E deixo claro, independentemente da filiação partidária – diversa – dos membros dos órgãos estatutários desta Secção Regional, em momento alguém existiu mistura ou confusão de papéis, como já foi por aí sugerido. Uma vez mais, as posições públicas assumidas pela Secção Regional, e por mim em concreto, assim o demonstram.

 

No plano da intervenção, foram centenas as notificações remetidas às várias instituições do Serviço Regional de Saúde dos Açores e do sector da economia solidária. Foram mais de centena e meia os ofícios remetidos à Secretaria e Direção Regional da Saúde, assim como à Secretaria Regional da Solidariedade Social, procurando, de forma equilibrada e ponderada, contribuir para a resolução dos problemas que todos queremos ver ultrapassados. Fixou-se em mais de uma dezena os pedidos de intervenção remetidos à Inspeção Regional da Saúde, tendo a maioria resultado na abertura de procedimentos inspetivos. Minha senhoras e meus senhores, se isto não é intervenção, pergunto o que é intervenção? Deixo à vossa consideração.

 

No que respeita à empregabilidade, nunca a taxa de desemprego entre enfermeiros nos Açores esteve tão baixa. A Secção Regional, sob a minha liderança, levou a cabo nos últimos meses a replicação do estudo de empregabilidade e inserção profissional dos enfermeiros açorianos. Monitorizamos este indicador desde 2013, somos os únicos a fazê-lo de forma sistemática, os únicos!

 

Antecipando a apresentação pública dos resultados deste estudo, que terá lugar no próximo dia 18 de setembro, nas instalações da Secção Regional, a partir das 16:30, e para a qual estais, desde já, convidados, posso adiantar que a taxa de desemprego entre os enfermeiros Açorianos, licenciados entre 2008 e 2018, fixou-se em 2,8%, numa amostra de 590 enfermeiros e uma taxa de resposta superior a 79%. Recordo que em 2013, a taxa de desemprego nos enfermeiros recém-inscritos nos Açores era superior a 14%. Minhas senhoras e meus senhores, se isto não é resultado do trabalho de uma equipa que elegeu a dotação segura de enfermeiros como uma prioridade, então pergunto o que são resultados? Uma vez mais, deixo à vossa consideração.

 

Naturalmente que estes resultados não teriam sido possíveis sem que o Governo Regional dos Açores tivesse reconhecido e acomodado a absoluta necessidade de injetar mais enfermeiros no Serviço Regional de Saúde. E este reconhecimento, indiscutivelmente, resultou do trabalho próximo, profícuo e efetivo que este Conselho Diretivo Regional conseguiu levar a cabo com a Secretaria Regional da Saúde e com os seus três titulares com quem tive a honra de trabalhar no decurso deste mandato.

 

Hoje, nos Açores, não sabemos apenas quantos enfermeiros faltam, ao contrário do que alguns querem fazer parecer, sabemos onde faltam, sabemos quantos foram admitidos e sabemos quantos permanecem necessários.

 

O trabalho que desenvolvemos neste domínios fala por si só, por este motivo posso apenas lamentar que o procurem diminuir, sendo certo que só o farão por um de dois motivos: ou por manifesto desconhecimento, ou intencionalmente já em ambiente pré-eleitoral. Em todo o caso, caberá sempre aos enfermeiros açorianos separar a verdade da mentira.

 

Estarão todos os problemas resolvidos? É claro que não. Este é um caminho que se fez, e se continuará a fazer todos os dias.

 

Em dezembro próximo deixarei o cargo de Presidente do Conselho Diretivo Regional com a firme convicção de que fiz o melhor que consegui e o melhor que soube, na defesa dos interesses de todos nós e dos nossos cidadãos, independentemente daquilo que as vozes do contra possam dizer.

 

Em 2015 fui eleito com 47% dos votos nos Açores, o melhor resultado eleitoral obtido por qualquer candidatura, e cumpri aquilo a que me propus. Não exerci este cargo para agradar aqueles que estão do contra só porque sim, não o exerci esperando qualquer reconhecimento de onde ele nunca veio, exerci-o com elevado sentido de missão e responsabilidade. A minha missão foram os enfermeiros e os cidadãos açorianos. Parto de consciência tranquila.

 

Caros colegas,

 

É com uma palavra de esperança que termino. Cada uma de vós encerra em si mesmo um valor inestimável. Cada um de vós guarda um conjunto de anseios, mas também de aspirações e de sonhos. Peço-vos, que nunca deixem de sonhar, que nunca deixem a de acreditar, que nunca permitam que a opinião de outros, só porque é expressa com maior ruído, vos silencie. Não sucumbam ao medo ou ao desânimo. Ousem questionar, ousem desafiar a realidade que vos rodeia e sejam absolutamente leais para convosco e para com a profissão.

 

Obrigado e bem hajam!

 

 


Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

PONTA DELGADA, 09 DE DEZEMBRO DE 2019

DISCURSO PROFERIDO PELO PRESIDENTE CESSANTE CDR, LUÍS FURTADO, NA CERIMÓNIA SOLENE DE TOMADA DE POSSE DOS ÓRGÃOS ESTATUTÁRIOS REGIONAIS DA SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS – MANDATO 2020-2023

 

Permitam-me começar por reiterar o imenso privilégio que foi estar à frente dos destinos desta Secção Regional ao longo dos últimos quatro anos.

 

Quatro anos de serviço aos Açores, aos Açorianos e à Enfermagem Açoriana. Acreditei, acredito e continuarei a acreditar na existência de uma Enfermagem de matriz arquipelágica e insular, uma Enfermagem forjada a partir do negro basalto e da resiliência deste povo ilhéu. Servi – servimos – acreditando no valor que cada ilhéu encerra em si mesmo. Assumimos um compromisso com a Região e honramos este compromisso. Não farei qualquer retrospetiva relativamente ao trabalho feito, este não é o momento para balanços, o balanço do trabalho desenvolvido encontra o seu espaço na memória de cada um. Contudo, não posso deixar de expressar o meu mais profundo agradecimento à equipa que me acompanhou ao longo desta caminhada. Sem vocês nada disto teria sido possível.

 

Agradeço a condescendência tida para com um temperamento nem sempre fácil, a resposta rápida à urgência que imprimi nas inúmeras solicitações que vos fiz, mas agradeço, essencialmente, a confiança depositada em mim e no projeto que vos apresentei em 2015 e no qual acreditastes sem reservas.

 

Um agradecimento aos muitos enfermeiros que se reviram neste projeto e na forma de estar desta equipa. Foi por eles, e por todos os outros que fizemos o que fizemos, que trilhamos o caminho que trilhamos. Hoje a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros é um parceiro respeitado e com provas dadas relativamente à sua capacidade de responder afirmativamente aos desafios e às exigências que lhe são apresentados.

 

Quero expressar também, na pessoa de Sua Excelência a Secretaria Regional da Saúde, o meu agradecimento ao Governo Regional dos Açores pela forma como acolheu muitas das solicitações e iniciativas desta Secção Regional, dando resposta favorável a muitas delas. Se por um lado é verdade que nem sempre estivermos de acordo em todas as matérias, não é menos verdade que soubemos sempre trabalhar de forma leal e comprometida, procurando um encontro de posições que salvaguardassem os interesses dos enfermeiros e da população açoriana.

Por fim, uma palavra à equipa de colegas que a partir de hoje assume os destinos desta Secção Regional. A vida das organizações é também isto, faz-se de ciclos. E hoje encerra-se um ciclo e inicia-se um outro ciclo. Um novo ciclo que se deseja de afincado trabalho e de muito sucesso.

 

O sucesso da equipa que hoje é empossada, será o sucesso da Enfermagem Açoriana amanhã. Por isso, pessoalmente, quero desejar-lhe, Enfermeiro Pedro Soares, assim como a toda sua equipa, votos de sucesso no exercício deste mandato. Desejo genuinamente que alcance todos os objetivos a que se propôs e que implemente o seu plano de ação nos termos em que se propôs fazer.

 

Muito obrigado e bem hajam!

 

 

Luís Carlos do Rego Furtado

 

PRESIDENTE CESSANTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

PONTA DELGADA, 09 DE DEZEMBRO DE 2019

DISCURSO PROFERIDO PELO PRESIDENTE  NA CERIMÓNIA SOLENE DE TOMADA DE POSSE DOS ÓRGÃOS ESTATUTÁRIOS REGIONAIS DA SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS – MANDATO 2020-2023

 

 

Cumprimento, e nele todas as entidades aqui representadas que nos deram a honra da sua presença nesta cerimónia.

 

Mais que simbólico, este momento de tomada de posse reconhece o genuíno empenhamento de uma equipa que quer contribuir para um futuro bem maior desta instituição, e dos Enfermeiros, e obriga-a, porque aceitou percorrer este novo caminho, a cumpri-lo com toda a honra, transparência, lealdade e convicção.

 

Permitam-me, desde já, reiterar a minha crença, bem como a de toda a equipa que me acompanha, numa Ordem dos Enfermeiros representativa e congregadora das vontades de todos aqueles que vêem, na pessoa e na saúde, as razões primeiras para o desempenho de uma prática profissional de qualidade, enquanto enfermeiros competentes nas suas mais distintas áreas de atuação.

 

Sinto-me feliz pela vossa presença, enquanto testemunhas, neste ato de elevado significado e simbolismo para a OE, e para a SRRAA em particular, que marca o início de um novo período de atividade e a afirmação da confiança e da estima de que fomos merecedores por parte dos enfermeiros açorianos.

 

Suportados num ato democrático, hoje é dia de renovação das expectativas, de reafirmação da defesa de convicções e de valores, e do reforço de empenhamento e da determinação em fazer mais e melhor.

 

É igualmente dia de expressar o nosso agradecimento a todos os que contribuíram para que as eleições decorressem com um elevado grau de civismo, aos que integraram e se disponibilizaram para participar nas distintas listas que concorreram aos diferentes órgãos regionais, aos que, livre e voluntariamente, participaram no processo eleitoral, manifestando de forma expressiva as suas opções.

 

Gostaria de cumprimentar a minha amiga pessoal aqui presente, Enfª Ana Rita Cavaco, pela renovação do seu mandato como bastonária da OE, e agradecer todo o seu apoio nesta viagem, que já conta com alguns anos, pelo menos 12. Estendo o cumprimento ao meu amigo Enfº Luis Barreira, vice-presidente do CD da OE. O meu sentido obrigado.

 

À equipa que hoje comigo toma posse, a minha equipa, chegámos ao primeiro patamar, atingimos o primeiro objetivo… estamos no início de um novo começo para a SRRAA da OE, e juntos continuaremos este caminho, e juntos estaremos pelos enfermeiros e pelas pessoas que cuidamos todos os dias.

 

Parafraseando a Srª Bastonária, com respeitosa adaptação, não podemos ter medo das palavras. Precisamos de falar claro entre nós e falar claro ao Açores: Não há regulação da profissão sem assegurar um número mínimo de enfermeiros nos serviços que garanta a segurança das pessoas, das nossas famílias, dos nossos amigos, de todos nós.

 

Caminharemos ao lado dos colegas, nos serviços, nas instituições, é no terreno que precisam de nós, será esse o nosso dia-a-dia, terreno, terreno e terreno, sempre, orgulhosamente com os Enfermeiros Açorianos.

 

As dificuldades financeiras nas instituições prestadoras de cuidados, a má gestão de alguns serviços, as duvidosas nomeações para a gestão de topo na saúde, exigem aos enfermeiros açorianos escolhas por vezes difíceis, que põem em causa a vida de cada um de nós.

 

Exma. Sra. Secretária Regional da Saúde, conte connosco, conte com os enfermeiros açorianos como parceiros, conte com a nossa voz. Conte connosco para mudarmos em conjunto. Confiamos em si para essa mudança.

 

As linhas programáticas que balizaram a nossa candidatura, mais não representam do que a materialização do que conceptualmente defendemos para a SRRAA da OE, e do que julgamos ser o modo de corporizar essas ideias, essa necessidade que sentimos de todos incluir, envolver e de evoluir. Este pensamento ideológico e esta forma estruturante de objetivar e sentir a profissão, são fundamentais.

 

Chegou a hora da SRRAA! Dentro dos limites óbvios da nossa autonomia, e da nossa participação enquanto Secção Regional.

 

Importa defender o funcionamento do Serviço Regional de Saúde (SRS), com eficácia, em prol dos cidadãos, evitando as redundâncias e as más práticas, que apenas contribuem para uma resposta demorada e pouco eficiente.

 

É aqui que o Enfermeiro surge, como o profissional de saúde que mais perto se encontra dos cidadãos, e que está em condições de conferir a eficácia desejada e, desta feita, obviar as dificuldades a uma excelente operacionalidade do SRS.

 

Seguindo as palavras de Santo Agostinho, “Não basta fazer coisas boas, é preciso fazê-las bem”. Virámo-nos para o futuro determinados a fazer cada vez mais coisas boas e bem feitas, de modo a podermos dar um contributo decisivo, e verdadeiramente marcante, para a consolidação do prestigio da profissão.

 

Traçámos um caminho que necessita imperiosamente de ser percorrido, com persistência e sintonia de atuação, de modo a permitir que todos juntos, possamos obter cada vez mais e melhores resultados.

 

 

Sigamos juntos, orgulhosamente com os Enfermeiros.

 

 

 

Pedro Roberto Furtado Soares

 

PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO REGIONAL

SECÇÃO REGIONAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES DA ORDEM DOS ENFERMEIROS