O contexto actual no que diz respeito à situação laboral dos recém-licenciados em enfermagem tem sofrido profundas alterações no decurso dos últimos anos.
A uma situação de carência de enfermeiros, de facilidade de acesso ao mundo laboral, da prática usual de pluriemprego, de um mercado de trabalho apetecível para enfermeiros estrangeiros, sobreveio um novo período, num curto espaço de tempo, em que a tónica se desloca para a dificuldade de acesso ao primeiro emprego com períodos prolongados entre o terminus do curso e o acesso a mercado de trabalho, cariedade dos vínculos laborais, desvalorização do valor do trabalho dos enfermeiros, emigração qualificada, entre muitos outros aspectos.
A este facto não serão alheios aspectos como:
i) o contexto actual de crise,
ii) o desfasamento entre o número de enfermeiros necessários para responder às necessidades efectivas da população em cuidados de saúde e os lugares efectivamente disponíveis,
iii) o elevado número de enfermeiros que se qualificou nos anos mais recentes fruto de uma oferta formativa muito alargada;
iv) a manutenção de um elevado grau de atractividade dos cursos de enfermagem no país, só para elencar alguns exemplos.
Todavia, para um concreto conhecimento da realidade importa ir para além destes indícios aparentes e questionar de facto os novos licenciados em Enfermagem inscritos na Secção Regional dos Açores da OE, de forma a que, com propriedade, se possam obter dados fiáveis que respondam a questões essenciais como: Quantos e quem são os recém-licenciados nos Açores? Onde trabalham? Que tipo de vínculo laboral possuem? Qual a demora no acesso ao mercado de trabalho? Em que tipo de instituições desempenham funções? Qual o grau de satisfação com a sua situação laboral e com a profissão? Entre outras questões possíveis.