V Encontro de Enfermagem da SRRAA da Ordem dos Enfermeiros
"Da Intenção de mudar... à Mudança"
22, 23 e 24 de Outubro de 2009
Síntese do Encontro – Presidente da Comissão Organizadora
Cabe-me a ingrata tarefa de fazer a síntese deste encontro. Digo ingrata pela dificuldade que tive em compilar as ideias-chave entre todo o manancial que tivemos oportunidade de reter. De qualquer forma, arrisco a elencar algumas que me pareceram fulcrais.
Antes de mais, e tal como foi veiculado na conferência inaugural, relembro que, apesar de tudo, a Enfermagem Portuguesa é uma referência no contexto europeu e, do ponto de vista internacional, ninguém a descura, estando num nível de afirmação igual ao dos países mais desenvolvidos nas ciências da Saúde. E isto deve ser motivo de júbilo para todos nós.
Em relação à mesa-redonda “A complementaridade da Enfermagem no domínio das ciências da Saúde”, foi salientado que as profissões de saúde, muito embora possam partilhar o mesmo alvo de cuidados (a Pessoa), os focos de atenção de cada grupo profissional são necessariamente distintos, numa lógica de cuidados integrais e complementares, pois só deste modo se poderá garantir respostas cabais e adequadas às necessidades em cuidados de saúde das populações.
Quanto ao “Modelo de desenvolvimento Profissional - impacto e perspectivas”, várias perspectivas foram abordadas, sendo que todas elas traduziram a mais-valia do modelo, especialmente pelo impacto que terá na qualidade dos cuidados prestados ao cidadão. Debateram-se as questões relacionadas com a operacionalização do novo modelo, sendo que é indiscutível que o processo passará não só pela acreditação dos espaços formativos, como também pelo desenvolvimento de competências supervisivas em colegas que, após alcançarem um nível de proficiência adequado, contribuam para que o/s supervisado/s atinja/m uma capacidade de juízo clínico que lhe/s permita o exercício autónomo como enfermeiro/s ou enfermeiro/s especialista/s.
Na mesa-redonda “Cuidados Seguros – Um desafio… Um compromisso”,foram debatidos vários temas onde se destacou a relação directa entre a segurança dos cuidados e a dotação de pessoal, mobilidade, condições para o exercício profissional e o modo como se concebem e operacionalizam os processos de socialização/integração profissional. Abordou-se também a indissolubilidade da “segurança” versus “qualidade dos cuidados” e, neste sentido, enfatizou-se a importância de uma cultura organizacional assente em políticas de qualidade com destaque para a promoção e implementação de programas de melhoria contínua. A questão da segurança dos cuidados foi também abordada numa perspectiva da segurança da informação, onde a problemática parece centrar-se no que decorre da divulgação dos dados. Discutiram-se assim, as condições e os critérios, na base dos quais os dados podem ser revelados pelo enfermeiro.
Na mesa onde se reflectiu sobre a prática clínica dos enfermeiros, foram abordados vários temas desde as questões cuidativas, formativas, gestionárias, entre outras, mas com especial destaque para as vantagens dos sistemas de informação em Enfermagem, lamentando-se a ausência na região de um sistema onde através dos registos feitos (diagnósticos, intervenções e avaliações) os enfermeiros possam imprimir mais qualidade nos cuidados que prestam, garantindo não só a continuidade dos cuidados e o registo sistemático da sua actividade, como também a possibilidade de se poder monitorizar os ganhos em saúde pela emergência de indicadores que decorrerão do sistema.
Quando foi abordado o tema “A Enfermagem: Actualidade e tendências”, para além de se enfatizar a prestação de cuidados como “área privilegiada da actuação dos enfermeiros, abordou-se a importância do trabalho em rede como uma necessidade que as novas perspectivas de organização do trabalho ditam, em contextos cada vez mais complexos e globalizados. Mereceu destaque, também, o desafio que é colocado aos enfermeiros para serem adoptadas metodologias de trabalho que propiciam níveis mais elevados de satisfação (quer do cliente interno, quer do cliente externo). Foi, por isso, abordado a mais-valia da implementação do Enfermeiro de Família, na Região Autónoma dos Açores, como figura de referência, nos recursos de saúde a serem mobilizados por, com e para cada família.
Relativamente à temática central do encontro, abordada de modo mais directo em dois momentos, parece não existirem dúvidas de que os actuais contextos ditam mudança, mas é preciso sentir a necessidade de mudar para depois, querer mudar. No entanto, não basta querer! É preciso saber mudar! Nesta perspectiva, mais do que administrar precisamos liderar, e isso também se aprende para que a mudança seja efectiva e corresponda à justificação sentida e expressa para se mudar.
Muito obrigado
Luís Ferreira