Em 1882, quando Robert Koch descobriu o agente etiológico da Tuberculose e, nos meados do século, se encontraram agentes quimioterápicos eficazes para a sua neutralização, parecia que os problemas deste grande flagelo social desapareceriam finalmente.
No entanto, o momento em que vivemos, decorrido mais de um século depois das descobertas de Koch, revela uma situação bem diferente. Contrariamente ao que se pensou, e que muitos continuam a pensar, a Tuberculose não está em vias de extinção.
O facto de se estimar que quase um terço da população mundial se encontra infectada pelo bacilo de Koch e de se registar que, anualmente, quase 9 milhões de pessoas desenvolvem Tuberculose activa, levou a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1993, a declará-la como uma emergência mundial. Esta declaração foi a primeira do género na história da OMS.
Segundo referência da Direcção Geral da Saúde, e em relação aos restantes países da União Europeia, Portugal é um dos países com maior incidência de casos de Tuberculose notificados e com maior expressão dos aspectos que lhe conferem o carácter de infecção emergente. Em 2007, foram diagnosticados 3158 casos de Tuberculose, tendo-se registado um decréscimo variável de 5 a 10% na última década.
Mas este decréscimo da incidência não é razão para haver um abrandamento da acção, pois é uma doença capaz de atravessar barreiras sociais, económicas, culturais, políticas e geográficas e que, apesar de possivelmente curável ao fim de 6 meses de tratamento, mata mais de 1,5 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.
Para além dos números preocupantes, na viragem do século XX para o século XXI, desenvolveu-se, com o contributo do Homem, a maior ameaça de sempre da Tuberculose. Trata-se de uma forma de Tuberculose em que o bacilo é resistente ao tratamento e é, por isso, muito mais difícil de tratar, podendo constituir uma nova epidemia sem tratamento eficaz se não for energicamente combatida.
Importa, assim, desenvolver um trabalho concertado e o empenho de todos e cada um de nós, enquanto indivíduos passíveis de ter que enfrentar o problema pessoalmente e, acima de tudo, enquanto enfermeiros.
Os enfermeiros têm um papel essencial e preponderante na implementação de medidas necessárias que dêem resposta a este grave problema de Saúde Pública, devendo as mesmas serem dirigidas não só o indivíduo doente, como também à sua família e comunidade, de forma a quebrar a cadeia epidemiológica desta patologia e contribuir para a melhoria da saúde da nossa comunidade.
Como profissionais da saúde, compete-nos estar atentos a sinais e sintomas sugestivos da doença e proceder ao correcto encaminhamento para rastreio, pois quanto mais precocemente se iniciar o tratamento da doença, mais cedo será cortada a cadeia de transmissão do bacilo. Um combate adequado a esta doença passa também por um harmonizado cumprimento do nosso papel de educadores da população, desmistificando a Tuberculose, não só pelo seu cariz de doença infecto-contagiosa, como também pelo seu longo e marcante passado histórico, fazendo com que o próprio nome seja muitas vezes omisso (quantas vezes já ouvimos clientes fazer referência, na sua historia clínica pessoal, a uma "mancha no pulmão" ou pleurisia?).
A discriminação contra pessoas com Tuberculose ainda é uma realidade e constitui uma violação dos direitos humanos! Façamos, pois, com que o Dia Mundial da Tuberculose em 2009 seja marcado por uma acção individual, porém concertada, de sensibilização e esclarecimento da população para este problema de saúde pública.
Como refere a Ordem dos Enfermeiros (2008) diminuir a incidência da Tuberculose em Portugal e no Mundo é uma tarefa de todos, devendo todos os cidadãos e profissionais de saúde das diferentes instituições de saúde e da comunidade unir esforços em prol desse objectivo.
Enf.ª Susana Barbeitos
Centro Saúde Ponta Delgada - STDR/SDP