Vulnerabilidade: O Elo Mais Fraco na Saúde
Os grupos populacionais vulneráveis são aqueles que têm maior probabilidade, ou seja, maior possibilidade de desenvolver problemas de saúde do que o resto da população, apresentando frequentemente maior dificuldade no acesso aos cuidados de saúde.
Existem numerosos factores de vulnerabilidade relacionados com processos culturais, psicológicos, políticos, económicos e biológicos, aumentando a possibilidade de ocorrência de diferentes doenças. Por exemplo, os indivíduos pobres vivem, muitas vezes, em zonas perigosas, com maior criminalidade, trabalham em ambientes desgastantes, têm menos acesso a alimentos saudáveis, menos oportunidades de fazer exercício físico, bem como pior acesso a transportes públicos e redes sociais de apoio. Verifica-se que existe, então, uma relação entre os factores que influenciam a saúde e a vulnerabilidade nas populações.
O início do século XXI é simultaneamente o início de um novo milénio e de uma nova era na abordagem à vulnerabilidade. Uma sociedade em constante evolução coloca novos desafios e exigências, nomeadamente ao nível da transformação dos factores de vulnerabilidade, para a qual o Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária está atento.
Ao reconhecer-se os aspectos que levam à maior vulnerabilidade do indivíduo, grupo ou comunidade criam-se oportunidades de intervenções de enfermagem comunitária facilitadoras de mudança e uma cobertura mais justa, equitativa e solidária, constituindo estes alguns dos princípios éticos e deontológicos que regem a actividade profissional de enfermagem. A Organização Mundial de Saúde afirma que a equidade deve ser assegurada através do financiamento dos serviços que beneficiam os segmentos mais pobres e mais vulneráveis da sociedade. Ou seja, atribuir mais a quem mais necessita e atribuir o mesmo a quem se encontra em iguais condições.
O Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária tem competências para planear e avaliar o estado de saúde de uma comunidade, podendo, assim, identificar as necessidades de saúde da mesma. O diagnóstico de saúde da comunidade constitui a primeira etapa do planeamento em saúde e consiste no conhecimento da comunidade através da identificação dos seus problemas, necessidades, grupos de risco e recursos existentes na área da saúde.
Com esse diagnóstico, o enfermeiro consegue identificar os grupos vulneráveis que serão alvo de uma atenção prioritária em projectos de intervenção comunitária.
Dentro dessa intervenção, o enfermeiro comunitário actua encorajando os indivíduos, famílias e grupos vulneráveis a obterem serviços de saúde, orientando para estratégias de prevenção e de promoção da saúde e ajudando a identificar forças, dificuldades e recursos. Neste âmbito, a educação para a saúde é fundamental no trabalho com populações vulneráveis, uma vez que capacita os indivíduos a serem capazes de tomar as suas próprias decisões e a melhorar o seu estado de saúde.
O primeiro passo para a capacitação dos indivíduos e grupos dá-se quando o enfermeiro se preocupa com a defesa das populações, nomeadamente na área das políticas da saúde, daí que o Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária acredita que todos estes processos necessitam de ser acompanhados e por vezes impulsionados através da implementação de políticas públicas.
A avaliação das intervenções de enfermagem com as populações vulneráveis começa com os objectivos que se querem alcançar e centra-se em verificar até que ponto os resultados de saúde foram atingidos, quer seja a nível individual, de grupo ou comunidade.
Somos da opinião que os enfermeiros, em particular os Especialistas em Saúde Comunitária, ao identificarem os factores de vulnerabilidade e ao intervirem no sentido de os reduzir, podem contribuir para uma melhor qualidade de vida dos indivíduos, famílias ou comunidades com quem trabalham.
Enf.as Carla Silva;Manuela Dias; Nélia Terra e Susana Silva
Curso Pós-Grad. Enfermagem de Saúde Comunitária da ESEnf. Ponta Delgada