Estratégia de Risco e Planeamento em Saúde
A promoção da saúde e a prevenção da doença assumem um papel fundamental na redução de riscos em saúde. São diversos os factores que contribuem para a existência de resultados saudáveis e não saudáveis, e nem todas as pessoas expostas ao mesmo acontecimento terão o mesmo resultado. Assim, os factores que influenciam tanto a ocorrência de doença como outros resultados não saudáveis são chamados riscos em saúde.
O risco em saúde é a probabilidade, ou seja, a possibilidade de um acontecimento indesejável ocorrer no futuro. Importa dizer que os factores de risco podem ser causas ou sinais, podendo ser observáveis ou identificáveis antes do acontecimento indesejável surgir. Estes podem caracterizar o indivíduo, a família, o grupo, a comunidade e o meio envolvente. A probabilidade de ocorrência de uma doença, acidente ou morte poderá ser reduzida ou evitada se uma ou diversas acções preventivas forem realizadas. A este tipo de intervenção em saúde dá-se o nome de estratégia de risco.
O planeamento em saúde, tendo por base uma estratégia de risco, deve atender a alguns princípios éticos, nomeadamente a equidade. A prestação equitativa dos cuidados de saúde exige uma atenção especial dada à comunidade, aos grupos e aos indivíduos, de modo a evitar desigualdades no acesso à saúde. Este princípio enfatiza a importância de oferecer mais cuidados de saúde a quem mais necessita, não deixando de dar atenção a toda a população. Visa também o uso mais adequado dos recursos escassos existentes na área da saúde.
Em todas as sociedades existem indivíduos, grupos ou comunidades cuja probabilidade futura de agravamento do seu estado de saúde é maior que a de outros. Estes indivíduos, grupos ou comunidades são designados de vulneráveis ou de risco. Assim, consideram-se estes como sendo os grupos mais frágeis, desprotegidos e desfavorecidos. Dentro destes grupos, dever-se-á ter em conta os que apresentam maior risco, no sentido de fornecer-lhes prioritariamente os cuidados de saúde de que necessitam.
Segundo o Código Deontológico do Enfermeiro, este profissional de saúde, enquanto responsável para com a comunidade ao nível da promoção da saúde e pela resposta adequada às necessidades em cuidados de enfermagem da população, assume o dever de conhecer as necessidades da população e da comunidade em que está inserido. Deste modo, tendo um conhecimento profundo e global da comunidade, o enfermeiro poderá ajudar os indivíduos, grupos ou comunidade a prevenirem doenças e a melhorarem a sua saúde.
Para planear as intervenções de saúde na comunidade, tendo por base uma estratégia de risco, é fundamental que o enfermeiro efectue, em primeiro lugar, um Diagnóstico de Saúde da Comunidade.
A realização deste Diagnóstico de Saúde é uma das principais funções do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária, ao qual compete recolher dados que permitam conhecer as problemáticas da comunidade para, posteriormente, efectuar o estabelecimento de prioridades em saúde da comunidade. Assim, poderá estabelecer estratégias que permitirão obter ganhos em saúde para a população e promover a co-participação dos cidadãos nos problemas de saúde identificados.
É ainda competência deste enfermeiro especialista realizar o planeamento, a execução e avaliação de programas de enfermagem comunitária baseados em estratégias de risco, depois de identificar os grupos de risco numa comunidade, assegurando-lhes atenção prioritária no sentido de reduzir os danos nos grupos susceptíveis. Este planeamento servirá de base para a determinação do tipo de assistência de enfermagem aos indivíduos, grupos ou comunidade oferecendo mais cuidados a quem mais necessita e ao mesmo tempo favorecer a ampliação da cobertura de assistência em enfermagem à restante população.
Enf.as Ana Filipa Silva;Catarina Santos;Paula Ferreira e Enf.º Valter Alves
Curso Pós-Grad. Enf.gem de Saúde Comunitária da ESEnf. Ponta Delgada