O Planeamento em Saúde no âmago do desenvolvimento Comunitário
No actual contexto socioeconómico e político, evidencia-se uma crescente preocupação com a promoção da saúde e a prevenção da doença. No entanto, nas instituições de saúde ainda prevalecem intervenções aleatórias, que não potenciam os ganhos pretendidos e dissipam os recursos existentes. Torna-se premente, assim, congregar esforços para a utilização eficiente dos recursos e, consequentemente, para o aumento de ganhos em saúde.
As novas reformas da saúde passam por adaptar e perceber conceitos de gestão que conferem às organizações maior flexibilidade, eficiência e rigor, perspectivando-se que a resolução dos vários problemas depende fundamentalmente do empenho e competência dos profissionais de saúde e da qualidade dos seus cuidados.
Esta conjuntura impõe desafios e exigências ao exercício profissional dos enfermeiros especialistas em saúde comunitária, nomeadamente no que concerne à optimização das suas competências, em particular no âmbito do planeamento estratégico em saúde enquanto processo que engloba o diagnóstico do estado de saúde de grupos e comunidades; o desenvolvimento de programas e projectos de intervenção e a elaboração de indicadores que possibilitem avaliar de forma sistemática os níveis de qualidade das suas intervenções e os ganhos em saúde daí decorrentes.
O diagnóstico de saúde, enquanto primeira etapa do planeamento, consiste num procedimento rigoroso de avaliação multicausal dos determinantes da saúde que influenciam os processos de saúde/doença de grupos e/ou comunidades. Permite-se, deste modo, obter um conhecimento efectivo dos mesmos, coadjuvando o processo de priorização das necessidades/problemas identificados, pela aplicação dos critérios epidemiológicos e métodos/técnicas científicas que potenciam a participação activa das comunidades nas tomadas de decisão que lhes dizem respeito em matéria de saúde. A elaboração e implementação de programas/projectos correspondem à segunda fase do planeamento em saúde e visam dar resposta, de forma organizada, aos problemas encontrados. Nesta fase, determinam-se os objectivos, as estratégias, as actividades e os indicadores indispensáveis à última etapa, a avaliação.
A metodologia de planeamento estratégico fundamentou, no âmbito do Curso de Pós Licenciatura de Especialização em Enfermagem Comunitária, o desenvolvimento do diagnóstico de saúde em três freguesias da ilha de São Miguel: Santa Bárbara, do Concelho da Ribeira Grande; Covoada, do Concelho de Ponta Delgada e São Pedro, do Concelho de Vila Franca do Campo. Estas comunidades foram alvo de projectos de intervenção nas áreas de promoção da vigilância de saúde do adulto, Promoção da adopção de estilos de vida saudáveis e Prevenção de doenças cardiovasculares, respectivamente. Os resultados que incluem os ganhos em saúde, decorrentes da implementação dos referidos projectos, serão publicados posteriormente.
Concluímos, ainda assim, que o planeamento estratégico em saúde é um método que permite intervir em múltiplos contextos, disponibilizando o acesso a cuidados de saúde eficazes e continuados a toda a comunidade, visando o seu empoderamento e capacitação, enquanto aptidões indispensáveis aos processos de tomada de decisão e ao exercício de cidadania, abrangendo os grupos vulneráveis, oriundos de diferentes contextos, e enaltecendo a dimensão emergente da multiculturalidade.
A consecução das propostas de reforma na saúde que preconizam uma gestão e utilização racional dos recursos disponíveis, a qualidade das intervenções em saúde baseada na evidência científica, bem como o processo de formulação de políticas públicas de saúde e a definição de prioridades em investigação espelham a efectivação do planeamento estratégico no âmbito da saúde.
Curso de Pós Licenciatura de Especialização
em Enfermagem Comunitária -ESEnf.PD