O Enfermeiro na Vanguarda do Controlo da Infecção.
Já toda a gente ouviu falar de alguém conhecido que foi internado no hospital, por uma qualquer doença e depois "apanhou" uma infecção, tendo ficado pior do que quando entrou. Estas infecções adquiridas pelos doentes que estão hospitalizados são conhecidas por infecções hospitalares ou nosocomiais e são causadas por microorganismos patogénicos, mais frequentemente bactérias. Mais recentemente foi criado um conceito mais abrangente - o das Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS), que englobam as infecções adquiridas em qualquer instituição prestadora de cuidados de saúde, por ex. Centros de Saúde. Ora, estas infecções adquiridas por doentes que são alvo de cuidados de saúde, não sendo assim tão frequentes, por vezes ocorrem. Isto acontece por vários motivos: devido ao estado de saúde do próprio doente, que o deixa mais susceptível ao aparecimento de infecções; devido a procedimentos invasivos realizados ao doente, que facilitam a entrada de microorganismos no seu corpo; ou até devido à limpeza ou assépsia inadequada e ao não cumprimento de medidas preventivas por parte dos profissionais que prestam cuidados.
Por lei, os hospitais têm que ter uma Comissão de Controlo de Infecção (CCI), cujo objectivo principal é a prevenção e o controlo da infecção cruzada, isto é, impedir o aparecimento das infecções que seriam evitáveis. Estas comissões são constituídas por uma equipa de médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde que trabalham em conjunto. No entanto, na maioria das instituições, o único elemento que trabalha a tempo inteiro nesta área é um enfermeiro, que acaba por estar mais envolvido e ter um papel mais activo na prevenção e controlo da infecção. Além do facto de estarem a tempo inteiro na Comissão de Controlo de Infecção, o que desde logo lhes garante mais experiência e saberes, muitos destes enfermeiros têm formação específica (pós-graduação ou mestrado), permitindo-lhes serem o profissional credível para o aconselhamento em controlo da infecção. O enfermeiro de controlo de infecção gere diariamente as actividades inerentes à implementação de todas as acções necessárias para o controlo da infecção (CI). Essas acções exigem ao enfermeiro da Comissão de Controlo de Infecção: elaborar planos de prevenção e controlo da infecção; formar, sensibilizar e aconselhar todos os profissionais do hospital sobre a importância do CI; elaborar recomendações e procedimentos/normas de CI tendo em conta as constantes actualizações; efectuar auditorias dos cuidados para avaliar o cumprimento das boas práticas em controlo da infecção; efectuar vigilância epidemiológica, ou seja, detectar os casos de infecção nos doentes internados e fazer o estudo dessas infecções; divulgar os resultados dos trabalhos realizados pela CCI por todo o hospital, com vista à melhoria dos cuidados prestados aos doentes.
Os enfermeiros das Comissões de Controlo de Infecção têm sido responsáveis pela implementação de vários projectos nesta área, sendo talvez um dos mais conhecidos a nível nacional a Campanha de Melhoria da Higiene das Mãos. Esta campanha tem como objectivo a diminuição das Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde através do aumento da adesão dos profissionais de saúde à higienização das mãos em contexto hospitalar. Foi lançada pela OMS em 2009 e Portugal aderiu à campanha nesse mesmo ano. Desde essa altura tem sido um desafio constante para os enfermeiros, e outros profissionais de saúde, o aumento da adesão à higienização das mãos. Sabe-se que este procedimento é a medida mais simples, mais barata, mas também a mais eficaz no combate às Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde. No entanto, a responsabilidade pelo CI recai sobre toda a sociedade, estando o enfermeiro numa posição privilegiada no que concerne ao ensino aos doentes e família, ou visitas, sobre as medidas a tomar para evitar a propagação destas infecções, sendo a higienização das mãos uma das componentes essenciais.
Enf.ª Simone Silva Martins
Hospital da Horta